catolicoresp

Apenas defendendo minha fé, e cético em relação aos ateus

Archive for janeiro 2012

Análise de texto: Refutação de alguns argumentos a favor da existência de Deus – Argumento Ontológico e Revelação

with one comment

Ir para [Texto na íntegra] – [Textos analisados] – [Página Inicial]

Outro dois em um!

Argumento Ontológico

Apresentação do argumento por Dan Baker:

“Deus é um ser tal que nenhum ser maior pode ser concebido. Se deus na realidade não existe, então é possível concebê-lo como maior do que é. Portanto, Deus existe.”

Embora eu ache que ficou um pouco resumido demais, serve como parâmetro.

Há dezenas de variantes do argumento ontológico, mas S. Anselmo foi o primeiro a articulá-lo deste modo. A falha neste raciocínio é tratar a existência como um atributo. A existência é um dado adquirido.

Por acaso a existência não é um atributo? Ou um “dado adquirido” também não é um atributo? Acaso a minha existência não é um atributo do meu ser? Que coisa bizarra de se dizer, Dan Baker! Até onde me consta, a existência é, sim, um atributo que pode até ser modificado. Exemplo: Não existem mais mamutes. Agora os mamutes não possuem o atributo da existência, embora já tenham tido tal atributo. O fato da existência ser um dado adquirido não impede que ela também seja  um atributo.

Nada pode ser grande ou perfeito a menos que exista primeiro, portanto o argumento está invertido.

Parabéns, Dan Baker, você acaba de apresentar o Argumento Ontológico novamente(“Nada pode ser grande ou perfeito a menos que exista primeiro.” Continuando: Deus é perfeito por definição. Logo, Deus existe). Muito obrigado. Eu só estou aqui me perguntando o que é um “argumento invertido” e, sabendo o que isso é, eu pediria que Dan Baker nos mostrasse onde está a tal inversão do argumento.

Uma boa maneira de refutar este raciocínio é substituir “ser” e “Deus” com outras palavras. (“A Ilha do Paraíso é uma ilha…”) Dessa forma poderíamos provar a existência de um “vácuo” perfeito, o que significaria que nada existe!

Snowball já resolveu essa refutação, que é uma mera adaptação do Argumento de Gaunilo sobre a Ilha Perfeita.

O argumento esmaga-se a si próprio, porque pode conceber-se deus como tendo massa infinita, o que é refutado empiricamente. 

A quantidade de massa é algo necessário para a perfeição de Deus? Ou melhor: Se Deus é imaterial, como pode ter massa? Esse comentário não fez sentido.

E está-se a comparar maçãs com laranjas ao se supor que a existência na concepção pode de alguma forma estar relacionada com a existência na realidade.

Ele simplesmente afirma isso, mas não evidencia(como de costume). Se ele defende isso, mostre que está correto ou não espere que eu engula tal desculpa.

Mesmo que a comparação fosse válida, por que é a existência na realidade “maior” (seja lá o que isso signifique) do que a existência na concepção? Talvez seja ao contrário.

Não admira que Bertrand Russell tenha dito que todos os argumentos ontológicos são um caso de má gramática!

Oras, não vi muito sentido nisso. A existência na concepção é, na prática, a inexistência(ou então podemos dizer que dragões existem). Me parece um tanto lógico conceber que a existência é melhor que a inexistência, e não o contrário, principalmente para um ser perfeito que, por sua perfeição, não tem necessidades e está pleno consigo mesmo. Se o ser fosse infeliz e imperfeito, talvez fosse melhor(para ele) a inexistência, mas não vejo o mesmo se aplicando para um ser perfeito.

O que Bertrand Russel disse ou não disse realmente não me importa. Se não houverem evidências, vou preferir ficar com o que está evidenciado.

Revelação

Apresentação do argumento por Dan Baker:

“A Bíblia é historicamente confiável. Não há razão para duvidar dos testemunhos dignos de confiança que resistiriam em tribunal. Deus existe porque Ele se revelou através da Bíblia.”

Vou confessar que não gostei nada dessa apresentação. Primeiro, porque a Revelação também não nos oferece prova definitiva como a apresentação feita por Baker sugere(“Deus EXISTE porque se revelou através da Bíblia). Segundo, porque não há suporte para nenhuma das premissas na apresentação de Dan Baker(embora tais suportes existam, Dan Baker não os apresenta). Assim, o argumento conforme ele apresentou não passa de uma tremenda Petição de Princípio e, portanto, pode ser descartada como uma Falácia(vou confessar que me surpreendi com o fato que Dan Baker não citou isso!).

A Bíblia reflete a cultura do seu tempo. Embora boa parte do seu enredo seja histórico, também há uma boa parte que não é. Por exemplo, não há apoio contemporâneo para a história de Jesus fora dos evangelhos, que foram escritos por desconhecidos entre 30 a 80 anos depois da alegada crucificação (dependendo do perito que consultarmos). Muitos relatos, como as histórias da criação, entram em conflito com a ciência. As histórias da Bíblia são apenas isto: histórias.

Um monte de besteira. Primeiro, Baker simplesmente alegou que o enredo Bíblico é, em boa parte, não histórico, coisa que até concordo(Exemplo: Início do Gênesis). Mas isso não significa que os Evangelhos não apresentam registros históricos precisos. Segundo, é falsa a alegação de que não há registros históricos da existência de Jesus fora dos Evangelhos, basta ver, por exemplo, Josefo(ou ler os Capítulos 9-11 do livro Não Tenho Fé Suficiente Para Ser Ateu de Norman Geisler e Frank Turek, para ser mais detalhista e completo).

Terceiro, porque ele diz que “foram escritos por desconhecidos entre 30 a 80 anos depois da alegada crucificação”, mas vejamos… Ser escrito por desconhecidos(ou conhecidos) realmente é algo que não importa, embora se faça certa ideia de quem foram os escritores dos Evangelhos. Ademais, mesmo que eu aceite que os Evangelhos foram escritos de 30 a 80 anos depois da crucificação, eu não ficaria surpreso, já que as informações usualmente eram passadas oralmente naquela época. Em quarto, os conflitos entre Ciência e Bíblia eu mesmo já resolvi sem muitos problemas(aqui e aqui). Nem preciso comentar “as histórias da Bíblia são apenas isto: histórias”, não é? Mais uma alegação que simplesmente não foi devidamente evidenciada por Dan Baker.

A Bíblia é contraditória. Um bom exemplo é a discrepância entre as genealogias de Jesus dadas por Mateus e Lucas. A história da ressurreição de Jesus, contada por pelo menos 5 escritores diferentes, é irremediavelmente irreconciliável. Peritos descobriram centenas de erros bíblicos que não têm sido satisfatoriamente explicados por apologistas.

Eu gostaria de saber quais são esses “erros bíblicos que não têm sido satisfatoriamente explicado por apologistas”, mas, infelizmente, Dan Baker novamente não nos deu nenhuma fonte para sua alegação. Ademais, as diferenças de descrições na Bíblia não são um problema, conforme já  mostrei neste post.

A Bíblia, tal como outros escritos religiosos, pode ser explicada em termos puramente naturais. Não há razão para exigir que seja ou completamente verdadeira ou completamente falsa.

Concordo plenamente, e o Catolicismo não exige que a Bíblia seja tratada como completamente verdadeira. E se a Bíblia “pode ser explicada em termos puramente naturais”, eu gostaria de ler essas explicações. Infelizmente, Dan Baker mais uma vez não nos dá uma fonte onde possamos ver isso acontecendo… Ele não se cansa de alegar sem evidenciar.

