catolicoresp

Apenas defendendo minha fé, e cético em relação aos ateus

Falácias mais usadas por neo-ateus

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Queria, neste post, apenas comentar as falácias que são mais frequentemente utilizadas pelo neo-ateísmo ao tentar refutar os argumentos teístas ou mesmo para argumentar contra religiões. Vamos então às 4 falácias que, na minha experiência, são as mais utilizadas pelo neo-ateísmo.

Falácia Genética

A falácia Genética é caracterizada pela crítica de algo por causa de sua origem. A forma mais comum de sua utilização por parte dos neo-ateus é dizer coisas do tipo:

  • Deus foi criado para explicar coisas que a Ciência não explicava na época. Logo, Deus não existe.
  • O ser humano criou Deus para se sentir mais seguro. Logo, Deus não existe.

É basicamente isso: Se explica a origem da crença e diz que, por isso, ela é falsa. Usando-a contra os neo-ateus:

  • O ateísmo surgiu porque havia pessoas revoltadas com o mundo e queriam por a culpa em Deus. Logo, o ateísmo é falso

Naturalmente, além de eu questionar a minha própria justificativa da origem do ateísmo, é óbvio que a origem do ateísmo que eu sugeri não faz com que o ateísmo seja falso. Da mesma forma, as origens propostas pelos neo-ateus para explicar a religião não fazem com que as religiões sejam falsas.

Falácia do Aumento Indevido

Essa é curiosa, já que usa de generalização. Usa-se, por exemplo, um fato histórico de algo para dizer que esse algo tem as mesmas características que esse fato histórico. O  neo-ateísta vai dizer coisas desse tipo:

  • A Inquisição foi má. Logo, a Igreja é absolutamente má.
  • As Cruzadas foram más. Logo, a Igreja é absolutamente má.

Eu vou, primeiramente, ignorar a visão simplista da história realizada por esse raciocínio, mas não posso deixar de fazer uma analogia para mostrar o grande problema que esse raciocínio encerra:

  • A caridade é boa. A Igreja pratica e praticou a caridade. Logo a Igreja é absolutamente boa.
  • O amor é bom. A Igreja prega o amor. Logo, a Igreja é absolutamente boa.

Juntamos os dois raciocínios que se utilizam da falácia do Aumento Indevido e chegamos à seguinte conclusão:

  • A Igreja é absolutamente boa E absolutamente má.

É bastante fácil de perceber que essa sentença não pode ser verdadeira. Se os dois pensamentos usam a mesma base, só se pode pensar que são falsos.

Falácia Non Sequitur(não segue)

Essa falácia é caracterizada quando a conclusão não segue as premissas. Por exemplo:

  • O padre “x” é mau. Logo, Deus não existe.
  • A Igreja Católica é má. Logo, Deus não existe.

Além de, naturalmente, eu questionar a premissa do segundo exemplo, mesmo que ele fosse verdadeiro a conclusão sobre a existência de Deus independe das qualidades ou defeitos da Igreja. Usando um raciocínio análogo:

  • O padre “y” é bom. Logo, Deus existe.

Preferi não colocar a premissa de que a Igreja Católica é boa pra ninguém vir aqui dar chilique sobre isso e mudar o foco do post nos comentários. Mas, também é bastante claro que a qualidade do padre “y” não afeta a existência de Deus. Se Deus existe, é independentemente da qualidade do padre “y”. E se Deus inexiste, também é independente da qualidade do padre “y”. Até porque se juntarmos as conclusões, veremos o seguinte:

  • Deus existe e Deus não existe.

Isso é possível? É claro que não. Ou Deus existe, ou Deus não existe.

Falácia da Petição de Princípio

Esta é, a meu ver, a mais difícil. Não por causa de sua definição, mas por ser difícil de perceber que ela está sendo utilizada. A definição é simples: Questiona-se determinado raciocínio porque nele está sendo utilizada um princípio que não foi argumentado, que simplesmente foi tomado como verdade. Um exemplo da utilização da Petição de Princípio é o Paradoxo da Pedra, que assume em seu enunciado que Deus tem uma limitação de força(para que haja alguma pedra que Ele não possa levantar), ou seja, assume que Deus não é Onipotente, para depois chegar à conclusão de que Deus não é Onipotente(justamente por causa da Petição de Princípio oculta em seu enunciado).

