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Apenas defendendo minha fé, e cético em relação aos ateus

Análise de texto: Refutação de alguns argumentos a favor da existência de Deus – Introdução

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Eu estava curioso se algum dia me mandariam um texto com supostas refutações dos argumentos teístas – eu tinha visto poucos até aqui -, e não é que me mandaram? De fato, achei um texto(vejam aqui) que tem como objetivo refutar alguns argumentos Teístas.

O objetivo não foi alcançado. Em primeiro lugar, devido a argumentos que ninguém utiliza(A parte “Ciência”, por exemplo, é usado por neo-ateus com bastante frequência. Entre os Teístas, não vi nenhuma ocorrência até hoje). Em segundo lugar, devido a algumas coisas que simplesmente não são argumentos(A “Aposta de Pascal”). Em terceiro lugar, argumentos que foram expostos de maneira errada, ou seja, eram um espantalho(“Primeira Causa”, por exemplo). Por último, a simples falha na refutação do argumento, que em alguns casos chega a ser ridículo(Pro “Argumento Ontológico” o cara repete o argumento e diz que ele, por isso, é falso… Mas isso será visto mais adiante).

Ao menos da redação não dá pra reclamar: O texto é claro. Falacioso, com erros conceituais, com propagandas neo-ateístas(mais voltadas, ao meu ver, à degradação da imagem Teísta) e espantalhos, mas claro. Não é necessário ficar fazendo malabarismos para entender o texto, como acontece algumas vezes. De início, temos que analisar a introdução do texto,  e depois descascamos as refutações uma por uma… Vamos em frente?

Os teístas afirmam que existe um deus; os ateus não.

Os ateus não afirmam que existe um Deus(até porque, se o fizessem, seriam Teístas, não é?). É verdade, mas apenas parte da verdade. Além dos ateus não afirmarem a existência de Deus, eles afirmam a não existência. Quem simplesmente se abstém de responder se há ou não um Deus são os agnósticos, e não os ateus.

Pessoas religiosas desafiam frequentemente ateus a provarem que não há deus; mas isso revela um equívoco. Os ateus afirmam que a existência de deus não está provada, não afirmam que está provada a inexistência de deus. Em qualquer argumento, o ônus da prova está do lado daquele que faz a afirmação.

Acabo de descobrir que sou um ateu. Esquisito, não é? Sou um teísta ateu, pela definição do nosso colega. Eu afirmo que a existência de Deus não está provada, mas evidenciada(são coisas bem distintas). Mas é um tanto bizarro que um teísta seja também um ateu, o que revela o erro da definição do autor do texto(Dan Baker, segundo o site). É como dizer que sou um político apolítico. Ou um desmembrado com todos os membros do corpo… Enfim, uma contradição.

Portanto, basta usarmos a definição real de ateísmo(a negação da existência de Deus) que o problema é resolvido sem delongas. E, como nosso colega mesmo nos lembra, o ônus da prova está do lado de quem faz a afirmação. E é por isso que o ateu tem, sim, o ônus da prova, ao contrário do que afirmou Dan Baker.

Se uma pessoa afirma ter inventado um dispositivo antigravidade, não cabe a outros provar que tal coisa não existe. O crente tem de provar a sua afirmação.

Concordo. Desde que os outros não aleguem que tal dispositivo não existe. Se alegarem que o dispositivo não existe, então devem provar o que afirmam, pois apresentam uma crença que possuiu uma afirmação negativa(“não existe o dispositivo antigravidade”).

Todas as outras pessoas estão justificadas em recusar acreditar até que a evidência seja apresentada e substanciada.

Também concordo que eu não preciso acreditar se não há evidências. Contudo, o ateísmo é mais que “não acreditar”(vejam o post que coloquei como link ali em cima, no “ônus da prova”), é uma crença: A crença de que Deus não existe. Logo, possui uma alegação, na qual não preciso acreditar – e nem negar – se não houverem evidências de que ela seja real.

A analogia é clara, e serviria muito bem para o agnosticismo. Contudo, não serve para o ateísmo, que é uma crença tal como o Teísmo. Usando o exemplo: O Teísta seria o que crê na existência do dispositivo(deve evidenciá-la), o agnóstico o que não sabe se crê(espera por evidências a favor ou contra a existência de tal dispositivo) e o ateu o que crê que o dispositivo não existe(também deve evidenciar sua crença, oposta ao primeiro). Simples assim. A falta de evidências serve para a indecisão sobre a existência, mas não para a negação da existência

Alguns ateus acham que o argumento é confuso até que o termo “deus” seja tornado compreensível.

Estranho… “O argumento” é algo meio amplo… Será que Dan Baker podia passar a ser um pouco mais específico e dizer qual argumento ficaria confuso? Se são todos, porque ele não disse “os argumentos”? Qualquer argumento sobre qualquer coisa fica confuso se não se tem a definição de tal coisa, não é algo exclusivo para Deus. Por exemplo: Se me apresentarem argumentos para a Teoria da Evolução e eu não souber o que ela é(se o termo não for “compreensível), então eu vou, naturalmente, ficar confuso. Não porque os argumentos sejam ruins, mas porque eu não tenho noção da definição do que o argumento busca evidenciar.

Para resolver o problema, recomendo algo simples: Veja a crença do outro debatedor e você terá a definição de Deus conforme os parâmetros dele. Não entendo porque algum ateu ficaria sem compreender o termo “Deus”… Em todo caso, basta utilizar um dicionário ou até o google, na falta de um. Ou pergunte ao Teísta com o qual você conversa… Não é algo tão difícil.

Palavras como “espírito” e “sobrenatural” não têm qualquer coisa que lhes corresponda na realidade, e ideias como “onisciente” e “onipotente” são contraditórias. Por que discutir um conceito sem sentido?