O cristianismo está repleto de paralelos de mitos pagãos, e a sua emergência como seita messiânica do século II resulta das suas origens sectárias judaicas. Os autores dos evangelhos admitem que estão a escrever propaganda religiosa (João 20:31), o que é uma pista de que devem ser tomados com algumas reservas.

A primeira parte é mais um monte de alegação não comprovadas que, mesmo se fossem verdadeiras, constituiriam uma Falácia Genética, já que a origem do cristianismo e possíveis influências não caracterizam o Cristianismo como falso(e isso vale para qualquer religião). E é bastante óbvio que os Evangelhos estão aí para fazer propaganda religiosa, o que não significa que eles apresentam dados falsos. Afinal, os Cristãos morriam para defender os Evangelhos… Se fossem algo sem valor, eles não o fariam, não é?

E eu simplesmente não entendi porque o fato do Evangelho ser usado para apoiar o Cristianismo tem a ver com desconfiar do Evangelho…

Thomas Paine, em The Age of Reason (A Idade da Razão), indicou que a Bíblia não pode ser revelação. Revelação (se existe) é uma mensagem divina comunicada diretamente a alguma pessoa. Assim que essa pessoa o relata, isso se torna um rumor em segunda mão. Ninguém está obrigado a acreditar nisso, especialmente se for fantástico.

Como é? Eu entendi certo? Ele nos dá a definição de revelação(“é uma mensagem divina comunicada diretamente a alguma pessoa”) e diz que, se ela for relatada, se torna um “rumor em segunda mão”… Como se isso significasse que o relato é falso ou mesmo significasse que a Bíblia não foi revelada ao seu escritor! Se a Bíblia for o relato de uma revelação, o fato de que ela foi escrita não faz com que o escritor deixe de ter tido uma revelação. E ninguém obriga você a acreditar na Bíblia ou mesmo diz que você é obrigado a acreditar. E o ateísmo é mais que a descrença: É a negação. É bom lembrar disso as vezes.

É muito mais provável que relatos sobre o miraculoso sejam devidos a erro honesto, engano deliberado ou interpretação teológica meticulosa de eventos perfeitamente naturais.

Acredite no que ele diz sem questionar e sem pedir provas. Mais uma alegação não evidenciada…

Alegações extraordinárias requerem provas extraordinárias.

É quase o nome da Técnica! Aqui a refutação.

Um critério da história crítica é a suposição de regularidade natural ao longo do tempo. Isso exclui milagres, que por definição “passam por cima” das leis naturais. Se admitirmos a existência de milagres, então todos os documentos, incluindo a Bíblia, tornam-se inúteis enquanto história.

E é por isso que a história usa a Bíblia como evidência histórica, mas não dá um veredito sobre a veracidade dos milagres. Além disso, o não-uso de milagres para a “história crítica” não serve para mostrar que os milagres são falsos, já que a história crítica não é fonte de toda a verdade. E também não segue que da existência de milagres os documentos se tornam inúteis como história.

Written by catolicoresp

30/01/2012 at 19:00

Publicado em Análise de textos

Análise de texto: Refutação de alguns argumentos a favor da existência de Deus – Primeira Causa e Aposta de Pascal

leave a comment »

Ir para [Texto na íntegra] – [Textos analisados] – [Página Inicial]

Como esses são menores, vou fazer um dois em um.

Primeira Causa

Apresentação do argumento por Dan Baker:

“Tudo teve uma causa, e toda a causa é o efeito de uma causa anterior. Algo deve ter começado tudo. Deus é a primeira causa, o estático que move, o criador e sustentáculo do universo.”

Só um comentário: EPIC FAIL. Dizer que “tudo teve uma causa” é gerar um óbvio loop infinito. Deveria ser: Tudo o que começa a existir tem uma causa, e não tudo o que existe tem uma causa… Dan Baker está atacando um espantalho que ele mesmo criou. Um espantalho que, por sinal, passa uma rasteira em si mesmo.

A premissa maior deste argumento, “tudo teve uma causa”, é contrariada pela conclusão de que “Deus não teve uma causa”. As duas afirmações não podem ser simultaneamente verdadeiras.

Ainda bem que Dan Baker está aqui para nos ensinar isso, não é?

Se tudo teve uma causa, então não pode ter havido uma primeira causa. Se é possível pensar num deus sem causa, então é possível pensar o mesmo do universo.

Se configurarmos o argumento de forma correta – tudo o que começa a existir tem uma causa -, aí sim temos um problema. O problema é definir se o Universo teve ou não um começo… Até aqui, as evidências dizem que o Universo teve um início. Logo, dizer que o Universo não teve início é ir contra as evidências científicas.

Alguns teístas, vendo que todos os “efeitos” precisam de uma causa, afirmam que deus é uma causa, mas não é um efeito. Mas ninguém jamais observou uma causa não-causada, e inventar simplesmente uma causa não-causada apenas pressupõe o que o argumento quer provar.

(Para um exame detalhado do moderno “Argumento Cosmológico Kalam”, veja o meu artigo Cosmological Kalamity.)

Bom, ao menos ele não falhou em refutar o ridículo espantalho que ele criou. E estou pouco inclinado a ver esse outro artigo de Dan Baker… Depois de ler esse aqui, fico com medo das calamidades que posso ler em  suas outras publicações. Vai que ele apresenta o Argumento Cosmológico de modo errado!

Aposta de Pascal

Apresentação do argumento por Dan Baker:

“Não se pode provar que Deus existe. Mas se Deus existe, o crente ganha tudo (céu) e o descrente perde tudo (inferno). Se Deus não existe, o crente nada perde e o descrente nada ganha. Portanto, há tudo a ganhar e nada a perder ao acreditar em Deus.”

Porque a Aposta de Pascal está entre os argumentos Teístas? Isso aqui é uma reflexão, não um argumento. Dan Baker está colocando coisas cada vez mais bizarras e refutando-as… É como um debate individual: Dan Baker está refutando os próprios absurdos que ele diz. Não que a aposta de Pascal seja um absurdo – não é -, mas usá-la para argumentar a favor da existência de Deus é um absurdo.

O argumento, formulado originalmente pelo filósofo francês Blaise Pascal, é pura intimidação. Não é um argumento a favor da existência de um deus: é um argumento a favor da crença, baseado em medo irracional. Com este tipo de raciocínio, deveríamos simplesmente escolher a religião que tivesse o pior inferno.

Ele diz que o argumento é baseado em “medo irracional”. Não entendi o porque do irracional, já que o raciocínio é perfeitamente válido, embora não sirva para determinar a existência de Deus. Se ele alega irracionalidade no argumento, que evidencie tal irracionalidade.

Não é verdade que o crente nada perde. Diminuímos esta vida ao preferir o mito de uma vida após a morte, e sacrificamos a honestidade à perpetuação de uma mentira.

Isso não bate com a realidade por um simples motivo: A vida do crente é que faz sentido. O crente vive hoje em função da Vida Eterna, e o ateu vive hoje por causa de nada. Ao contrário do crente, o ateu é quem não tem motivos para esta vida. Com a crença na vida após a morte e na existência de Deus, essa vida passa a ganhar sentido, e não perder.

Ele também não podia deixar de alegar que as religiões são uma mentira… Como sempre, ele se esquece de evidenciar sua alegação. Aparentemente, ele é profissional em fazer alegações e não evidenciá-las. Sem contar que um ateu não tem nenhum compromisso com a honestidade, já que o ateísmo não tem nenhum tipo de padrão moral que deve ser seguido.

A religião exige tempo, energia e dinheiro, desviando recursos humanos valiosos do melhoramento deste mundo. O conformismo religioso, um instrumento de tiranos, é uma ameaça à liberdade.

