catolicoresp

Apenas defendendo minha fé, e cético em relação aos ateus

Análise de texto: Refutação de alguns argumentos a favor da existência de Deus – Design

leave a comment »

Ir para [Texto na íntegra][Textos analisados][Página Inicial]

Antes de ler esse texto, recomendo a leitura da Introdução

A primeira promete: Refutação do Design Inteligente. Sempre tive vontade de ver isso! Vamos lá.

Apresentação do argumento por Dan Baker:

“De onde veio tudo? Como é que explica a ordem complexa do universo? Não posso acreditar que a beleza da natureza simplesmente apareceu por acidente. O design requer um projetista.”

Isso não é o argumento do Design Inteligente por completo… Primeiro, a pergunta “de onde veio tudo” não tem nada a ver com o Design Inteligente. Em segundo, a ordem complexa do Universo, por si só, também não é do Design. O que caracteriza o Design é a improbabilidade do Universo ter os parâmetros exatos para favorecer a nossa vida, e não a complexidade do Universo puramente. E, definitivamente, a beleza da natureza não tem nada a ver com o Design Inteligente.

Porque Dan Baker não usou a típica e simples analogia com o relógio?

Este argumento limita-se a pressupor que é verdade aquilo que quer provar. Qualquer tentativa de “explicar” algo requer um contexto mais amplo dentro do qual a explicação pode ser compreendida. Pedir uma explicação do “universo natural” é simplesmente pedir um “universo mais amplo”.

Só um comentário: ÃHN?! Onde ele viu a Petição de Princípio no argumento? E sim, estou utilizando a definição que ele propôs. Não basta dizer que há uma petição de princípio, é necessário mostrá-la. E, de fato, pedir a explicação de algo é exigir um contexto mais amplo(parte do “objeto” para o “objeto e sua explicação”)… Mas isso não significa que você pediu um “objeto mais amplo”. Se eu pedir a explicação da origem e composição do carro isso significa que eu estou pedindo um “carro mais amplo“? Não me parece fazer muito sentido…

O universo é “tudo que existe”. Não é uma coisa. Um deus certamente seria uma parte de “tudo que existe”, e se o universo requer uma explicação, então deus requer um [outro] deus, ad infinitum.

Erro grosseiro, mas simples: Ele usa da Petição de Princípio. Assume a priori que o Universo é tudo o que existe e diz que, portanto, Deus teria que existir no Universo. Mas não evidencia, de maneira alguma, que o Universo é tudo o que existe.

A mente de um deus seria pelo menos tão complexa e ordenada quanto o resto da natureza e estaria sujeita à mesma pergunta: Quem fez deus? Se um deus pode ser encarado como eterno, então o universo também pode ser encarado como eterno.

De fato, o Universo poderia ser encarado como eterno… Se isso não fosse contraditório com as evidências que temos atualmente. A Teoria atual é a do Big-Bang. Segundo ela, o Universo não é eterno. Se você defende um Universo eterno, você está indo contra as evidências Científicas e deve se virar para evidenciar seu ponto de vista, ou acreditar nele por fé cega e contra as evidências. Até aqui, as evidências são de um Universo que teve princípio e, portanto, não é eterno. Tratar o Universo como eterno é ir contra as evidências.

Há design no universo, mas falar de design do universo é apenas semântica teísta. O design que observamos na natureza não é necessariamente inteligente. A vida é o resultado do “design” não-consciente da seleção natural.

A parte sobre a semântica Teísta não fez muito sentido para mim… E discordo que o design presente na natureza é necessariamente inteligente. Só acho que é bastante difícil conceber isso – e de fato é difícil, falando em probabilidades – como obra do acaso e sem um Designer Inteligente. O argumento que Dan Baker visa refutar não diz que é impossível que tal ordem tenha surgido ao acaso, diz que é altamente improvável e por isso preferimos crer que há um Designer Inteligente.

No final, Dan Baker usa-se de petição de princípio novamente, já que ele simplesmente assume que “a vida é resultado do design não consciente da seleção natural”. De fato, somos fruto da Seleção Natural, mas o “não-consciente” fica por conta do autor, que simplesmente assumiu isso na sua redação.

A ordem no cosmos vem do “design” da regularidade natural.  Não há qualquer necessidade de uma explicação mais ampla.

O Design não nega que a ordem do cosmos vem da regularidade natural. Ao contrário, o Design concorda com ela e usa-a para a sua argumentação! Nós questionamos como surgiu essa regularidade natural, já que é extremamente improvável que fosse tudo armado aleatoriamente de forma perfeita para a existência de nossa vida. Nós questionamos justamente de onde vem o “design”da regularidade natural”, nós não negamos tal design. Negá-lo seria destruir o próprio argumento do Design Inteligente.

Ele afirma que não há necessidade de uma explicação mais ampla, mas não nos mostra o porquê… Tudo indica que há inteligência no Design do Universo, porque negar isso? Porque Dan Baker quer? Acho que os desejos de Dan Baker não necessariamente refletem a verdade.

O argumento do design baseia-se na ignorância, não em fatos. O fracasso em solucionar um enigma natural não significa que não há resposta.

Como é? Não é um fato que a ordem natural existe? E não é um fato que é improvável que ela tenha passado a existir de forma aleatória? O tal Enigma Natural tem uma resposta, se for observado o Design Inteligente: Um Criador.

Durante milênios os humanos têm criado respostas míticas para “mistérios” como o trovão e a fertilidade. Mas quanto mais aprendemos, menos precisamos de deuses. A crença em deus é apenas responder a um mistério com outro mistério e, consequentemente, não responde a nada.

