catolicoresp

Apenas defendendo minha fé, e cético em relação aos ateus

Archive for dezembro 2011

Técnica: O homem é inocente pelo seu mal

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Cansados de criticar a Igreja e dizer que ela é a  fonte de todo o mal, agora o neo-ateísmo também decidiu atacar o próprio Deus, colocando a culpa de tudo o que ocorre na Terra nas mãos de Deus e, por isso, Deus seria mau. Como isso é feito? Assim:

  • Deus sabia que o homem faria uso de seu livre arbítrio
  • Logo, o homem não tem culpa dos seus erros(pois Deus que nos deu a liberdade de escolha)
  • Portanto, Deus é o culpado de todos os males ocorridos na Terra.
  • Logo, Deus é mau.

Bom, quero começar com a parte final: A existência do mal na Terra não significa que Deus é mau, como já vimos no Paradoxo de Epicuro. Metade da argumentação já foi pro saco… E a outra metade? O homem é ou não culpado pelas suas escolhas?

Ora, pensemos bem… Se eu lhe dou uma faca e lhe digo: Não use-a para matar nenhuma pessoa(ou para qualquer outro tipo de maldade). Você vai lá e o usa para praticar o mal. A culpa é minha? Que tipo de absurdo é esse? Te dei a faca para que você caçasse e não morresse de fome(por exemplo), se você faz um uso ruim da faca que lhe dei, a culpa não é minha. É sua.

Obviamente, nesse caso, eu não sabia que você faria isso, como Deus sabe. Contudo, isso ainda não resolve o problema de que foi você que fez a escolha. Deus te deu a liberdade de escolha e lhe recomendou que a usasse para praticar o bem. Se você não segue a recomendação a culpa é sua, não de Deus.

Mesmo que Deus saiba que nós vamos praticar o mal isso não significa que Ele tenha a obrigação de impedir(conforme explicado no Paradoxo de Epicuro) e muito menos que você não tenha culpa. Afinal, tantos outros possuem a mesma liberdade que você, mas a usam de forma diferente? Tantos outros possuem a mesma liberdade de matar alguém, mas ainda assim não matam? Mesmo que Deus saiba o que essas pessoas escolheriam(ou escolherão), isso não livra elas de ter escolhido. Logo, não as livra da culpa.

Conclusão

Eu sempre tentei entender essa técnica, mas ela nunca fez muito sentido. Parece mais um argumento de gente que quer simplesmente se esquivar da culpa mesmo, e não de gente que realmente acha isso. Não vi sentido nenhum no que é apresentado por essa técnica.

O próprio argumentador que defende ela já explica que ele tem a liberdade de escolha que, de fato, foi dada por Deus. Mas isso não faz com que Deus tenha tomado as escolhas por você. Acho que já consegui explicar o problema do raciocínio a esta altura, então vou finalizar o post por aqui mesmo.

Written by catolicoresp

30/12/2011 at 18:00

Paradoxo de Epicuro ou O Problema do Mal

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Eu pensei em fazer um post(talvez mais de um, dada a relativa complexidade do assunto) sobre o Problema do Mal, mas aí pensei: Oras, se eu for escrever sobre isso vou usar o William Lane Craig pra me ajudar, com toda certeza. Fui atrás de vídeos dele no youtube e descobri que é muito melhor que eu poste dois vídeos dele(que, somados, dão cerca de 15 minutos) que eu escrever tudo aqui em posts longos e que, com certeza, não terão a mesma eficiência que Craig para explicar a solução.

Portanto, hoje vou deixá-los com esses dois vídeos que, inclusive, recomendo que vejam na mesma ordem que estou postando, porque o segundo vídeo não apresenta muito bem o argumento, embora o explique muito bem. É exatamente por isso que coloquei dois vídeos distintos: Para o primeiro, achei que a apresentação do Problema do Mal estava melhor que o do segundo. Contudo, achei a explicação do segundo vídeo mais esclarecedora.

Apenas uns últimos comentários:
No segundo vídeo, eles comentam do debate de Craig e Hitchens… Acho que era o debate do primeiro vídeo, mas não tenho certeza… Se alguém puder confirmar, eu agradeço.

Também é interessante notar que o Craig chama a atenção para a ridicularização que o neo-ateísmo usa para disfarçar alguns pseudo-argumentos, e é importante estar atento a isso e desmascarar todo tipo de fraude que eles cometerem, mesmo que pareça algo de menor importância.