Mais propaganda anti-teísta. Ele não se cansa! E também não evidencia o que diz. De fato, a religião exige “tempo, energia e dinheiro”, mas não vejo que ela atrapalhe o melhoramento desse mundo. Ao contrário, as religiões são a maior fonte de caridade existente e, até onde sei, a caridade ajuda no melhoramento deste mundo.

Também não é verdade que o descrente nada ganha. Rejeitar a religião pode ser uma experiência libertadora positiva, ganhando perspectiva e liberdade para questionar. Os livres-pensadores sempre estiveram na linha da frente do progresso social e moral.

Eu tenho perspectiva e liberdade pra questionar, mesmo sem ser ateu. Um verdadeiro Cristão se torna realmente livre, pois deixa de ser escravo de seus caprichos pessoais e passa a conseguir mandar no próprio corpo e tomar decisões contrárias aos seus impulsos. Naturalmente, o ateu também pode fazê-lo, mas ele não tem nenhum motivo para fazê-lo.

No final, ele nos diz que “os livres-pensadores”(seja lá o que isso significa) estiveram na frente do progresso social e moral… Ele só se esqueceu de evidenciar o que alega, como de costume.

Que tipo de pessoa torturaria eternamente alguém que duvida honestamente? Se o seu deus é tão injusto, então os teístas correm tanto perigo como os ateus. Talvez deus tenha um gozo perverso em mudar de ideias e condenar toda a gente, crentes e descrentes por igual. Ou, invertendo a aposta, talvez deus só salve aqueles que têm coragem suficiente para não crer!

Que coisa dramática e, cá entre nós, que não faz muito sentido… Existem muitos “talvezes” na vida. Talvez meu vizinho que se diz homem seja uma mulher, mas isso não significa que seja sensato que eu acredite nisso sem evidências. Se quiser tratar de “talvezes”, fique a vontade, mas eu prefiro ficar com as evidências que tenho de que Deus não segue as suposições de Dan Baker. Ademais, ele também cita a crueldade do inferno, que já foi refutada por mim.

Pascal era um católico e supôs que a existência de deus significava o Deus cristão. No entanto, o Alá islâmico poderia ser o verdadeiro deus, o que torna a aposta de Pascal uma aposta mais arriscada do que se pretendia.

Agora ele decidiu até ler a mente de Pascal e já sabe as pretensões dele. Queria ter esse tipo de dom telepático.

De qualquer modo, crer numa divindade com base no medo não produz admiração. Não se segue daí que tal ser mereça ser adorado.

Não. E também não segue daí que tal ser não merece adoração. Pascal não falou nada sobre adoração em seu raciocínio.

Written by catolicoresp

27/01/2012 at 19:00

Publicado em Análise de textos

Análise de texto: Refutação de alguns argumentos a favor da existência de Deus – Moralidade

leave a comment »

Ir para [Texto na íntegra] – [Textos analisados] – [Página Inicial]

Apresentação do argumento por Dan Baker:

“Todos nós temos um sentido do certo e do errado, uma consciência que nos coloca sob uma lei superior. Este apelo moral universal aponta para fora da Humanidade. É consistente que Deus, um ser não-físico, se relacionasse conosco através de tal meio sublime.”

Temos uma moral intrínseca a nós e algo que nos faz querer seguí-la e nos sentir mal quando não fazemos isso… Tanto é assim que achamos que alguém que não sente remorso em matar tem algum tipo de problema. Dessa forma, algo fez com que tal Lei Moral(Objetiva) existisse e fosse parte de nós, e a explicação mais plausível é algo externo como, por exemplo, Deus, que justificará o bem e o mal(ou então não faz sentido seguir tais Leis Morais). É, creio que a definição de Dan Baker está satisfatória.

Aqui está outro argumento baseado na ignorância. Os sistemas éticos baseiam-se no valor que os humanos atribuíram à vida: “bem” é aquilo que melhora a vida, e “mal” é aquilo que a ameaça. Não precisamos de uma divindade para nos dizer que é errado matar, mentir ou roubar. Os humanos sempre tiveram o potencial para usar as suas mentes para determinar o que é bondoso e razoável.

Os valores éticos, se são intrínsecos(como trata o argumento Moral), não podem ser de origem humana. Dan Baker tenta refutar o argumento da seguinte forma: Não é assim e pronto. Um tanto complicado. Até porque a definição de bem e mal feita por ele é insatisfatória… Ele diz que bem é aquilo que melhora a vida e mal aquilo que a ameaça, mas isso é relativo! De início, porque ele não especifica a vida de quem… Se eu definir que é a minha, então eu posso assassinar se eu me sentir confortável com isso. Isso que nem citei ainda a necrofilia, que não prejudica a vida do defunto(naturalmente), mas melhora a vida do ser que usa o finado como objeto sexual… Agora a necrofilia é moralmente boa? Me parece que não…

Depois, ele nos lembra que nunca precisamos de uma divindade para nos dizer que é errado matar, mentir ou roubar, e eu concordo com ele. Justamente porque creio que a moral é intrínseca a nós(embora as vezes nos nos esforcemos para ignorá-la)… Dizer que nós sabemos o que é certo ou errado “de cor” apenas auxiliou o Argumento Moral.

Não existe um “apelo moral universal” e nem todos os sistemas éticos concordam entre si.

Perfeito, mas o Argumento Moral não nega isso. O Argumento Moral afirma que há certos pontos que são indubitavelmente coincidentes, como a consideração do assassinato de seus semelhantes como algo mal e a coragem como algo bom. É  nisso que se baseia o Argumento Moral, que não diz que toda a moral é facilmente conhecida, mas que há partes dela que são demasiadas óbvias e por isso são idênticas em qualquer sociedade.

Poligamia, sacrifícios humanos, canibalismo (eucaristia), espancamento da esposa, automutilação, guerra, circuncisão, castração e incesto são ações perfeitamente “morais” em algumas culturas. Será que deus está confuso?

Um monte de acusações sem evidências, apenas para fazer propaganda negativa do Teísmo…

É contraditório chamar a deus “ser não-físico”. Um ser tem de existir como alguma forma de massa no espaço e no tempo. Os valores residem no interior dos cérebros físicos, portanto se a moralidade aponta para “deus”, então nós somos deus: o conceito de deus é simplesmente uma projeção de ideais humanos.

Ele, primeiramente, decidiu que tudo que existe precisa ser Físico… Alegação facilmente falseável. Basta ver o seu passado, que não é Físico, mas nem por isso deixou de existir. Sua mente e seus pensamentos não são físicos – embora o cérebro que os faz seja -, mas ainda assim existem. Nem tudo o que existe precisa ser de natureza física e assumir forma no espaço-tempo…

Ademais, os valores de fato residem nos cérebros humanos – isso é exatamente o que alega o Argumento Moral -, nosso questionamento é como tais valores foram parar lá, senão por alguma força externa? Se estão nos nossos cérebros desde o princípio, então não fomos nós que a fizemos… Então não faz sentido dizer que nós somos a fonte de moral se considerarmos uma moral intrínseca ao homem.

Apresentação do argumento por Dan Baker:

“Se não existe um padrão moral absoluto, então não existe certo e errado absolutos. Sem Deus, não há base ética e a ordem social desintegrar-se-ia. As nossas leis baseiam-se na Bíblia.”