Assim é possível perceber que a Petição de Princípio, das falácias aqui comentadas, é a mais difícil de perceber que está lá, pois fica oculta nos enunciados.

Conclusão:

Apenas para mostrar como é possível aplicar várias dessas falácias em um único raciocínio, vou apresentar uma linha de pensamento repleta dessas falácias.

  1. A Inquisição foi má
  2. Logo, a Igreja é má.
  3. Portanto, Deus não existe.

Para ir de 1 para 2, foi utilizada a falácia do aumento indevido. De 2 para 3, a falácia Non Sequitur. No exemplo acima, temos também a Petição de Princípio, já que não houve suporte algum que sustentasse a Premissa 1. A Inquisição é má,  nesse raciocínio, porque eu quis assim. Eu não mostrei o mal da inquisição, eu decidi a priori(anteriormente) que a inquisição é má.

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Written by catolicoresp

23/12/2011 às 19:30

5 Respostas

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  1. Boa noite. Em primeiro lugar gostaria de desejar um feliz e santo Natal para o moderador ou moderadores desse blog que considero um veículo maravilhoso de esclarecimento para as pessoas e, por conseguinte, de muito auxílio para que elas fiquem aliviadas em relação às suas dúvidas e mais leves para alcançar a verdadeira felicidade, de acordo com minha visão de mundo. Após, aproveitando esse tópico sobre as falácias dos ateus, gostaria de acrescentar mais um argumento que os ateus utilizam para justificar a não existência de Deus. Talvez esse argumento já tenha sido explicado nesse blog. Se o foi, peço desculpas mas, procurei entre os tópicos e não consegui encontrar. No entanto, como não consegui ler todos os textos, talvez esse ponto esteja aqui em algum lugar. De qualquer forma, vale a pena revê-lo. É a questão da causa primordial, ou seja, os que acreditam em Deus, dizem que a causa, origem e fonte de tudo está em Deus. E os ateus retrucam: mas, qual é a causa de Deus? qual a Sua origem? de onde veio Deus? isso, em minha adolescência, atormentou durante um tempo minha mente e creio que milhares de pessoas já devem ter pensado isso pois são próprios da natureza humana a dúvida e o questionamento mesmo nas pessoas que têm muita fé. A doutrina católica diz que Deus é eterno, que ele não teve princípio ou origem, sempre existiu. Só que a razão humana não pode abarcar esse entendimento. Como algo pode existir sem ter tido uma origem?
    Quero dizer, como já deve ter ficado claro pra quem me lê, que esse tipo de questionamento não me atormenta mais há muitos anos, minha mente está tranquila quanto a isso e minha fé em Deus cada vez mais forte e inabalável. Simplesmente cheguei a conclusão que pela lógica, pela pura razão humana, alguma coisa teve que ser o princípio de tudo e não ter tido origem. Pois se esse algo teve uma origem, aquilo que o originou é que foi o princípio. O outro fato já muito debatido aqui é que, mesmo a razão humana não podendo entender como Deus pode não ter tido origem e sempre ter existido, não dá para conceber a criação do universo, dos organismos humanos, animais, vegetais, minerais, da natureza como um todo com todas as suas leis físicas precisas sem a participação de uma inteligência superior criadora e organizadora. Portanto, para mim, a existência de Deus é fato. Entendo que esse blog não coloca isso como certeza absoluta para ser democrático e abrir uma brecha para o debate, o que está muito correto. Mas essa não é a minha função, portanto, eu professo minha fé como certeza e não debato o que considero óbvio, especialmente com quem não quer ouvir, pois seria perda de tempo. Mas, como esse blog tem a função de esclarecer, considerei importante colocar esse tópico aqui. Lembrei dele hoje ao ler em uma livraria trechos do tratado ateu do célebre filósofo Bertrand Russell “Porquê não sou cristão” em que existem muitas das questões propostas por ateus e já refutadas. A da causa primordial esta lá veementemente sustentada por ele como justificativa para o ateísmo. Existem outras que foram discutidas aqui e algumas que creio devem ser debatidas nesse espaço. Lerei o livro todo e o que não encontrar nesse blog, colocarei.

    Forte abraço e as bençãos de Deus para todos!

    Fabrizio Lyra

    24/12/2011 at 22:18

    • Boa tarde(no meu caso)! Também te desejo um feliz e santo Natal e um excelente ano que está por vir!

      Não há necessidade de pedir desculpas por apresentar algo que talvez eu já tenha explicado; Eu lhe agradeço que traga mais informações pois, mesmo que sejam repetidas, elas podem trazer novas perspectivas e novas refutações, que são muito úteis =)
      O tema que você trouxe ainda não foi tratado no blog(e espero tratá-lo algum dia) e, de fato, esse questionamento(De onde veio Deus?) pode se tornar, a princípio, bastante perturbador.

      Peço que traga mesmo novos temas a serem tratados, pois são de muita ajuda na continuação do blog. Já adicionei esse post sobre a origem de Deus na minha lista de posts a serem feitos.

      Um grande abraço! Obrigado pela participação e auxílio!

      catolicoresp

      25/12/2011 at 16:30

      • Muito obrigado. Fico feliz por ter prestado alguma contribuição ao seu trabalho e ao de outros espaços que estão abordando a mesma temática com tanta lucidez, estudo sério e, principalmente, muita educação e elegância (algo que muitos ateus não tem. Isso me leva a sugestão de outro post: a afirmação que Hitchens fez sobre a superioridade moral dos ateus. Não li o que ele escreveu sobre isso, apenas comentários na imprensa, mas sei que muitos ateus usam também esse argumento: o de que os atos de bondade dos cristãos se devem ao temor inculcado pela religião, diferente dos ateus que teriam amor e generosidade por vontade própria). Voltando a questão da grosseria que vejo nas respostas de muitos posts aos temas tratados por você e outros criadores de blogs com essa mesma temática: vocês estudam muito, falam com muita profundidade, lucidez e, principalmente, oferecem completa clareza de raciocínio o que resulta em ótima didática. Fui professor e sei o que é didática. Muitas pessoas respondem sem procurar estudar, conferir as suas argumentações e utilizando um tom de onde se origina a questão que quero tratar: a FALTA DE RESPEITO, DESELEGÂNCIA, GROSSERIA E DEBOCHE com o qual respondem. Coloquei em caixa alta os elementos que quero criticar propositalmente porque creio que esses temas devem ser tratados. Minha intenção não é modificar o comportamento das pessoas que agem assim. Claro que quero a mudança delas nesse sentido pois devemos querer o melhor uns para os outros mas sei que, em se tratando de diversas pessoas, isso é difícil e leva tempo. Outra lição que o Senhor nos ensina é a da paciência. Mas creio também ser um tema de reflexão e, principalmente, de crítica e, talvez mesmo, de denúncia apesar dessa palavra parecer um pouco forte. Mas creio ser esse o caso mesmo. Os indivíduos podem discordar. Porém, vamos trazer de volta a velha prática da elegância e de se expressar bem. E, nesse aspecto, trago justamente o exemplo dos grandes intelectuais céticos do passado como Bertrand Russell, Sartre e Voltaire. Podemos e devemos ser enérgicos quando necessário mas sem perdermos a civilidade. As pessoas podem não se modificar agora mas qualquer esforço que fizermos para plantar uma pequena semente que sirva às futuras gerações já será válido.

        Forte abraço e um excelente 2012!

        Fabrizio Lyra

        25/12/2011 at 17:58

      • Também acho interessante esse tema da “bondade ateísta” do Hitchens(mais um tema a ser abordado! Obrigado novamente), principalmente porque pro Ateísmo “bondade” não faz o mínimo sentido.

        Eu realmente agradeço os elogios, são definitivamente uma forma de motivação a continuar, já que só de saber que consigo me fazer entender já me faz querer escrever mais. Você citou que muitos respondem sem estudar e, eu diria até que a MAIORIA responde sem estudar e parte pra apelação(“Ah, não tenho imaginação suficiente pra crer em Deus!”, isso me faria rir se não fosse tão sério).

        A paciência eu aprendi “na marra”, eu realmente não tinha(e acho que ainda tenho pouca), principalmente porque odeio gente burra e gente que não estuda antes de falar(tem gente que parece que GOSTA de falar besteira…. hehe)

        Espero que consigamos explicar nosso ponto… Uma só pessoa que nos entenda já é um ganho excelente =)
        Abraço!

        catolicoresp

        25/12/2011 at 18:07

  2. […] problema é que o neo-ateu assume a priori que Deus não teve motivo algum o que é, obviamente, a Falácia da Petição de Princípio. Naturalmente, eles não irão desistir tão facilmente, e irão te exigir algum motivo para que […]


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