Por último, chamo atenção que o Craig cita o Paradoxo da Pedra de forma indireta(em 1:37 até 1:50, segundo vídeo) como exemplo de coisas impossíveis… Percebam que ele nem se incomoda com o suposto problema, tamanha a falta de credibilidade do argumento.

Written by catolicoresp

29/12/2011 at 18:00

Técnica: O Inferno existe. Logo, Deus é mau.

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Essa técnica é bastante utilizada para questionar a bondade de Deus. Segundo eles, o inferno é ruim e Deus manda pessoas pro Inferno. A conclusão que segue, supostamente, é a de que Deus é mau.

O que acho estranho, a princípio, é que nós chamemos a própria fonte da moralidade(e se Deus existe Ele é a fonte da moralidade) de imoral, mas relevemos isso para a discussão que farei a seguir.

Logo de início, precisaríamos saber como é o Inferno… Coisa que não sabemos. Sabemos que é ruim, sim, mas não sabemos o que exatamente ocorre. O Inferno pode ser a simplesmente deixar de existir… Ou mesmo somente um lugar onde você pode viver com seus pecados, coisa que não é possível no céu.

Ou seja, já de início temos um problema pra dizer que Deus é, efetivamente, mau pelo próprio desconhecimento de como é o inferno… Mas suponhamos o pior: Um lago de fogo no qual só  há sofrimento. Agora nos falta, para definir que Deus é mau, saber os critérios de Deus.

Se nos foi dado o livre arbítrio, temos liberdade de escolha e, justamente por isso, cometemos pecados. Até o final, podemos escolher se preferimos abandonar o pecado e nos unir a Deus ou se preferimos o pecado e não renunciamos a ele. É justamente essa escolha que Deus vê para tomar a decisão: Se escolhemos abandonar o pecado, Ele nos concede o céu. Se nós preferimos o pecado, então Ele nos deixa escolhê-lo e ir para o Inferno.

Como exatamente nos dar a completa liberdade de escolher o que queremos é maldade? Não é Deus que nos manda ao Inferno, mas nós mesmos escolhemos nosso destino.  Para não nos obrigar a seguí-lo, Deus nos deixa escolher entre abandonar ou não o pecado, e a escolha cabe a nós. No fim das contas, não é Deus que nos condena, mas nós mesmos. Ao contrário, Deus apenas nos salva, pois nossos pecados não nos deixariam ir ao Paraíso com Ele, mas sua misericórdia permite que Ele nos purifique do pecado para que possamos fazê-lo.

Objeção: Deus poderia não ter criado aqueles que iriam ao Inferno

A princípio, parece uma boa ideia, mas na prática não é. Pensem comigo: O livre arbítrio é a liberdade de escolher entre o bem e o mal… Se Deus elimina as pessoas que escolhem o mal, mesmo que só em uma circunstância, como elas iriam escolher? Dessa forma, seria o mesmo que só dar opção de ir ao céu, ou seja, as pessoas criadas não teriam verdadeiramente o livre arbítrio, pois desde o princípio não haveria dúvidas de que elas obrigatoriamente iriam para o céu, ou então elas nem existiriam.

De fato, elas manteriam a liberdade de escolher entre o bem e o mal na Terra e depois se arrepender, mas elas não poderiam escolher o pecado ao invés de Deus. Ou seja, uma parte do livre-arbítrio não existiria, pois ela não teria como escolher entre céu e inferno, já que qualquer um que fosse escolher o inferno não viria a existir. Se Deus queria o livre arbítrio, não poderia não criar as pessoas que iriam ao  Inferno.

Conclusão:

A crítica até faria sentido, se a nossa condenação fosse uma escolha de Deus. Deus quer salvar todos nós e exatamente por isso Cristo pagou os nossos pecados na cruz. Ele nos dá a liberdade de escolha. Quem preferir o pecado, pode ficar com ele. Quem preferir a Deus, irá com Ele. Felizmente, não entramos no céu por nossos méritos – pois se fôssemos medir nossos méritos não entraríamos -, mas pela misericórdia de Deus que nos purifica do pecado para que possamos ser salvos.

Ou seja, a condenação é feita por nós mesmos, que não queremos ser perdoados. Contudo, a Salvação só ocorre por meio de Deus.