Não entendi porque a Bíblia foi parar no meio dessa conversa, já que o Argumento Moral se usa da realidade moral intrínseca ao homem, e não usa a moralidade Bíblica. E, de fato, sem Deus a moralidade sucumbe, pois não há motivo para que tal moral seja seguida. Explicando: A moralidade, se não tem uma fonte, é fruto do acaso e, portanto, não devia ser tão levada a sério simplesmente porque poderia ter sido formada de outra forma qualquer(com o assassinato e pedofilia – agora com alguns malucos que querem renomeá-la como “sexo intergeracional” para justificá-la o que é, obviamente, um absurdo – como coisas boas), já que não são de fato objetivas, mas mera obra do acaso(Trato isso em Ateísmo e Moralidade). E se não há alguém para justificar a Moral, então não há porque segui-la(pois fazer o bem ou o mal não tem consequências). No fim das contas, o texto trás algumas informações corretas, mas elas não são parte do Argumento Moral e nem mesmo consistem em um argumento a favor da existência de Deus.

Este é um argumento a favor da crença num deus, não é um argumento a favor da existência de um deus. A exigência de uma moralidade “absoluta” só vem de religiosos inseguros. (Voltaire ironizou: “Se deus não existisse, seria preciso inventá-lo”.) Pessoas maduras sentem-se confortáveis com o caráter relativo do humanismo, visto que este fornece um quadro de referência consistente, racional e flexível para o comportamento humano ético — sem uma divindade.

Ele não perde a chance de fazer uma auto-propaganda, agora chamando os religiosos de “inseguros”, e os humanistas de racionais. Primeiramente, acho um pouco estranho considerar “inseguros” como algo solto: Inseguros em relação a que? Eu posso ser inseguro em relação a jogar futebol, e extremamente seguro em jogar ping-pong. Isso faz de mim uma pessoa insegura? A crítica dele é  um tanto imprecisa.

Em segundo lugar, a moral Cristã é bastante razoável(no sentido de razão), tanto que há motivos racionais para a defesa de toda a moralidade Cristã(naturalmente, com certa base Bíblica em alguns casos). Em terceiro, digo que a crença em  uma moralidade absoluta revela muito mais maturidade que a crença no relativismo. Porque? Ora, se a moralidade é relativa e flexível, não há porque seguí-la: Basta modificá-la à sua vontade sem achar que praticou uma imoralidade. O Religioso não pode fazê-lo: Se ele fizer algo imoral, não pode moldar a moralidade para que isso se torne moral.

Ou seja, o relativismo humanista na prática é a não-existência da moralidade, e é também uma forma de fuga da moral. Não duvido que existam neo-ateus que sigam essa linha por vontade de ter mais liberdades sexuais, por exemplo. E a fuga de uma moral objetiva não me parece um comportamento de uma pessoa madura.

As leis americanas baseiam-se numa constituição secular, não se baseiam na Bíblia. Quaisquer textos bíblicos que apoiem uma boa lei só fazem isso porque passaram no teste dos valores humanos, que são muito anteriores aos ineficazes Dez Mandamentos.

Evidência que é bom, nada… Mais alegações soltas ao vento que estou pouco inclinado a aceitar.

Não há evidência de que os teístas são mais morais que os ateus. De fato, o contrário parece ser verdadeiro, conforme evidenciado por séculos de violência religiosa. Em sua maioria, os ateus são pessoas felizes, produtivas e morais.

Haja propaganda, Dan Baker! E, cá entre nós, propaganda que nada tem a ver com o Argumento Moral. Ou seja, ele nem disfarça que faz a propaganda por mera vontade e não porque ela cabe no contexto…

De início, se formos falar de violências falemos do Comunismo. Só Stalin e Mao Tsé-Tung conseguiram matar 100 milhões em 50 anos, em nome do regime comunista que é essencialmente ateu. Mataram mais que séculos de “guerras religiosas”. Sem contar que a maioria das “violências religiosas” são caricaturadas, exageradas e retiradas de seu contexto histórico. Pra finalizar, ele afirma que os ateus são mais “felizes, produtivos e morais”… Eu realmente gostaria de saber de onde ele tirou essas informações. Ao que me parece, foi da “caixola” dele. Pra finalizar, o Argumento Moral não tem nada a ver com o quão moral Teístas ou ateus são, por isso não entendi quando ele disse que “Não há evidência de que os teístas são mais morais que os ateus”… Inclusive, também não há evidência de que os ateus são mais morais que os teístas.

Mesmo que este argumento fosse verdadeiro, seria de pouco valor prático. Cristãos devotos e crentes na Bíblia não conseguem concordar entre si quanto ao que a Bíblia diz sobre muitas questões morais cruciais. Crentes comumente adotam posições opostas em assuntos tais como pena de morte, aborto, pacifismo, controle de natalidade, suicídio medicalmente assistido, direitos dos animais, ambiente, separação entre igreja e estado, direitos dos homossexuais e direitos das mulheres.

Que parte de “sentido do certo ou errado”(que ele mesmo colocou na formulação do argumento no início do texto) ele não entendeu? Nosso sentido do certo e errado vem desde antes da existência da Bíblia, homem! A não ser que ele sugira que os séculos anteriores à Bíblia – que incluem os 3 primeiros séculos depois de Cristo – não possuiam nenhum tipo de moralidade, o que é um absurdo já que havia reflexões sobre o bem e o mal muito antes de Cristo vir à Terra. Ele mesmo diz, indiretamente, que a moralidade(senso de certo ou errado) vem de fora da Bíblia(já que ateus podem seguir a moral) e depois ele “se confunde” e tenta dizer que as diferentes interpretações Bíblicas ajudam a invalidar o Argumento Moral… Como se uma coisa tivesse a ver com a outra! Non Sequitur clássico…

Disso pode concluir-se que ou há uma multiplicidade de deuses distribuindo conselhos morais contraditórios, ou um único deus que está irremediavelmente confuso.

Non sequitur e, acima de tudo, non sense. Se os homens entendem a Bíblia de modos diferentes é porque nós entendemos de modo diferente – seja por vontade e manipulação, seja por mera confusão sincera -, e isso nada tem a ver com as decisões de Deus. A confusão do homem em entender as mensagens de Deus demonstram uma limitação do homem, e não de Deus.

Se o diretor de uma empresa dá uma ordem e dois funcionários a entendem de modo distinto, isso significa que o diretor da empresa está confuso ou que um dos funcionários(ou ambos) está confuso? Naturalmente, ninguém em sã consciência concluiria que o diretor estava em dúvida sobre que ordem dar, mas que um dos funcionários(ou ambos) entendeu a ordem de modo incorreto(seja propositalmente, seja inocentemente). Da mesma forma, se Deus dá-nos uma Palavra e nós a interpretamos de diferentes maneiras, não é porque Deus está confuso(ou porque há múltiplos deuses, como Dan Baker propõe), mas porque nós estamos entendendo de forma incorreta(sejam todos nós, seja só uma parte. Seja proposital ou inocentemente). Somente um ser humano com dificuldades no raciocínio concluiria que Deus é quem está confuso.

Written by catolicoresp

24/01/2012 at 19:00

Publicado em Análise de textos

Análise de texto: Refutação de alguns argumentos a favor da existência de Deus – Experiência Pessoal

with 3 comments

Ir para [Texto na íntegra] – [Textos analisados] – [Página Inicial]

Eu me pergunto como se refuta uma experiência pessoal… É algo um tanto estranho, como dizer: “Não, meu caro, não foi isso o que você sentiu”. Mas não custa ler o que Dan Baker tem a dizer sobre isso, não é?

Apresentação do argumento por Dan Baker:

“Milhões de pessoas conhecem pessoalmente Deus através de uma experiência espiritual interior.”

É basicamente isso, sim, a experiência pessoal.

