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Truque Lógico: Deus não é perfeito

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Esse é o pior truque lógico que já ouvi até agora. É uma tentativa de afirmar que Deus é imperfeito, seguindo a seguinte linha de raciocínio:

  1. O perfeito, se sofrer qualquer modificação, se torna imperfeito.
  2. Antes de Deus tinha vontade de criar o Universo.
  3. Deus criou o Universo.
  4. Então Deus perdeu a vontade de criar o Universo(2 e 3), e isso gerou uma modificação em Deus, que era perfeito.
  5. Portanto, Deus se tornou imperfeito(1 e 4)

Bom, se as premissas forem verdadeiras, a conclusão também é. Porém, seriam essas premissas verdadeiras? Avaliemos elas, uma a uma.

1. O perfeito, se sofrer qualquer modificação, se torna imperfeito.

Aqui temos uma idéia que se originou do nada, e assim ficou. Ele não fez questão nenhuma de provar essa afirmação dele, apenas jogou como verdade que qualquer modificação no perfeito gera o imperfeito. Dessa forma, precisamos pedir que ele demonstre essa premissa.

Porém, já temos um problema nela. Além de pedir que o neo-ateu explique tal premissa, podemos ir colocando algumas falhas nela. Por exemplo: Ao que diz respeito a perfeição? Às características de Deus. Do mesmo modo que, para nós, o que nos torna melhores ou piores são as nossas características.

As nossas vontades, ao se modificarem, não nos tornam melhores ou piores. Principalmente vontades do tipo “criar algo”. Se eu tenho vontade de criar um carro, quando eu conseguir criá-lo eu vou me tornar pior? Ou iria me tornar melhor? Se houvesse qualquer modificação nas minhas características após criar o carro eu poderia, de fato, me tornar uma pessoa melhor ou pior.

Contudo, a modificação do desejo de criar o carro não é o que modifica as minhas características. Deixar de ter vontade de fazer o carro não me aproxima ou afasta da perfeição. Do mesmo modo, se eu realizar uma vontade como comer pizza isso não afeta em nada o meu estado, por não modificar nenhuma característica minha e nem ser um ato imoral.

É óbvio que a realização de algumas vontades(exemplo: Roubar algo ou bater em alguém) nos afastam da perfeição. Mas não foi a modificação da minha vontade que me afastou da perfeição, foi a minha atitude imoral. Dessa forma, o neo-ateu jogou uma premissa completamente falha.

2. Antes Deus tinha vontade de criar o Universo. & 3. Deus criou o Universo.

Particularmente eu não vi nenhum problema nessas premissas. Obviamente, estou me referindo ao problema em relação ao Truque Lógico, pois não podemos partir do princípio que Deus criou o Universo simplesmente porque desejamos, também precisamos evidenciar tal afirmação. Porém, ao evidenciá-la eu fugiria do objetivo do post, coisa que não irei fazer.

4. Então Deus perdeu a vontade de criar o Universo(2 e 3), e isso gerou uma modificação em Deus, que era perfeito.

A conclusão que segue depois de “2 e 3” está correta, mas…

5. Portanto, Deus se tornou imperfeito(1 e 4).

Para que a conclusão seja correta, é necessário que ambas as premissas não apresentem falhas. A primeira premissa apresentou falhas, então a conclusão não está correta.

Conclusão:

Esse não é um truque lógico muito difícil de refutar, já que o erro está  isolado logo na primeira premissa e não é tão difícil percebê-lo. Espero que o post tenha ajudado. Mostrando a falha na primeira premissa toda a argumentação do neo-ateu cai por terra, e ele provavelmente vai ficar repetindo a mesma coisa seguidamente, dando exemplos como esse:
“Ah, mas se você modificar sua vontade de matar uma pessoa você se tornará uma pessoa moralmente pior!”

Contudo, nesse exemplo eu me tornaria uma pessoa moralmente pior porque matei a pessoa, e não porque modifiquei minha vontade. Eu posso deixar de ter vontade de matar a pessoa sem necessariamente matá-la. Isso me torna moralmente pior? Ou moralmente melhor? De forma alguma.

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Written by catolicoresp

28/05/2011 às 13:15

7 Respostas

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  1. Bom post. Os militantes ateus têm o hábito de criar critérios ridículos.