E o pedido de não criar as pessoas que iriam ao inferno para evitar o seu sofrimento não faz sentido, pois seria o mesmo que acabar com o livre-arbítrio. Tal como na imagem no início do post, uma das portas seria fechada… Como você teria escolha entre elas?

Written by catolicoresp

26/12/2011 at 19:00

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Falácias mais usadas por neo-ateus

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Queria, neste post, apenas comentar as falácias que são mais frequentemente utilizadas pelo neo-ateísmo ao tentar refutar os argumentos teístas ou mesmo para argumentar contra religiões. Vamos então às 4 falácias que, na minha experiência, são as mais utilizadas pelo neo-ateísmo.

Falácia Genética

A falácia Genética é caracterizada pela crítica de algo por causa de sua origem. A forma mais comum de sua utilização por parte dos neo-ateus é dizer coisas do tipo:

  • Deus foi criado para explicar coisas que a Ciência não explicava na época. Logo, Deus não existe.
  • O ser humano criou Deus para se sentir mais seguro. Logo, Deus não existe.

É basicamente isso: Se explica a origem da crença e diz que, por isso, ela é falsa. Usando-a contra os neo-ateus:

  • O ateísmo surgiu porque havia pessoas revoltadas com o mundo e queriam por a culpa em Deus. Logo, o ateísmo é falso

Naturalmente, além de eu questionar a minha própria justificativa da origem do ateísmo, é óbvio que a origem do ateísmo que eu sugeri não faz com que o ateísmo seja falso. Da mesma forma, as origens propostas pelos neo-ateus para explicar a religião não fazem com que as religiões sejam falsas.

Falácia do Aumento Indevido

Essa é curiosa, já que usa de generalização. Usa-se, por exemplo, um fato histórico de algo para dizer que esse algo tem as mesmas características que esse fato histórico. O  neo-ateísta vai dizer coisas desse tipo:

  • A Inquisição foi má. Logo, a Igreja é absolutamente má.
  • As Cruzadas foram más. Logo, a Igreja é absolutamente má.

Eu vou, primeiramente, ignorar a visão simplista da história realizada por esse raciocínio, mas não posso deixar de fazer uma analogia para mostrar o grande problema que esse raciocínio encerra:

  • A caridade é boa. A Igreja pratica e praticou a caridade. Logo a Igreja é absolutamente boa.
  • O amor é bom. A Igreja prega o amor. Logo, a Igreja é absolutamente boa.

Juntamos os dois raciocínios que se utilizam da falácia do Aumento Indevido e chegamos à seguinte conclusão:

  • A Igreja é absolutamente boa E absolutamente má.

É bastante fácil de perceber que essa sentença não pode ser verdadeira. Se os dois pensamentos usam a mesma base, só se pode pensar que são falsos.

Falácia Non Sequitur(não segue)

Essa falácia é caracterizada quando a conclusão não segue as premissas. Por exemplo:

  • O padre “x” é mau. Logo, Deus não existe.
  • A Igreja Católica é má. Logo, Deus não existe.

Além de, naturalmente, eu questionar a premissa do segundo exemplo, mesmo que ele fosse verdadeiro a conclusão sobre a existência de Deus independe das qualidades ou defeitos da Igreja. Usando um raciocínio análogo:

  • O padre “y” é bom. Logo, Deus existe.

Preferi não colocar a premissa de que a Igreja Católica é boa pra ninguém vir aqui dar chilique sobre isso e mudar o foco do post nos comentários. Mas, também é bastante claro que a qualidade do padre “y” não afeta a existência de Deus. Se Deus existe, é independentemente da qualidade do padre “y”. E se Deus inexiste, também é independente da qualidade do padre “y”. Até porque se juntarmos as conclusões, veremos o seguinte:

  • Deus existe e Deus não existe.

Isso é possível? É claro que não. Ou Deus existe, ou Deus não existe.

Falácia da Petição de Princípio

Esta é, a meu ver, a mais difícil. Não por causa de sua definição, mas por ser difícil de perceber que ela está sendo utilizada. A definição é simples: Questiona-se determinado raciocínio porque nele está sendo utilizada um princípio que não foi argumentado, que simplesmente foi tomado como verdade. Um exemplo da utilização da Petição de Princípio é o Paradoxo da Pedra, que assume em seu enunciado que Deus tem uma limitação de força(para que haja alguma pedra que Ele não possa levantar), ou seja, assume que Deus não é Onipotente, para depois chegar à conclusão de que Deus não é Onipotente(justamente por causa da Petição de Princípio oculta em seu enunciado).

Assim é possível perceber que a Petição de Princípio, das falácias aqui comentadas, é a mais difícil de perceber que está lá, pois fica oculta nos enunciados.

Conclusão:

Apenas para mostrar como é possível aplicar várias dessas falácias em um único raciocínio, vou apresentar uma linha de pensamento repleta dessas falácias.

  1. A Inquisição foi má
  2. Logo, a Igreja é má.
  3. Portanto, Deus não existe.

Para ir de 1 para 2, foi utilizada a falácia do aumento indevido. De 2 para 3, a falácia Non Sequitur. No exemplo acima, temos também a Petição de Princípio, já que não houve suporte algum que sustentasse a Premissa 1. A Inquisição é má,  nesse raciocínio, porque eu quis assim. Eu não mostrei o mal da inquisição, eu decidi a priori(anteriormente) que a inquisição é má.

Written by catolicoresp

23/12/2011 at 19:30

Aborto e as incoerentes razões para legalizá-lo

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Chegou em minhas mãos um texto com 10 razões para que o aborto fosse legalizado. Interessado, fui lê-lo e, como era de se esperar, as razões apresentam inúmeras incoerências. Mas antes mesmo de tratar das incoerências do motivo, temos de tratar da incoerência dos próprios autores e aqueles que acabam por apoiar o texto(como as “católicas pelo direito de decidir”) e para isso basta ver a fonte.

Em primeiro lugar, falo aqui sobre as “católicas pelo direito de decidir”… Essas “católicas” são a favor do aborto. Contudo, elas erram em algo básico: O Catolicismo não é uma democracia. Não há como haver um “católico a favor da liberação sexual” que defenda o sexo antes do casamento, ou você defende a liberação sexual, ou então é católico. Os dois ao mesmo tempo é impossível. Da mesma forma, ou você defende o aborto, ou é católico. Não é possível ser ambos. Sinto muito, mas se você é a favor do aborto você não é católico. Eu não disse que você não acredita em Deus, é bom lembrar que é possível ser Teísta e não ser católico(ou mesmo ser Teísta e não ser Cristão).

Agora vamos ao blog de onde tiro o texto: “Sapataria, coletivo de mulheres lésbicas e bissexuais do DF”. Eu até entendo que as bissexuais tenham algum problema com o aborto, mas é complicado conceber uma lésbica grávida(tirando o caso de estupro, logicamente), então esse blog é realmente esquisito para que se apareça um texto a favor da legalização do aborto. A não ser, obviamente, que o problema deles seja ideológico(e não verdadeiramente sexual, conforme sugere o nome do blog) e o objetivo seja derrubar a Igreja(ou as religiões, em alguns casos) .

Finalizado os primeiros comentários, podemos comentar os motivos….

Se te disseram que legalizar o aborto vai fazer todas as mulheres “saírem abortando” bebês de até 9 meses todos os dias em hospitais públicos e fazendo com que o números de abortos aumente drasticamente gerando um caos social, você foi enganad@ porque:

Começou bem, dizendo o óbvio: Se isso acontecesse, os países onde o aborto foi legalizado estariam fadados à completa falta de crianças(pois todas as mulheres iriam abortar) e, no final das contas, a vida desses países seriam extintas. Começou bem, também, porque a própria introdução do texto vem com uma contradição com o título. O título informa as 10 razões para que o aborto seja legalizado, mas a introdução do texto trata esses 10 motivos como justificativas de que a alegação(claramente errada) de que todas as mulheres vão abortar é falsa.

Ou seja, no título propõe que os 10 motivos são usados para uma finalidade, e a introdução propõe que são usadas para outra. Nem eles sabem exatamente porque estão escrevendo!

Motivo 1

1) Os números já são drásticos: aproximadamente mil mulheres morrem por ano ao realizarem abortos na clandestinidade. Fora essas, estima-se que 2 milhões de abortos clandestinos são realizados por ano. Essa soma é apenas aproximada porque é ilegal. Se o aborto fosse legalizado, o governo teria oficialmente o número de abortamentos, poderia controlá- los e saberia onde tem mais ou menos abortos para tentar diminuir este número. Se o aborto é crime não se tem controle, o número de abortos não diminui, mais mulheres morrem, mais pessoas são presas e o governo não pode fazer nada para mudar isso.

Começou dando alguns números, e lembrou que são aproximados pois o aborto é ilegal. Aí começa a barbaridade:  “Se o aborto fosse legalizado, o governo teria oficialmente o número de abortamentos, poderia controlá- los e saberia onde tem mais ou menos abortos para tentar diminuir este número.”

Espere um momento… Se o aborto fosse legalizado, como diabos ele seria controlado pelo governo? A única forma do governo controlar essa prática é justamente impedindo que haja o aborto, pois se o aborto for legalizado o governo não vai poder controlá-lo. Embora o restante seja verdade, o principal atrativo para a legalização do aborto(que é controlar o aborto) não é ajudado em nada se o aborto for legalizado.

Continuando, mandam outra: “Se o aborto é crime não se tem controle, o número de abortos não diminui, mais mulheres morrem, mais pessoas são presas e o governo não pode fazer nada para mudar isso.”

Espera… O governo não pode fazer nada, sério? Fazendo uma analogia, vamos considerar o estupro: Alguns estupradores são mortos quando tentam estuprar uma pessoa. Dessa forma, se o governo legalizar o estupro e proteger o estuprador, menos estupradores morrem. Contudo, se o estupro é ilegal, o governo não poderá ajudar os estupradores e mais pessoas serão mortas e presas. Dessa forma, é melhor que o estupro seja legalizado, porque “Se o estupro é crime, não se tem controle, o número de estupros não diminui, mais estupradores morrem, mais pessoas são presas e o governo não pode fazer nada para mudar isso”(reparem que mudei poucas palavras. A base do texto é a mesma). Fez sentido pra você? Pois é, pra mim também não. 1º motivo totalmente incoerente.

Motivo 2:

2) Em todos os países ocidentais em que o aborto foi legalizado há anos, observa-se cada vez mais uma diminuição do número de abortos. Quando se legaliza, fala-se mais sobre o assunto aumentando a informação para poder evitar.

Em primeiro lugar, me pergunto porque eles fizeram questão de colocar “ocidentais” no enunciado.

Em segundo lugar, me pergunto porque não foi apresentada sequer uma estatística que comprove isso.

Em terceiro lugar, é bastante claro que há uma diminuição da taxa de aborto, já que a taxa de fecundidade também é cada vez menor(menos grávidas, menos abortos). Se eles dizem que há uma relação entre os dois, precisam provar essa relação e mostrar como tal relação ocorre. Coisa que eles não fizeram.

Em quarto lugar, a famosa falácia Non Sequitur(não segue). O autor(a) do texto manda que, quando se legaliza, fala-se mais sobre o assunto. Me pergunto de onde ele tirou essa informação, porque não entendi. E, pra finalizar, ele ainda diz que comentando mais sobre o assunto, fica mais fácil de evitar, o que também é naturalmente uma mentira. Posso falar sobre roubo todos os dias com meus amigos, e isso não precisa diminuir o roubo. Na verdade, isso pode até aumentar, se eu tiver planejando com eles o roubo. Da mesma forma, falar mais sobre o aborto pode também aumentar o número de pessoas que irão abortar. Não é porque algo virou assunto que esse algo vai ser evitado.

Motivo 3:

3) Em quase nenhum país ocidental em que o aborto é legalizado, ele pode ser feito após 3 meses de gestação. Portanto, essas fotos que mostram abortamentos de bebês grandes e formados são enganadoras. Não será permitido aborto após 3 meses de gestação!

Em primeiro lugar, quase nenhum não é o mesmo que nenhum. Dessa forma, não são fotos nem  um pouco enganadoras porque esses abortos ocorrem em alguns países. Além disso, o aborto não se torna menos assassinato por causa do tempo de gestação(vejam este post).

Motivo 4:

4) As clínicas clandestinas lucram muito no comércio ilegal de abortamentos, que é sustentado por pessoas ricas que fazem o aborto num dia e saem no outro sem problemas e ainda dizendo publicamente que são a favor da vida. O problema fica com as mais pobres, na maioria negras. Criminalização aumenta a hipocrisia e os bolsos de muita gente.

Vamos fazer uma analogia? Apenas  mudando poucas palavras(em negrito):

Os traficantes lucram muito no tráfico ilegal de drogas, que é sustentado por pessoas ricas que fazem o Uso da droga num dia e saem no outro sem problemas e ainda dizendo publicamente que são contra as drogas. O problema fica com os mais pobres, na maioria negros. Criminalização aumenta a hipocrisia e os bolsos de muita gente[os traficantes].