A maioria dos teístas afirma que o seu deus particular pode ser conhecido através de meditação e oração, mas essas experiências não apontam para algo exterior à mente. O misticismo pode ser explicado psicologicamente; não é necessário complicar a nossa compreensão do universo com suposições fantasiosas. Sabemos que muitos humanos habitualmente inventam mitos, ouvem vozes, têm alucinações e falam com amigos imaginários. Não sabemos que existe um deus.

Ele afirma que as experiências não apontam para algo exterior à mente, mas não prova. Diz que pode ter explicações psicológicas, mas isso não significa que a experiência não foi verdadeira ou que Deus não se manifestou em tal evento.

Depois, ele manda a propaganda neo-ateísta dizendo que são “suposições fantasiosas”… Naturalmente, eu peço que ele evidencie que são fantasiosas, e não simplesmente alegue isso, pois a simples alegação é uma Petição de Princípio que eu estou pouco inclinado a aceitar. E, naturalmente, o fato de que muitos humanos inventam mitos, têm alucinações e falam com amigos imaginários não significa que qualquer tipo de experiência pessoal seja falsa.

Até porque algumas experiências pessoais são relacionados a milagres – por exemplo a conversão de São Paulo Apóstolo -, que teriam que ter sido alucinações coletivas idênticas… E eu nunca vi nada desse tipo. Ademais, a experiência pessoal é uma boa evidência pessoal e acho um tanto complicado usar isso em debates.

Há milhões de crentes em deus; mas essa é uma declaração sobre a Humanidade, não sobre deus. A verdade não é algo que se alcança através do voto. As religiões surgiram para lidar com a morte, fraqueza, sonhos e medo do desconhecido. São mecanismos poderosos para dar sentido à vida e identidade pessoal/cultural. Mas as religiões diferem radicalmente umas das outras, e apelos à experiência interior apenas pioram o conflito.

Dan Baker só pode estar ficando maluco… Esse parágrafo não tem nada a ver com a experiência pessoal(salvo o seu final que vou comentar em breve), só usou ele para fazer propaganda neo-ateísta.

Não conheço Teístas que afirmam que um grande número de crentes indica a existência de Deus. E, se há algum Teísta que alega isso, ele está errado. A alegação dele de que “as religiões foram criadas para lidar com a morte, fraqueza, sonhos e medo do desconhecido” não coincide com a realidade da criação do Cristianismo, como eu já falei. Ao contrário, em sua origem o Cristianismo gerou morte e perseguição dos Cristãos. Ser perseguido não me parece um bom jeito de lidar com a fraqueza e com a morte. E mesmo que todas as alegações de Dan Baker sobre a origem das religiões fossem verdadeiras isso não serviria para provar que Deus não existe, pois configuraria-se em uma Falácia Genética.

E, naturalmente, a diferença entre as religiões não ajuda em nada a realidade ou falsidade das experiências pessoais, então foi uma alegação solta sem validade alguma para o objetivo do autor.

Apresentação do argumento por Dan Baker:

“Os ateus não têm discernimento espiritual e dificilmente poderiam criticar a experiência teísta de Deus. Isso seria como uma pessoa cega negando a existência das cores.”

Eu não usaria a palavra discernimento, mas a palavra experiência. Mas a analogia faz sentido: Se um ateísta que não teve experiências pessoais com Deus faz comentários sobre isso, é como um cego que quer comentar sobre as cores. Oras, ele não tem uma experiência pessoal com Cristo, como vai comentá-la? E, mesmo que ele tenha tido, como vai comentar a experiência pessoal alheia?

Muitos teístas afirmam que deus é conhecido através de uma sensibilidade “espiritual”. Mas será que a fé é um “sexto sentido” que detecta outro mundo? Céticos negam que tal coisa exista.

Céticos não negam que tal coisa exista, a não ser que tenham provas para isso. Céticos,  na falta de evidências, ficariam em dúvida sobre a existência de tal coisa. E a fé não é um sexto sentido que detecta outro mundo nem mesmo na configuração do argumento que Dan Baker apresentou!

A experiência pessoal não ocorre de acordo com a quantidade de fé da pessoa. Não é raro que Deus se utilize de toques pessoais em pessoas de pouca fé, mas quando essas mesmas pessoas atingem uma maturidade maior na fé suas experiências pessoais, Deus deixe de concedê-la essa experiência pessoal. Porque? Para que aí sim a pessoa possa se aproximar de Deus por amor. É fácil ir rezar e adorar a Deus quando você fica todo emocionado, mas o verdadeiro amor se revela quando ocorre tal reza e adoração mesmo quando não há vontade de fazê-lo.

Ou seja, a experiência pessoal não é necessariamente uma contante para as pessoas de fé, então não é a fé por si só que “detecta outro mundo”.

A analogia com o cego não é apropriada porque as pessoas cegas não negam o sentido da visão, nem negam que as cores existam. Os cegos e os que veem vivem no mesmo mundo, e ambos podem compreender os princípios naturais envolvidos.

Desculpe, mas ele acabou de me dizer que Teístas e Ateus vivem em mundos diferentes? Ele diz que um dos motivos da analogia ser falha é porque “os cegos e os que veem vivem no mesmo mundo, e ambos podem compreender os princípios naturais envolvidos”… Creio eu que os Teístas e Ateus também vivem no mesmo mundo…

Ademais, os cegos de fato não costumam negar o sentido da visão, o que os difere dos ateus(em relação às experiências pessoais). O ateu é como um cego que nega o sentido da visão: Ele nega a experiência pessoal simplesmente por não ter tido ela, tal como um cego que nega a existência da visão simplesmente por não tê-la. Não lhes pareceria estranho que um cego dissesse que, porque ele não pode ver, a visão não existe? Também me parece estranho, então, que um ateu negue a experiência pessoal como algo real sem ter tido uma com a qual comparar. E, mesmo que ele tivesse tido, isso não significa que sua comparação fosse ser verdadeira.

O caminho da luz pode ser traçado através de um olho normal até ao cérebro. As frequências podem ser explicadas e o espectro pode ser experimentado independentemente da visão. A existência da cor não precisa ser aceita através da fé.

Bom, a questão da fé eu já comentei, mas comento brevemente aqui novamente: A existência da cor precisa sim ser aceita por fé. Por pouca fé, mas por fé. A cor pode ser uma mera ilusão da minha mente e não existir de fato. Não estou dizendo que é insensato acreditar que existem cores, estou dizendo que ainda é necessário que haja fé, só isso.

Ademais, vou usar um exemplo mais simples: Imagine um daltônico que vê o verde e o amarelo como uma cor só. Se eu lhe mostrar um prisma ou um arco-íris, verei uma cor a mais que o daltônico. Eu posso até dizer a ele: Da frequência x à frequência y, é o amarelo,  da frequência z à frequência k é o verde. E ele pode negar isso, dizendo que os dois são iguais. E ele estaria achando que está certo, pois as cores estariam iguais segundo a visão dele! Usar as frequências para explicar as cores não impede que o daltônico negue que são duas cores diferentes. Afinal, ele ainda vê cores iguais.

O teísta, porém, não apresenta qualquer meio independente de testar o discernimento “espiritual”, portanto temos de duvidar disso.

Pra começar, você não precisa acreditar. O que é diferente de negar, que é o que o ateísmo faz. Ademais, a experiência é pessoal, é óbvio que não iria ter um meio independente para testá-la! Se houvesse como ficar testando experiências pessoais alheias, não seriam experiências pessoais.

O cético não nega a realidade de experiências religiosas subjetivas, mas sabe que podem ser explicadas psicologicamente sem referência a um domínio supostamente transcendente.

Aleluia ele acertou em algo(“O cético não nega a realidade de experiências religiosas subjetivas“)! Contudo, ter uma explicação psicológica não significa que não houve nada além daquilo. Logo, mesmo que seja apresentada uma explicação por parte da Psicologia, isso não serve para caracterizar a experiência como falsa.

 A afirmação implícita de que os teístas são os únicos seres humanos “completos” é infundada e arrogante.

Que afirmação implícita? Propaganda neo-ateísta que visa denegrir a imagem Teísta usada novamente. De início, porque ele não provou que a alegação é infundada. E se não for uma alegação infundada ela não terá nada de arrogante. No fim, porque não achei ainda tal alegação implícita.

Written by catolicoresp

21/01/2012 at 19:00

Publicado em Análise de textos

Análise de texto: Refutação de alguns argumentos a favor da existência de Deus – Design

leave a comment »

Ir para [Texto na íntegra][Textos analisados][Página Inicial]

Antes de ler esse texto, recomendo a leitura da Introdução

A primeira promete: Refutação do Design Inteligente. Sempre tive vontade de ver isso! Vamos lá.

Apresentação do argumento por Dan Baker:

“De onde veio tudo? Como é que explica a ordem complexa do universo? Não posso acreditar que a beleza da natureza simplesmente apareceu por acidente. O design requer um projetista.”

Isso não é o argumento do Design Inteligente por completo… Primeiro, a pergunta “de onde veio tudo” não tem nada a ver com o Design Inteligente. Em segundo, a ordem complexa do Universo, por si só, também não é do Design. O que caracteriza o Design é a improbabilidade do Universo ter os parâmetros exatos para favorecer a nossa vida, e não a complexidade do Universo puramente. E, definitivamente, a beleza da natureza não tem nada a ver com o Design Inteligente.

Porque Dan Baker não usou a típica e simples analogia com o relógio?

Este argumento limita-se a pressupor que é verdade aquilo que quer provar. Qualquer tentativa de “explicar” algo requer um contexto mais amplo dentro do qual a explicação pode ser compreendida. Pedir uma explicação do “universo natural” é simplesmente pedir um “universo mais amplo”.

Só um comentário: ÃHN?! Onde ele viu a Petição de Princípio no argumento? E sim, estou utilizando a definição que ele propôs. Não basta dizer que há uma petição de princípio, é necessário mostrá-la. E, de fato, pedir a explicação de algo é exigir um contexto mais amplo(parte do “objeto” para o “objeto e sua explicação”)… Mas isso não significa que você pediu um “objeto mais amplo”. Se eu pedir a explicação da origem e composição do carro isso significa que eu estou pedindo um “carro mais amplo“? Não me parece fazer muito sentido…

O universo é “tudo que existe”. Não é uma coisa. Um deus certamente seria uma parte de “tudo que existe”, e se o universo requer uma explicação, então deus requer um [outro] deus, ad infinitum.

Erro grosseiro, mas simples: Ele usa da Petição de Princípio. Assume a priori que o Universo é tudo o que existe e diz que, portanto, Deus teria que existir no Universo. Mas não evidencia, de maneira alguma, que o Universo é tudo o que existe.

A mente de um deus seria pelo menos tão complexa e ordenada quanto o resto da natureza e estaria sujeita à mesma pergunta: Quem fez deus? Se um deus pode ser encarado como eterno, então o universo também pode ser encarado como eterno.

De fato, o Universo poderia ser encarado como eterno… Se isso não fosse contraditório com as evidências que temos atualmente. A Teoria atual é a do Big-Bang. Segundo ela, o Universo não é eterno. Se você defende um Universo eterno, você está indo contra as evidências Científicas e deve se virar para evidenciar seu ponto de vista, ou acreditar nele por fé cega e contra as evidências. Até aqui, as evidências são de um Universo que teve princípio e, portanto, não é eterno. Tratar o Universo como eterno é ir contra as evidências.

Há design no universo, mas falar de design do universo é apenas semântica teísta. O design que observamos na natureza não é necessariamente inteligente. A vida é o resultado do “design” não-consciente da seleção natural.

A parte sobre a semântica Teísta não fez muito sentido para mim… E discordo que o design presente na natureza é necessariamente inteligente. Só acho que é bastante difícil conceber isso – e de fato é difícil, falando em probabilidades – como obra do acaso e sem um Designer Inteligente. O argumento que Dan Baker visa refutar não diz que é impossível que tal ordem tenha surgido ao acaso, diz que é altamente improvável e por isso preferimos crer que há um Designer Inteligente.

No final, Dan Baker usa-se de petição de princípio novamente, já que ele simplesmente assume que “a vida é resultado do design não consciente da seleção natural”. De fato, somos fruto da Seleção Natural, mas o “não-consciente” fica por conta do autor, que simplesmente assumiu isso na sua redação.

A ordem no cosmos vem do “design” da regularidade natural.  Não há qualquer necessidade de uma explicação mais ampla.

O Design não nega que a ordem do cosmos vem da regularidade natural. Ao contrário, o Design concorda com ela e usa-a para a sua argumentação! Nós questionamos como surgiu essa regularidade natural, já que é extremamente improvável que fosse tudo armado aleatoriamente de forma perfeita para a existência de nossa vida. Nós questionamos justamente de onde vem o “design”da regularidade natural”, nós não negamos tal design. Negá-lo seria destruir o próprio argumento do Design Inteligente.

Ele afirma que não há necessidade de uma explicação mais ampla, mas não nos mostra o porquê… Tudo indica que há inteligência no Design do Universo, porque negar isso? Porque Dan Baker quer? Acho que os desejos de Dan Baker não necessariamente refletem a verdade.

O argumento do design baseia-se na ignorância, não em fatos. O fracasso em solucionar um enigma natural não significa que não há resposta.

Como é? Não é um fato que a ordem natural existe? E não é um fato que é improvável que ela tenha passado a existir de forma aleatória? O tal Enigma Natural tem uma resposta, se for observado o Design Inteligente: Um Criador.

Durante milênios os humanos têm criado respostas míticas para “mistérios” como o trovão e a fertilidade. Mas quanto mais aprendemos, menos precisamos de deuses. A crença em deus é apenas responder a um mistério com outro mistério e, consequentemente, não responde a nada.

Ou o Universo foi organizado, ou não. Se foi organizado, teve um organizador. O organizador seria Deus. O que há de tão  misterioso nisso? Só usamos os fatos que observamos na natureza e percebemos que provavelmente há um ser Inteligente por trás de tal organização.

Apresentação do argumento por Dan Baker:

“O universo é governado por leis naturais. Leis requerem um legislador. Tem de existir um Governador Divino.”

O que isso tem a ver com o Design?

Uma lei natural é uma descrição, não é uma prescrição. O universo não é “governado” por coisa alguma. As leis naturais são meramente concepções humanas sobre o modo como as coisas normalmente reagem, não são mandamentos sobre o comportamento, como no caso de leis sociais.

Não tenho objeções a fazer nessa parte, tirando em relação a petição de princípio de que “O universo não é “governado” por coisa alguma”, o que também não significa que eu creia que Deus controla tudo o tempo inteiro e não nos dá liberdade.

Se o argumento do design fosse válido, a mente de um deus seria igualmente “governada” por algum princípio de ordem, o que requereria um legislador superior.

Não vejo essa necessidade. Se você defende isso, evidencie. Não vejo nenhum motivo para acreditar nisso, mesmo que o (verdadeiro) argumento do Design Inteligente tivesse a ver com legisladores e leis. Uma constante universal natural – como a Constante Gravitacional – não é uma lei a ser legislada e, portanto, essa apresentação do Design Inteligente nada tem a ver com a argumentação real.

Apresentação do argumento por Dan Baker:

“É impossível que a complexidade da vida tenha ocorrido por acidente, e a segunda lei da termodinâmica, que diz que todos os sistemas tendem para a desordem, torna a evolução impossível. Era necessário um Criador.”

O Design Inteligente não afirma que é impossível que tenha ocorrido por acidente. Afirma que é improvável. E o Design também não afirma que a Evolução aleatória é impossível, mas improvável.

Estas objeções pseudocientíficas baseiam-se em erros. Nenhum biólogo afirma que organismos apareceram subitamente num passo de mutação “acidental”. A evolução é a acumulação gradual de pequenas mudanças ao longo de milhões de gerações de adaptação ao ambiente.

Uma das teses para a Origem da Vida é justamente que foi tudo feito aleatoriamente, segundo a Ciência. Não conheço uma parte da Ciência que diz que a vida teve origem de forma organizada, mas até aqui o que estudei apenas dizia “ao acaso”, “de forma aleatória”… E as mutações, depois que a vida surge, são acidentais, e não propositais. Cuidado para não confundir a teoria de Darwin(mutações aleatórias e seleção dos mais adaptados) com a de La Mark(regra do uso e desuso).

E, de fato, a Evolução é a acumulação de pequenas mudanças ao longo de milhões de gerações, mas tais mudanças eram feitas de modo aleatório e, ocorrendo, eram selecionadas de forma a manter o mais bem adaptado. As mutações não surgem de acordo com a necessidade, mas a necessidade determina as mutações que irão perdurar e as que serão eliminadas.

Os humanos, por exemplo, não tinham necessariamente de evoluir — qualquer uma de bilhões de possibilidades viáveis podia ter-se adaptado, tornando muito provável que algo sobreviveria à implacável seleção natural.

Eu li e reli esse trecho algumas vezes, mas ainda não entendi a relevância dele para o texto ou para a refutação do Design Inteligente. Mesmo que a Evolução fosse dada como algo muito provável e totalmente explicada sem nenhum “milagre evolutivo” – coisa que não acontece -, isso não resolveria o problema com as constantes universais com os valores adequados para possibilitar a vida na Terra e, portanto, o Design Inteligente ainda seria uma teoria válida.

Usar probabilidades, depois do fato consumado, é como um vencedor da lotaria que dissesse: “É altamente improvável que eu pudesse ganhar esta lotaria, portanto não devo ter ganho”.

E não é justamente isso que os que compram a loteria fazem? A chance de eles vencerem é muito menor que de eles perderem… É por isso que é mais sensato pensar que você perdeu e é uma tremenda surpresa se você ganhar. É lógico que isso não significa que você necessariamente perdeu. Mas o Design não defende que o Projetista necessariamente exista, defende que é muito provável que ele exista. Usando a analogia com a loteria: O Design afirma que é altamente provável que você perca(que haja um Designer para organizar tudo), e não que você necessariamente perderá. Negar o Design é jogar na loteria e dizer, antes do resultado, que você irá provavelmente(ou até certamente, segundo alguns neo-ateístas) vencer. Uma alegação que pode até ser real, mas vai contra todas as probabilidades. E olhe que ganhar na loteria é extremamente fácil se comparado a organização do Universo(comento melhor sobre isso aqui)

Os criacionistas deturpam muitas vezes a segunda lei da termodinâmica, que diz que a desordem aumenta num sistema fechado. A Terra, atualmente, é parte de um sistema aberto, recebe energia do sol. Conduzida pela entrada de energia solar (e outras formas de energia, como a química), a complexidade comumente aumenta, como no caso do crescimento de um embrião ou um cristal. Claro que por fim o sol arrefecerá e a vida na terra desaparecerá.

Nem dei muita importância a este trecho porque ele não tem nada a ver com o Design Inteligente conforme ele verdadeiramente é apresentado… A primeira tentativa de refutação falhou até mesmo na apresentação do argumento, quanto mais em sua refutação.

Written by catolicoresp

18/01/2012 at 19:00

Publicado em Análise de textos

Análise de texto: Refutação de alguns argumentos a favor da existência de Deus – Introdução

with 5 comments

Ir para [Texto na íntegra] – [Textos analisados] – [Página Inicial]

Eu estava curioso se algum dia me mandariam um texto com supostas refutações dos argumentos teístas – eu tinha visto poucos até aqui -, e não é que me mandaram? De fato, achei um texto(vejam aqui) que tem como objetivo refutar alguns argumentos Teístas.

O objetivo não foi alcançado. Em primeiro lugar, devido a argumentos que ninguém utiliza(A parte “Ciência”, por exemplo, é usado por neo-ateus com bastante frequência. Entre os Teístas, não vi nenhuma ocorrência até hoje). Em segundo lugar, devido a algumas coisas que simplesmente não são argumentos(A “Aposta de Pascal”). Em terceiro lugar, argumentos que foram expostos de maneira errada, ou seja, eram um espantalho(“Primeira Causa”, por exemplo). Por último, a simples falha na refutação do argumento, que em alguns casos chega a ser ridículo(Pro “Argumento Ontológico” o cara repete o argumento e diz que ele, por isso, é falso… Mas isso será visto mais adiante).

Ao menos da redação não dá pra reclamar: O texto é claro. Falacioso, com erros conceituais, com propagandas neo-ateístas(mais voltadas, ao meu ver, à degradação da imagem Teísta) e espantalhos, mas claro. Não é necessário ficar fazendo malabarismos para entender o texto, como acontece algumas vezes. De início, temos que analisar a introdução do texto,  e depois descascamos as refutações uma por uma… Vamos em frente?

Os teístas afirmam que existe um deus; os ateus não.

Os ateus não afirmam que existe um Deus(até porque, se o fizessem, seriam Teístas, não é?). É verdade, mas apenas parte da verdade. Além dos ateus não afirmarem a existência de Deus, eles afirmam a não existência. Quem simplesmente se abstém de responder se há ou não um Deus são os agnósticos, e não os ateus.

Pessoas religiosas desafiam frequentemente ateus a provarem que não há deus; mas isso revela um equívoco. Os ateus afirmam que a existência de deus não está provada, não afirmam que está provada a inexistência de deus. Em qualquer argumento, o ônus da prova está do lado daquele que faz a afirmação.

Acabo de descobrir que sou um ateu. Esquisito, não é? Sou um teísta ateu, pela definição do nosso colega. Eu afirmo que a existência de Deus não está provada, mas evidenciada(são coisas bem distintas). Mas é um tanto bizarro que um teísta seja também um ateu, o que revela o erro da definição do autor do texto(Dan Baker, segundo o site). É como dizer que sou um político apolítico. Ou um desmembrado com todos os membros do corpo… Enfim, uma contradição.

Portanto, basta usarmos a definição real de ateísmo(a negação da existência de Deus) que o problema é resolvido sem delongas. E, como nosso colega mesmo nos lembra, o ônus da prova está do lado de quem faz a afirmação. E é por isso que o ateu tem, sim, o ônus da prova, ao contrário do que afirmou Dan Baker.

Se uma pessoa afirma ter inventado um dispositivo antigravidade, não cabe a outros provar que tal coisa não existe. O crente tem de provar a sua afirmação.

Concordo. Desde que os outros não aleguem que tal dispositivo não existe. Se alegarem que o dispositivo não existe, então devem provar o que afirmam, pois apresentam uma crença que possuiu uma afirmação negativa(“não existe o dispositivo antigravidade”).