    Mats

    31/05/2011 at 09:55

  2. Opa, pera aí.
    Ok, você diz que o “criar” em si, não muda o perfeito.
    E vc diz que Deus sempre teve a “vontade” de criar.
    Mas se ele é Deus ele não precisa de tempo para nada, se ele tem vontade, ele faz instantaneamente.
    Se vc diz então que o universo foi criado instantaneamente quando surge a vontade, vc diz que o universo é tão eterno quanto deus, ou seja, nunca foi criado.
    Ou Deus e o universo são eternos (aí por navalha de ocam seria preferível que o universo existisse por si só, sem um Deus) ou então os dois tiveram causas.

    Ricardopsicologia

    05/04/2012 at 19:46

    • Opa, pera aí.
      Ok, você diz que o “criar” em si, não muda o perfeito.
      E vc diz que Deus sempre teve a “vontade” de criar.
      Mas se ele é Deus ele não precisa de tempo para nada, se ele tem vontade, ele faz instantaneamente.

      Excelente, Ricardo.

      Se vc diz então que o universo foi criado instantaneamente quando surge a vontade, vc diz que o universo é tão eterno quanto deus, ou seja, nunca foi criado.

      Como assim? Se eu digo que o Universo foi criado, então eu digo que ele não foi criado? Causa e efeito SEMPRE são instantâneos, o que não significa que AMBOS são eternos. Por isso gosto de uma das premissas do Argumento Cosmológico de Kalam: “Tudo o que tem começo [Universo] tem uma causa”. Mesmo que eu concordasse contigo e dissesse que o Universo é eterno, ele AINDA tem um começo(algo eterno E com começo é, inclusive, algo bastante problemático) e, portanto, precisa de uma causa externa a si. Consegui me explicar?

      Ou Deus e o universo são eternos (aí por navalha de ocam seria preferível que o universo existisse por si só, sem um Deus) ou então os dois tiveram causas.

      Falsa dicotomia. Não há “os dois são eternos ou só um deles é eterno”. Há também: Um deles é eterno e o outro não, o que acrescenta mais duas possibilidades. Ademais, volto ao que eu disse: a premissa do argumento Kalam é “Tudo o que tem começo tem uma causa”, e o Universo TEVE um começo. Se algo TEVE um começo, não pode ser eterno(ou então ele não teria um princípio. O que é eterno não pode “começar”, e nossas evidências são de que o Universo começou).

      E, como você citou, a navalha de Ockham nos oferece uma PREFERÊNCIA, mas não uma Verdade(Ou seja, algo pode ser preferível pela Navalha de Ockham, mas isso não significa que esse algo seja correto). E ela só serve para que não coloquemos algo ALÉM da necessidade. Contudo, se o Universo tem uma causa, é necessário algo(Deus, por exemplo) que o justifique. Dessa forma, a navalha de Ockham NÃO DEVE ser utilizada, já que não estamos indo além do necessário, mas parando justamente até o necessário(Deus) e não indo além dele. Não estou sugerindo que você usou essa técnica, mas aqui há um bom comentário sobre a Navalha de Ockham.

      Abraço!

      catolicoresp

      06/04/2012 at 13:34

      • Interessante, me fez pensar bastante…
        Tenho 18 anos e entrei na UFRJ psicologia a pouco tempo. Foi quando comecei a pensar nessas coisas (aula de filosofia II) e gosto muito de discutir isso.
        Você fez uma colocação interessante, mas uma coisa eu achei estranha…
        Você pressupõe que Deus criou o universo. E com essa pressuposição você problematiza o universo, o tornando eterno e mesmo assim, com começo(?!) para que Deus pudesse “desproblematiza-lo” depois.
        Para mim, se você diz que Deus é eterno e que o universo também é eterno, os dois têm exatamente o mesmo tamanho, e portanto, o universo não precisaria de causa tanto quanto Deus.
        Queria também acrescentar algumas ideias sobre a criação do universo.
        Eu não consigo conceber que uma “criação” pudesse ser possível pois considero o tempo, o espaço e algumas leis, necessárias para isto. Criação em si, pressupõe um tempo anterior, um tempo quando a criatura não existia (?!), portanto Deus PRECISARIA de tempo. Se eu reduzir as dimensões de qualquer coisa à 0cm x 0cm x 0cm, essa coisa passa a simplesmente não existir, portanto Deus PRECISARIA de espaço. Criação pressupõe uma vontade que se transforma em ação, que se transforma na criação, e para essa sequência funcionar assim, o pensamento de Deus PRECISARIA de ser regido por leis de funcionamento.

        Ricardopsicologia

        07/04/2012 at 00:03

      • Interessante, me fez pensar bastante…
        Tenho 18 anos e entrei na UFRJ psicologia a pouco tempo. Foi quando comecei a pensar nessas coisas (aula de filosofia II) e gosto muito de discutir isso.
        Você fez uma colocação interessante, mas uma coisa eu achei estranha…
        Você pressupõe que Deus criou o universo.

        Eu nunca foi uma pressuposição minha, acho que você me interpretou mal. O que eu fiz foi o seguinte: Observei que o Universo teve início e, portanto, precisava de uma causa(como tudo o que tem início, e uma causa externa a si mesmo). Dessa forma o caminho é “Universo tem início, e o que tem início precisa de uma causa” -> “Deus pode ser a causa para o Universo”. E não o contrário. Portanto, não usei Deus como uma pressuposição, mas como uma explicação necessária ao problema proposto.

        E com essa pressuposição você problematiza o universo, o tornando eterno e mesmo assim, com começo(?!) para que Deus pudesse “desproblematiza-lo” depois.

        É precisamente porque o Universo tem começo que eu digo que o Universo não é eterno. Não se esqueça, Ricardo, que a suposição de que o Universo é eterno foi sua, e não minha. Eu nunca concordei com tal proposta.

        Para mim, se você diz que Deus é eterno e que o universo também é eterno, os dois têm exatamente o mesmo tamanho, e portanto, o universo não precisaria de causa tanto quanto Deus.
        Queria também acrescentar algumas ideias sobre a criação do universo.

        Como eu disse, isso não pode ser. Se o Universo começou, não pode ser Eterno. E não faz sentido dizer que “Deus tem o mesmo tamanho do Universo”, uma vez que Deus não é material e, portanto, não tem um “tamanho”, compreende? Acrescente suas ideias =)

        Eu não consigo conceber que uma “criação” pudesse ser possível pois considero o tempo, o espaço e algumas leis, necessárias para isto.

        Então você teria que propor um Universo eterno e, portanto, sem início. Se você tiver base suficiente para defender essa proposta, podemos debatê-la. Mas se você concordar que o Universo teve início e que, portanto, não é eterno, então não vejo como manter a sua linha de raciocínio.

        Criação em si, pressupõe um tempo anterior, um tempo quando a criatura não existia (?!), portanto Deus PRECISARIA de tempo.

        Aí é que está o teu erro. Um dos meus maiores problemas é que eu também via causa e consequência como efeito anterior-posterior, quando na verdade eles são simultâneos e, portanto, podem ocorrer ao mesmo tempo(na Origem do Espaço-Tempo). Aqui explica-se isso, mas o link está em inglês e, infelizmente, estou sem tempo pra traduzi-lo(espero, sinceramente, que você domine a língua estrangeira). Tendo lido o link, espero que ele tenha sido de ajuda.

        Se eu reduzir as dimensões de qualquer coisa à 0cm x 0cm x 0cm, essa coisa passa a simplesmente não existir, portanto Deus PRECISARIA de espaço.

        Você pressupõe o materialismo, o que é um problema. Seus próprios pensamentos não estão marcados em nenhum “tamanho” físico, mas nem por isso deixam de existir. Assumir que Deus tem um tamanho é assumir que Deus faz parte do Universo criado por ele, e isso resulta num problema sério(Deus teria criado Ele mesmo). Conseguiu entender? O grande “que” da questão é exatamente que Deus não pode ter tamanho físico, por ser externo ao Universo(estar presente no chamado “plano Metafísico”).

        Criação pressupõe uma vontade que se transforma em ação, que se transforma na criação, e para essa sequência funcionar assim, o pensamento de Deus PRECISARIA de ser regido por leis de funcionamento.

        Não vi o link, sinceramente. A conclusão(“o pensamento de Deus PRECISARIA de ser regido por leis de funcionamento”) é um grande non-sequitur, ou seja, ela não segue as premissas anteriores a si. Não é porque um vontade se tornou uma ação que há uma Lei de funcionamento. Ademais, mesmo que fosse, porque não poderia ser o próprio Deus a fonte dessa Lei de funcionamento?

        Muito bom conversar contigo! Espero que goste do seu curso.
        Abraço!

        catolicoresp

        07/04/2012 at 22:57

  3. “Observei que o Universo teve início e, portanto, precisava de uma causa(como tudo o que tem início, e uma causa externa a si mesmo). Dessa forma o caminho é “Universo tem início, e o que tem início precisa de uma causa” -> “Deus pode ser a causa para o Universo” ”

    Quanto ao argumento de Kalam em si, eu até concordo que uma coisa com início teria de ter uma causa. Mas porque você de cara já descarta as possibilidades de um universo eterno ou um universo cíclico? Um universo eterno é tão difícil de conceber quanto Deus para mim, mas eu não descarto nenhum dos dois. O universo eterno seria uma sequência eterna de acontecimentos regidos pelos 3 “Deuses” necessários: Tempo, espaço e leis naturais. E o universo cíclico seria auto-explicativo e não precisaria de causa… ele seria a própria causa.

    “É precisamente porque o Universo tem começo que eu digo que o Universo não é eterno.”

    Eu li o texto em inglês que você me recomendou, mas uma coisa ainda não me ficou clara. Eu não consigo ver a relação de causa em coisas simultâneas. Coisas que acontecem simultaneamente são cooperantes para mim. Eu vejo isso na 3° lei de Newton: Quando eu soco a parede, ela me “soca” de volta. Essa ação e a reespectiva reação acontecem simultaneamente. A parede não me “soca” de volta PORQUE eu a soquei antes, e para por aí. A causa de eu tê-la socado, é porque ela me “socou” também. Sem a reação, não dá pra conceber a ação (em uma relação simultânea). Se a parede não tivesse me “socado”, meu punho simplesmente continuaria seu movimento, e nunca teria socado nada. É claro que fui eu que soquei a parede, mas nós só conseguimos determinar isso porque houve um tempo anterior no qual eu planejei e “encaminhei” a ação. Como não teria NADA antes de Deus criar o universo, e eles em teoria seriam simultâneos, concluo que não é possível estabelecer relação de causa-consequência.

    “Não vi o link, sinceramente. A conclusão(“o pensamento de Deus PRECISARIA de ser regido por leis de funcionamento”) é um grande non-sequitur, ou seja, ela não segue as premissas anteriores a si. ”

    O que eu quis dizer quando tentei demonstrar que Deus teria de ser regido por leis é o seguinte:

    -Deus -> vontade de criar o universo -> ação de criar o universo -> universo

    porque teria de ser assim? e não assim:

    -Deus -> ação de criar bananas -> vontade de criar campos de minigolfe -> universo

    Em suma, o que eu quero dizer é que teria de haver leis de funcionamento para que Deus pudesse fazer sentido. Ele até poderia ter criado algumas leis, mas ele sempre teria de ser subordinado à pelo menos uma lei.

    Também estou gostando bastante da discussão.
    Aguardi resposta.
    Abraço.

    Ricardopsicologia

    08/04/2012 at 15:59

    • Quanto ao argumento de Kalam em si, eu até concordo que uma coisa com início teria de ter uma causa. Mas porque você de cara já descarta as possibilidades de um universo eterno ou um universo cíclico?

      Porque as evidências, sejam científicas ou filosóficas, o fazem. Não é como se eu “descartasse logo de início”, mas com os dados que tenho é quase inconcebível um Universo que não teve início ou que seja Cíclico(Big-Bounce é outra teoria já descartada, dado que o Universo está em expansão acelerada).

      Um universo eterno é tão difícil de conceber quanto Deus para mim, mas eu não descarto nenhum dos dois. O universo eterno seria uma sequência eterna de acontecimentos regidos pelos 3 “Deuses” necessários: Tempo, espaço e leis naturais. E o universo cíclico seria auto-explicativo e não precisaria de causa… ele seria a própria causa.

      Como eu disse, não é como se eu descartasse. Há a possibilidade, mas é muito pequena. É algo como dizer “poxa, a Evolução não tem nenhuma prova definitiva. Então não vou usá-la”. Isso seria muita tolice, dadas as enormes comprovações da existência da Evolução, compreende? Da mesma forma, é muita tolice considerar um Universo Eterno quando todas as evidências apontam para um Universo que teve um início.

      Como eu já comentei antes, o Universo Cíclico do Big-Bounce já foi descartado pela Ciência =) Mas, caso fosse verdadeiro, talvez ele não precisasse de causa(o que é muito diferente de ser a causa de si próprio), mas para chegar a essa conclusão teríamos que tentar investigar os Universos anteriores a esse, o que seria um tanto esquisito, pra poder fazer a alegação de que ele de fato é eterno(o Big-Bounce não descarta um início a priori).

      Eu li o texto em inglês que você me recomendou, mas uma coisa ainda não me ficou clara. Eu não consigo ver a relação de causa em coisas simultâneas. Coisas que acontecem simultaneamente são cooperantes para mim.

      Primeiro o mais simples: Coisas simultâneas não precisam ser cooperantes. A Seleção Brasileira pode fazer um gol na Argentina ao mesmo tempo em que um japonês assalta um banco, mas nem por isso eles são cooperantes. Ou seja, coisas simultâneas não indicam cooperação ou mesmo uma relação entre elas duas.

      Agora à relação causa-efeito simultânea. Pense numa explosão. Devido ao oxigênio, é possível haver fogo. Devido à expansão do ar, há o impacto desse ar nos prédios e a condução de calor por convecção. Tire qualquer um dos dois – seja o Oxigênio, ou o ar em volta do local de explosão – e esses efeitos são anulados. Tire as Leis Físicas, e esses efeitos são anulados. Só é possível que esses efeitos ocorram se todas as condições necessárias para ele – ou seja, suas causas – estejam ocorrendo ao mesmo tempo em que o efeito ocorre. Se no momento da explosão não houver Oxigênio, não será possível haver fogo. Ou seja, se o Oxigênio – causa do fogo – não estiver no ambiente de modo simultâneo ao fogo, o efeito(Fogo) NUNCA acontecerá. Causa e efeito são, filosoficamente falando, obrigatoriamente simultâneos. Ainda não consegui pensar em um exemplo no qual eles não o são.

      Eu vejo isso na 3° lei de Newton: Quando eu soco a parede, ela me “soca” de volta. Essa ação e a reespectiva reação acontecem simultaneamente. A parede não me “soca” de volta PORQUE eu a soquei antes, e para por aí. A causa de eu tê-la socado, é porque ela me “socou” também. Sem a reação, não dá pra conceber a ação (em uma relação simultânea).

      Não dá pra aplicar isso à Criação. Se o Universo não estava aí, as Leis de Newton ainda não existiam =) Lembre-se: Não podemos aplicar conceitos do Universo(leis Físicas do Universo) à Criação, pois o Universo não existia e Deus, por estar fora do Universo, não está sujeito a tais leis. Você está incorrendo com certa frequência nesse erro.

      Se a parede não tivesse me “socado”, meu punho simplesmente continuaria seu movimento, e nunca teria socado nada. É claro que fui eu que soquei a parede, mas nós só conseguimos determinar isso porque houve um tempo anterior no qual eu planejei e “encaminhei” a ação. Como não teria NADA antes de Deus criar o universo, e eles em teoria seriam simultâneos, concluo que não é possível estabelecer relação de causa-consequência.

      Esse é o problema: A causa da reação não tem nada a ver com o seu pensamento, mas com o seu soco; Seu exemplo ficou bom. O efeito(reação) da parede sobre sua mão é SIMULTÂNEO à causa(seu soco), e não depois dela. Mais um exemplo de causa e efeito simultâneos. Só pra lembrar de duas coisas que eu comentei acima: (A) Dois acontecimentos simultâneos não precisam estar correlacionados e (B) A Criação não pode, por definição, estar sob influência de Leis do Universo.

      A sua conclusão parte do princípio que a causa vem antes do efeito, o que já expliquei nessa resposta.

      O que eu quis dizer quando tentei demonstrar que Deus teria de ser regido por leis é o seguinte:

      -Deus -> vontade de criar o universo -> ação de criar o universo -> universo

      porque teria de ser assim? e não assim:

      -Deus -> ação de criar bananas -> vontade de criar campos de minigolfe -> universo

      Ninguém disse que TERIA que ser assim. Nós dizemos que FOI assim =D

      Em suma, o que eu quero dizer é que teria de haver leis de funcionamento para que Deus pudesse fazer sentido. Ele até poderia ter criado algumas leis, mas ele sempre teria de ser subordinado à pelo menos uma lei.

      Deus ter optado por uma ordem de eventos não indica que ele foi obrigado por alguma lei a fazê-lo. Se você opta por ir comer uma banana, é porque alguma lei lhe obrigou a isso? Não. Da mesma forma, Deus ter optado por determinado raciocínio não indica que há uma lei que obrigue-o a fazê-lo. E nem indica que a Lei é externa a Deus que, como eu já propus, pode ser a própria fonte de tal Lei.

      Abraço!

      catolicoresp

      08/04/2012 at 17:52


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