Logo, legalizem o tráfico de drogas. Pareceu loucura pra você? Pra mim também… E ainda estou me perguntando porque diabos o(a) escritor(a) desse troço ainda mandou “na maioria negras”, como se fizesse diferença a morte de uma mulher branca ou de uma mulher negra.

Motivo 5:

5) Se o aborto for legalizado nenhuma mulher será obrigada a abortar. Quem é contra poderá manter sua opinião.

UFA! Achei que iriam obrigar as mulheres a abortar se legalizassem o aborto. E achei que iam me proibir de ter opinião própria. Que povo gente boa, né? Eles não vão obrigar ninguém a abortar e nem proibir as pessoas de pensar! Haja besteira… Eu ainda estou me perguntando como isso é um argumento a favor do aborto… Porque? Oras, denovo analogia:

“Se o estupro for legalizado, ninguém será obrigado a estuprar. Quem é contra o estupro poderá manter sua opinião.”… Cada uma!

Motivo 6:

6) Legalizar o aborto não é incentivar o aborto. Junto com a legalização, o Estado vai reforçar campanhas de educação sexual, direitos sexuais e reprodutivos, aumentar o acesso de mulheres e homens para os métodos contraceptivos, como também aos métodos de uma gravidez saudável. Abortar não é algo prazeroso, mas se alguma mulher precisar fazer, que ela não seja presa e tenha assistência para isso.

“Legalizar o aborto não é incentivar o aborto”. Legalizar o roubo não é incentivar o roubo, também. Mais uma vez uma mentira.

“Junto com a legalização, o Estado vai reforçar campanhas de educação sexual, direitos sexuais e reprodutivos, aumentar o acesso de mulheres e homens para os métodos contraceptivos, como também aos métodos de uma gravidez saudável.”. Até porque o Estado não pode fazer tudo isso sem legalizar o aborto, não é? Mais uma vez, a legalização do aborto não tem nada a ver com o que eles propuseram. O governo pode muito bem fazer essas medidas sem legalizar o aborto(seria até mais eficiente para diminuir o número de abortos).

“Abortar não é algo prazeroso, mas se alguma mulher precisar fazer, que ela não seja presa e tenha assistência para isso.”. O resumo, então, dessa frase é: Legalizem o aborto para que a mulher não seja presa por abortar. Mais uma analogia? Então vai: “Matar não é algo prazeroso, mas se alguma mulher precisar fazer, que ela não seja presa e tenha assistência para isso”. Maravilha, né não?

Motivo 7:

7) Se você pensa que a legalização do aborto vai encher os hospitais de milhares de mulheres querendo abortar, não sobrando espaço para as que querem dar à luz, isso é mentira. Os hospitais já estão cheios e gastando com mulheres que abortaram na clandestinidade e quase morreram por causa disso. Isso sai muito mais caro para os hospitais.

“Se você pensa que a legalização do aborto vai encher os hospitais de milhares de mulheres querendo abortar, não sobrando espaço para as que querem dar à luz, isso é mentira”… Como é mentira?! Então as mulheres que desejam abortar não vão para os hospitais? Não estou dizendo que não vai sobrar espaço para as que querem dar a luz(até porque são procedimentos distintos), mas que vão ter mulheres que desejam abortar nos hospitais terão. Isso é óbvio. Só alguém muito cara de pau tenta negar isso.

“Os hospitais já estão cheios e gastando com mulheres que abortaram na clandestinidade e quase morreram por causa disso.”. Porque, então, não combatem o aborto clandestino? Esse povo acha que o SUS é uma maravilha e tem espaço pra todo mundo entrar quando bem entender… E espere… Com o aborto clandestino, os hospitais já estão cheios de mulheres que abortaram. Imagine com o aborto legalizado… No início desse mesmo motivo eles disseram que isso não aumentará o número de pessoas querendo abortar nos hospitais, para se desmentirem logo em seguida. Quanta incoerência!

“Isso sai muito mais caro para os hospitais.”. Porque todos sabemos que o aborto é um procedimento gratuito… Mais uma vez, nada de números…

Motivo 8:

8) Se você pensa que com a legalização do aborto, você mata 1 vida, com a criminalização do aborto você mata mais vidas: a do feto e a de milhares de mães que morrem tentando o processo de abortamento.

Esperem só… Deixa eu ver se entendi o que elas escreveram…

“Se você pensa que com a legalização do aborto, você mata 1 vida”, ou seja, a mulher aborta e morre só o feto.

“com a criminalização do aborto você mata mais vidas: a do feto e a de milhares de mães que morrem tentando o processo de abortamento.”, ou seja, UM feto mata MILHARES de mães. A cada aborto ilegal, milhares de mães morrem instantaneamente, segundo a redação desse pessoal. Coisa de gente maluca. Já respondi isso anteriormente nesse mesmo post: Combata o aborto clandestino, oras.

Motivo 9:

9) A legalização não defende que abortar é bom. Se você pensa que abortar é ruim, abortar na clandestinidade, ser presa ou até morrer é muito pior.

Quem está dizendo isso é você, minha cara. Porque eu devo acreditar? Mas vamos fazer uma outra analogia?

“A legalização não defende que roubar é bom. Se você pensa que roubar é ruim, roubar na clandestinidade, ser presa ou até morrer é muito pior.”

Logo, legalizemos o roubo!

Motivo 10:

10) Ser contra o aborto é decidir por você. Ser contra a legalização do aborto é decidir por todas. Ser contra o aborto é não achar certo fazer um aborto. Ser contra a legalização do aborto é ser a favor da morte de milhares de mulheres.

Mais um Non Sequitur bizarro. Ser contra a legalização do aborto é ser contra a legalização do aborto, não é ser a favor da morte de milhares de mulheres. Se eu sou contra o roubo, isso não significa que sou a favor da morte dos milhares de ladrões que morrem ao tentar assaltar uma casa, por exemplo.

Além disso, a redação deles trouxe mais uma coisa óbvia para nós: “Ser contra o aborto não é achar certo fazer um aborto”. Não mesmo, ser contra x não é achar certo fazer x.(sendo “x” qualquer coisa!). Pra finalizar, não podemos deixar de fazer a última analogia, não é?

Ser contra o roubo é decidir por você. Ser contra a legalização do roubo é decidir por todas. Ser contra o roubo é não achar certo roubar. Ser contra a legalização do roubo é ser a favor da morte de milhares de ladrões.

E aí, vamos legalizar o roubo, o estupro e o assassinato também? Com esses motivos conseguimos legalizar todos eles.

Conclusão:

O texto não faz o mínimo sentido e nenhuma das razões oferece um bom motivo para que se legalize o aborto, esse pessoal falha ao mínimo olhar de um observador mais atento. Cheio de mentirinhas e truques, eles criam argumentos incoerentes para legalizar o que querem. Essa agendinha de luta contra a Religião precisa ser combatida e desmascarada. Conto com vocês.

Written by catolicoresp

16/12/2011 at 13:48

Voltando à ativa

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Estou voltando, pessoal! De fato, fiquei um tempinho fora apenas administrando as coisas sem postar nada, mas está chegando a hora de voltar.

Em primeiro lugar, peço não deixem de daropiniões sobre os posts que já escrevi, apontando minhas falhas para que eu possa melhorar(se possível, dizer também como posso melhorar) e os meus pontos fortes, para que eu me esforce para mantê-los. Mas mais importante que isso, preciso da sugestão de temas para os posts que virão, tanto para que eu consiga mais inspiração na hora de escrever – coisa que está me faltando -, tanto para tornar o blog mais interessante para vocês e outros leitores.

Não deixem de divulgar o trabalho tanto meu quanto de outros blogs que defendem o Teísmo e o Catolicismo no facebook e twitter para que possamos ter mais eficiência no combate ao neo-ateísmo e, também, ter mais pessoas seguindo os blogs e, consequentemente, as informações são passadas a mais pessoas e mais sugestões serão dadas.

Em resumo:

  • Deixem suas sugestões de temas;
  • Deixem suas críticas aos meus posts, tanto positivas, tanto negativas(desde que sejam construtivas, obviamente);
  • Divulguem este e outros blogs que defendem o Teísmo nas redes sociais

Além dos pedidos acima, quero agradecer àqueles que, mesmo durante a minha ausência, continuaram visitando o blog, relendo antigos posts ou mesmo apenas observando se eu não havia feito atualizações.

Bom, é isso pessoal e espero que gostem do trabalho que continuarei fazendo e do que já fiz por aqui.

Written by catolicoresp

15/12/2011 at 20:00

Publicado em Outros