Um monte de alegações sem evidências. Assume que “espírito” e “sobrenatural” não são reais e nos diz isso. Depois assume que onisciência e onipotência são contraditórios, mas não nos mostra um motivo para crer nisso… Se torna um tanto complicado debater assim. Ele também diz que o conceito é sem sentido… Mais uma vez sem evidenciar o que afirma. Dan Baker parece gostar de lançar alegações sem evidenciá-las…

No entanto, há muitas linhas de raciocínio teísta e têm sido escritos livros sobre cada uma delas. As seções seguintes resumem brevemente os argumentos e as refutações. O ateísmo é a posição base que permanece quando todas as alegações teístas são rejeitadas.

Falso. O agnosticismo é a posição base que permanece se são refutados todos os argumentos a favor da existência de Deus, e não o ateísmo.

Conclusão sobre a Introdução:

Um texto claro, de fato. Mas cheio de erros e alegações não evidenciadas. A propaganda neo-ateísta, até aqui, está fraca e só se mostra nas alegações não evidenciadas do autor.  Contudo, a parte mais interessante ainda não chegou: Ao longo do tempo estaremos vendo as tais refutações aos argumentos Teístas e aí sim a conversa se torna interessante.

Se eu tiver esquecido de comentar alguma coisa no texto de Dan Baker, seja pro lado  negativo ou pro lado positivo, por favor deixem seu comentário com as observações. Quanto mais completo meu texto ficar, melhor. E não desprezo nenhuma ajuda para isso.

Recomendação importante: Leiam o trecho do texto no site ateus.net antes de ler as refutações.

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Written by catolicoresp

15/01/2012 às 19:00

Publicado em Análise de textos

5 Respostas

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  1. Até concordo.

    Afirmar que Júpiter não é o deus supremo, que não há abusos sexuais de extra-terrestres, que Cristo não amaldiçoou uma figueira por fora da época dos figos não lhe dar figos, que Maomé não voou num cavalo alado ou que uma bruxa, mediante pagamento prévio, adivinha o futuro é mera fé.

    Não podemos afirmar – com uma grande certeza – que nada disto, como o livro de S. Cipriano (o de capa dura e autentico) – sejam meros disparates.

    O que podemos dizer – e isto já com uma grande certeza – é que são hipóteses não testadas. Portanto com valor igual.

    No fundo a posição ateia :

    – Eu tenho a certeza que os deuses e a mula-sem-cabeça não existem. Ponto final.

    É uma questão de fé.

    Se se demonstrar que Oxum existe, que é sobrenatural, que isto e mais aquilo lá terão os ateus que mudar – se forem honestos – de posição.

    Até lá o que me parece mais lógico é esperar por mais evidências.

    joao melo de sousa

    15/01/2012 at 21:39

    • Pra começar, você(mais uma vez) falou muito e não disse nada. Não refutou argumento algum a favor da existência de Deus, mas diz que eles não seriam válidos(ou então você não teria dito que é “mera fé”). Ademais, da falta de evidências se deduz que não se sabe sobre a existência ou não de tal coisa, e não que tal coisa não existe.

      Se eu digo que tenho uma prima Gumercinda pra uma pessoa desconhecida: Ela não tem evidências da existência da minha prima Gumercinda além da minha palavra, mas ele não vai deduzir, portanto, que eu NÃO TENHO uma prima Gumercinda, mas que ele NÃO SABE se eu tenho. O mesmo ocorre com o ateísmo: A falta de evidências só serve para justificar o AGNOSTICISMO.

      E, se você despreza as evidências que lhe são apresentadas, dê apenas UM motivo para isso. Ou então você terá apenas perdido uma ótima oportunidade de ficar calado.

      catolicoresp

      03/02/2012 at 12:35

  2. Muito bom o seu texto. Aconselharia a colocar “refutações”(quando for falar de Dan Baker), pois o que ele faz são tentativas furadas de refutar(o Dan Baker).
    Não sei se eu entendi bem, mas você postará a continuação né?
    Abraços!

    Matheus

    16/01/2012 at 12:52

    • Pois é, o cara é um tanto ruim. Desculpe a demora para responder, sairão(e ainda estão saindo) mais posts sobre o restante do texto dele sim.
      Abraço.

      catolicoresp

      03/02/2012 at 12:28

  3. Saudações

    A ciência é tão limitada quanto os argumentos daqueles que á defendem.
    Vou citar um história bem clássica e bem adaptável para este cientismo pós-moderno.

    O BOLO DA TIA MATILDE

    Tia Matilde assou um delicioso bolo e elevou o mesmo bolo para que um grupo de cientistas fascinado pelo cientismo analisassem.
    Os cientistas da nutrição nos darão explicações sobre a quantidade de calorias do bolo e seus valores nutrionais. Os bioquímicos nos darão informações sobre a estrutura das proteínas, gorduras e outros componentes do bolo. Os químicos, sobre os elementos envolvidos em sua composição. já os físicos poderão analisar o bolo em termos de suas partículas fundamentais.
    Os matemáticos, nos apresentarão sem dúvida um conjunto de elegantes equações descrevendo o comportamento daquelas partículas.

    Agora que esses “especialistas” cada um em relaçao a sua disciplina específica, nos deram uma descrição exaustiva do bolo, podemos dizer se eles seriam, capaz mesmo de saber para que propósito dona Matilde fez o delicioso bolo? Eles seriam leigos em responder.

    Nem a física, bioquimica e a matemática seriam capaz de responder esta pergunta.

    O propósito da vida e da origem do universo não compete a ciência.
    Quem acredita mesmo que a ciência pode nos dar explicações para as complexidades existentes no sistema, irá morrer no obscurantismo.

    Isaías Alves

    Isaías Alves

    21/08/2012 at 20:49


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