Todas as outras pessoas estão justificadas em recusar acreditar até que a evidência seja apresentada e substanciada.

Também concordo que eu não preciso acreditar se não há evidências. Contudo, o ateísmo é mais que “não acreditar”(vejam o post que coloquei como link ali em cima, no “ônus da prova”), é uma crença: A crença de que Deus não existe. Logo, possui uma alegação, na qual não preciso acreditar – e nem negar – se não houverem evidências de que ela seja real.

A analogia é clara, e serviria muito bem para o agnosticismo. Contudo, não serve para o ateísmo, que é uma crença tal como o Teísmo. Usando o exemplo: O Teísta seria o que crê na existência do dispositivo(deve evidenciá-la), o agnóstico o que não sabe se crê(espera por evidências a favor ou contra a existência de tal dispositivo) e o ateu o que crê que o dispositivo não existe(também deve evidenciar sua crença, oposta ao primeiro). Simples assim. A falta de evidências serve para a indecisão sobre a existência, mas não para a negação da existência

Alguns ateus acham que o argumento é confuso até que o termo “deus” seja tornado compreensível.

Estranho… “O argumento” é algo meio amplo… Será que Dan Baker podia passar a ser um pouco mais específico e dizer qual argumento ficaria confuso? Se são todos, porque ele não disse “os argumentos”? Qualquer argumento sobre qualquer coisa fica confuso se não se tem a definição de tal coisa, não é algo exclusivo para Deus. Por exemplo: Se me apresentarem argumentos para a Teoria da Evolução e eu não souber o que ela é(se o termo não for “compreensível), então eu vou, naturalmente, ficar confuso. Não porque os argumentos sejam ruins, mas porque eu não tenho noção da definição do que o argumento busca evidenciar.

Para resolver o problema, recomendo algo simples: Veja a crença do outro debatedor e você terá a definição de Deus conforme os parâmetros dele. Não entendo porque algum ateu ficaria sem compreender o termo “Deus”… Em todo caso, basta utilizar um dicionário ou até o google, na falta de um. Ou pergunte ao Teísta com o qual você conversa… Não é algo tão difícil.

Palavras como “espírito” e “sobrenatural” não têm qualquer coisa que lhes corresponda na realidade, e ideias como “onisciente” e “onipotente” são contraditórias. Por que discutir um conceito sem sentido?

Um monte de alegações sem evidências. Assume que “espírito” e “sobrenatural” não são reais e nos diz isso. Depois assume que onisciência e onipotência são contraditórios, mas não nos mostra um motivo para crer nisso… Se torna um tanto complicado debater assim. Ele também diz que o conceito é sem sentido… Mais uma vez sem evidenciar o que afirma. Dan Baker parece gostar de lançar alegações sem evidenciá-las…

No entanto, há muitas linhas de raciocínio teísta e têm sido escritos livros sobre cada uma delas. As seções seguintes resumem brevemente os argumentos e as refutações. O ateísmo é a posição base que permanece quando todas as alegações teístas são rejeitadas.

Falso. O agnosticismo é a posição base que permanece se são refutados todos os argumentos a favor da existência de Deus, e não o ateísmo.

Conclusão sobre a Introdução:

Um texto claro, de fato. Mas cheio de erros e alegações não evidenciadas. A propaganda neo-ateísta, até aqui, está fraca e só se mostra nas alegações não evidenciadas do autor.  Contudo, a parte mais interessante ainda não chegou: Ao longo do tempo estaremos vendo as tais refutações aos argumentos Teístas e aí sim a conversa se torna interessante.

Se eu tiver esquecido de comentar alguma coisa no texto de Dan Baker, seja pro lado  negativo ou pro lado positivo, por favor deixem seu comentário com as observações. Quanto mais completo meu texto ficar, melhor. E não desprezo nenhuma ajuda para isso.

Recomendação importante: Leiam o trecho do texto no site ateus.net antes de ler as refutações.

Written by catolicoresp

15/01/2012 at 19:00

Publicado em Análise de textos

Técnica: A Criação É Sem Sentido

with 14 comments

Ir para [Índice de Técnicas/Truques Lógicos] – [Página Inicial]

Essa técnica consiste em dizer que Deus criou tudo, mas o fez sem nenhum motivo. Assim sendo, Deus agiu como um louco(por ter criado aleatoriamente) e não como um ser racional e Onisciente.

Logo de início, me pergunto: Como assim? O primeiro problema é que o neo-ateu assume a priori que Deus não teve motivo algum o que é, obviamente, a Falácia da Petição de Princípio. Naturalmente, eles não irão desistir tão facilmente, e irão te exigir algum motivo para que Deus tenha criado. E ele pode tentar expor um problema mais organizado, da seguinte forma:

  1. Deus é perfeito
  2. Deus, portanto, não tem necessidades
  3. Deus sentiu necessidade de fazer a Criação(pois, senão, teria agido como um louco para a Criação do Universo)
  4. Portanto, Deus, se criou o Universo(Criação), não pode ser perfeito(pois teve uma necessidade)

Agora sim temos algo organizado, mas que continua tão problemático quanto o problema anterior… Logo de início, não ter necessidade de fazer algo não indica que eu o fiz sem motivo. Eu não tenho necessidade de jogar futebol, mas isso não significa que joguei futebol por uma decisão aleatória, eu posso gostar de fazê-lo. Mas, naturalmente, jogo futebol para uma satisfação pessoal. Consequentemente, isso não resolve o problema, uma vez que Deus, sendo perfeito, não precisa de nada a mais para se satisfazer(em relação a si próprio. Naturalmente, ele fica insatisfeito, por exemplo, com os pecados cometidos pelo homem – observação feita no comentário por Críticareligiosa).

Mas creio que o maior problema nele nem seja esse. Pelo que vejo, o maior problema é que Deus, sendo perfeito, é também Onibenevolente e Onipotente e, consequentemente, quer fazer o bem e tem poder para isso. Tal como eu posso ajudar uma velhinha a atravessar a rua apenas por bondade, e não por necessidade ou satisfação pessoal, Deus pode ter-nos feito por bondade, e não por necessidade ou satisfação pessoal(pois a satisfação pessoal também vai de encontro com a perfeição, pois se Deus é perfeito ele não pode ter necessidades).

Ou seja, a Criação do Universo, no caso acima, não foi contrária a perfeição de Deus e nem foi um ato de “loucura”. Coloquemos isso de forma organizada para facilitar o entendimento:

  1. Deus é perfeito
  2. Deus, portanto, é Onibenevolente e Onipotente
  3. É possível fazer algo bom sem motivadores externos(ou seja, por pura bondade)
  4. É possível que a Criação tenha sido feita por pura bondade
  5. Logo, é possível que Deus tenha feito a Criação e seja perfeito ao mesmo tempo

Conclusão:

A possibilidade de um ato bondoso sem nenhum outro motivador resolve o problema citado e, também, faz com que Deus tenha tido um propósito(ou seja, não foi por “loucura”) para a Criação(fazer o bem). Logo, Deus teve um propósito para a Criação(fazer o bem às suas Criaturas), mas não foi por uma necessidade, mas por pura vontade.

Se isso for possível, então a suposta contradição já está resolvida. Se o neo-ateu insistir no estratagema, basta que você exija que ele mostre que é impossível que haja o que foi suposto por nós para refutar o problema que o neo-ateu afirma existir. Somente com a impossibilidade lógica da nossa solução é que o tal problema passa a ser válido.

Written by catolicoresp

06/01/2012 at 19:00

Publicado em Técnica