Ou o Universo foi organizado, ou não. Se foi organizado, teve um organizador. O organizador seria Deus. O que há de tão  misterioso nisso? Só usamos os fatos que observamos na natureza e percebemos que provavelmente há um ser Inteligente por trás de tal organização.

Apresentação do argumento por Dan Baker:

“O universo é governado por leis naturais. Leis requerem um legislador. Tem de existir um Governador Divino.”

O que isso tem a ver com o Design?

Uma lei natural é uma descrição, não é uma prescrição. O universo não é “governado” por coisa alguma. As leis naturais são meramente concepções humanas sobre o modo como as coisas normalmente reagem, não são mandamentos sobre o comportamento, como no caso de leis sociais.

Não tenho objeções a fazer nessa parte, tirando em relação a petição de princípio de que “O universo não é “governado” por coisa alguma”, o que também não significa que eu creia que Deus controla tudo o tempo inteiro e não nos dá liberdade.

Se o argumento do design fosse válido, a mente de um deus seria igualmente “governada” por algum princípio de ordem, o que requereria um legislador superior.

Não vejo essa necessidade. Se você defende isso, evidencie. Não vejo nenhum motivo para acreditar nisso, mesmo que o (verdadeiro) argumento do Design Inteligente tivesse a ver com legisladores e leis. Uma constante universal natural – como a Constante Gravitacional – não é uma lei a ser legislada e, portanto, essa apresentação do Design Inteligente nada tem a ver com a argumentação real.

Apresentação do argumento por Dan Baker:

“É impossível que a complexidade da vida tenha ocorrido por acidente, e a segunda lei da termodinâmica, que diz que todos os sistemas tendem para a desordem, torna a evolução impossível. Era necessário um Criador.”

O Design Inteligente não afirma que é impossível que tenha ocorrido por acidente. Afirma que é improvável. E o Design também não afirma que a Evolução aleatória é impossível, mas improvável.

Estas objeções pseudocientíficas baseiam-se em erros. Nenhum biólogo afirma que organismos apareceram subitamente num passo de mutação “acidental”. A evolução é a acumulação gradual de pequenas mudanças ao longo de milhões de gerações de adaptação ao ambiente.

Uma das teses para a Origem da Vida é justamente que foi tudo feito aleatoriamente, segundo a Ciência. Não conheço uma parte da Ciência que diz que a vida teve origem de forma organizada, mas até aqui o que estudei apenas dizia “ao acaso”, “de forma aleatória”… E as mutações, depois que a vida surge, são acidentais, e não propositais. Cuidado para não confundir a teoria de Darwin(mutações aleatórias e seleção dos mais adaptados) com a de La Mark(regra do uso e desuso).

E, de fato, a Evolução é a acumulação de pequenas mudanças ao longo de milhões de gerações, mas tais mudanças eram feitas de modo aleatório e, ocorrendo, eram selecionadas de forma a manter o mais bem adaptado. As mutações não surgem de acordo com a necessidade, mas a necessidade determina as mutações que irão perdurar e as que serão eliminadas.

Os humanos, por exemplo, não tinham necessariamente de evoluir — qualquer uma de bilhões de possibilidades viáveis podia ter-se adaptado, tornando muito provável que algo sobreviveria à implacável seleção natural.

Eu li e reli esse trecho algumas vezes, mas ainda não entendi a relevância dele para o texto ou para a refutação do Design Inteligente. Mesmo que a Evolução fosse dada como algo muito provável e totalmente explicada sem nenhum “milagre evolutivo” – coisa que não acontece -, isso não resolveria o problema com as constantes universais com os valores adequados para possibilitar a vida na Terra e, portanto, o Design Inteligente ainda seria uma teoria válida.

Usar probabilidades, depois do fato consumado, é como um vencedor da lotaria que dissesse: “É altamente improvável que eu pudesse ganhar esta lotaria, portanto não devo ter ganho”.

E não é justamente isso que os que compram a loteria fazem? A chance de eles vencerem é muito menor que de eles perderem… É por isso que é mais sensato pensar que você perdeu e é uma tremenda surpresa se você ganhar. É lógico que isso não significa que você necessariamente perdeu. Mas o Design não defende que o Projetista necessariamente exista, defende que é muito provável que ele exista. Usando a analogia com a loteria: O Design afirma que é altamente provável que você perca(que haja um Designer para organizar tudo), e não que você necessariamente perderá. Negar o Design é jogar na loteria e dizer, antes do resultado, que você irá provavelmente(ou até certamente, segundo alguns neo-ateístas) vencer. Uma alegação que pode até ser real, mas vai contra todas as probabilidades. E olhe que ganhar na loteria é extremamente fácil se comparado a organização do Universo(comento melhor sobre isso aqui)

Os criacionistas deturpam muitas vezes a segunda lei da termodinâmica, que diz que a desordem aumenta num sistema fechado. A Terra, atualmente, é parte de um sistema aberto, recebe energia do sol. Conduzida pela entrada de energia solar (e outras formas de energia, como a química), a complexidade comumente aumenta, como no caso do crescimento de um embrião ou um cristal. Claro que por fim o sol arrefecerá e a vida na terra desaparecerá.

Nem dei muita importância a este trecho porque ele não tem nada a ver com o Design Inteligente conforme ele verdadeiramente é apresentado… A primeira tentativa de refutação falhou até mesmo na apresentação do argumento, quanto mais em sua refutação.

Anúncios

Written by catolicoresp

18/01/2012 às 19:00

Publicado em Análise de textos

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: