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Apenas defendendo minha fé, e cético em relação aos ateus

Análise de texto: Refutação de alguns argumentos a favor da existência de Deus – Experiência Pessoal

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Eu me pergunto como se refuta uma experiência pessoal… É algo um tanto estranho, como dizer: “Não, meu caro, não foi isso o que você sentiu”. Mas não custa ler o que Dan Baker tem a dizer sobre isso, não é?

Apresentação do argumento por Dan Baker:

“Milhões de pessoas conhecem pessoalmente Deus através de uma experiência espiritual interior.”

É basicamente isso, sim, a experiência pessoal.

A maioria dos teístas afirma que o seu deus particular pode ser conhecido através de meditação e oração, mas essas experiências não apontam para algo exterior à mente. O misticismo pode ser explicado psicologicamente; não é necessário complicar a nossa compreensão do universo com suposições fantasiosas. Sabemos que muitos humanos habitualmente inventam mitos, ouvem vozes, têm alucinações e falam com amigos imaginários. Não sabemos que existe um deus.

Ele afirma que as experiências não apontam para algo exterior à mente, mas não prova. Diz que pode ter explicações psicológicas, mas isso não significa que a experiência não foi verdadeira ou que Deus não se manifestou em tal evento.

Depois, ele manda a propaganda neo-ateísta dizendo que são “suposições fantasiosas”… Naturalmente, eu peço que ele evidencie que são fantasiosas, e não simplesmente alegue isso, pois a simples alegação é uma Petição de Princípio que eu estou pouco inclinado a aceitar. E, naturalmente, o fato de que muitos humanos inventam mitos, têm alucinações e falam com amigos imaginários não significa que qualquer tipo de experiência pessoal seja falsa.

Até porque algumas experiências pessoais são relacionados a milagres – por exemplo a conversão de São Paulo Apóstolo -, que teriam que ter sido alucinações coletivas idênticas… E eu nunca vi nada desse tipo. Ademais, a experiência pessoal é uma boa evidência pessoal e acho um tanto complicado usar isso em debates.

Há milhões de crentes em deus; mas essa é uma declaração sobre a Humanidade, não sobre deus. A verdade não é algo que se alcança através do voto. As religiões surgiram para lidar com a morte, fraqueza, sonhos e medo do desconhecido. São mecanismos poderosos para dar sentido à vida e identidade pessoal/cultural. Mas as religiões diferem radicalmente umas das outras, e apelos à experiência interior apenas pioram o conflito.

Dan Baker só pode estar ficando maluco… Esse parágrafo não tem nada a ver com a experiência pessoal(salvo o seu final que vou comentar em breve), só usou ele para fazer propaganda neo-ateísta.

Não conheço Teístas que afirmam que um grande número de crentes indica a existência de Deus. E, se há algum Teísta que alega isso, ele está errado. A alegação dele de que “as religiões foram criadas para lidar com a morte, fraqueza, sonhos e medo do desconhecido” não coincide com a realidade da criação do Cristianismo, como eu já falei. Ao contrário, em sua origem o Cristianismo gerou morte e perseguição dos Cristãos. Ser perseguido não me parece um bom jeito de lidar com a fraqueza e com a morte. E mesmo que todas as alegações de Dan Baker sobre a origem das religiões fossem verdadeiras isso não serviria para provar que Deus não existe, pois configuraria-se em uma Falácia Genética.

E, naturalmente, a diferença entre as religiões não ajuda em nada a realidade ou falsidade das experiências pessoais, então foi uma alegação solta sem validade alguma para o objetivo do autor.

Apresentação do argumento por Dan Baker:

“Os ateus não têm discernimento espiritual e dificilmente poderiam criticar a experiência teísta de Deus. Isso seria como uma pessoa cega negando a existência das cores.”

Eu não usaria a palavra discernimento, mas a palavra experiência. Mas a analogia faz sentido: Se um ateísta que não teve experiências pessoais com Deus faz comentários sobre isso, é como um cego que quer comentar sobre as cores. Oras, ele não tem uma experiência pessoal com Cristo, como vai comentá-la? E, mesmo que ele tenha tido, como vai comentar a experiência pessoal alheia?

Muitos teístas afirmam que deus é conhecido através de uma sensibilidade “espiritual”. Mas será que a fé é um “sexto sentido” que detecta outro mundo? Céticos negam que tal coisa exista.

Céticos não negam que tal coisa exista, a não ser que tenham provas para isso. Céticos,  na falta de evidências, ficariam em dúvida sobre a existência de tal coisa. E a fé não é um sexto sentido que detecta outro mundo nem mesmo na configuração do argumento que Dan Baker apresentou!

A experiência pessoal não ocorre de acordo com a quantidade de fé da pessoa. Não é raro que Deus se utilize de toques pessoais em pessoas de pouca fé, mas quando essas mesmas pessoas atingem uma maturidade maior na fé suas experiências pessoais, Deus deixe de concedê-la essa experiência pessoal. Porque? Para que aí sim a pessoa possa se aproximar de Deus por amor. É fácil ir rezar e adorar a Deus quando você fica todo emocionado, mas o verdadeiro amor se revela quando ocorre tal reza e adoração mesmo quando não há vontade de fazê-lo.

Ou seja, a experiência pessoal não é necessariamente uma contante para as pessoas de fé, então não é a fé por si só que “detecta outro mundo”.

A analogia com o cego não é apropriada porque as pessoas cegas não negam o sentido da visão, nem negam que as cores existam. Os cegos e os que veem vivem no mesmo mundo, e ambos podem compreender os princípios naturais envolvidos.

Desculpe, mas ele acabou de me dizer que Teístas e Ateus vivem em mundos diferentes? Ele diz que um dos motivos da analogia ser falha é porque “os cegos e os que veem vivem no mesmo mundo, e ambos podem compreender os princípios naturais envolvidos”… Creio eu que os Teístas e Ateus também vivem no mesmo mundo…

Ademais, os cegos de fato não costumam negar o sentido da visão, o que os difere dos ateus(em relação às experiências pessoais). O ateu é como um cego que nega o sentido da visão: Ele nega a experiência pessoal simplesmente por não ter tido ela, tal como um cego que nega a existência da visão simplesmente por não tê-la. Não lhes pareceria estranho que um cego dissesse que, porque ele não pode ver, a visão não existe? Também me parece estranho, então, que um ateu negue a experiência pessoal como algo real sem ter tido uma com a qual comparar. E, mesmo que ele tivesse tido, isso não significa que sua comparação fosse ser verdadeira.

O caminho da luz pode ser traçado através de um olho normal até ao cérebro. As frequências podem ser explicadas e o espectro pode ser experimentado independentemente da visão. A existência da cor não precisa ser aceita através da fé.

Bom, a questão da fé eu já comentei, mas comento brevemente aqui novamente: A existência da cor precisa sim ser aceita por fé. Por pouca fé, mas por fé. A cor pode ser uma mera ilusão da minha mente e não existir de fato. Não estou dizendo que é insensato acreditar que existem cores, estou dizendo que ainda é necessário que haja fé, só isso.

Ademais, vou usar um exemplo mais simples: Imagine um daltônico que vê o verde e o amarelo como uma cor só. Se eu lhe mostrar um prisma ou um arco-íris, verei uma cor a mais que o daltônico. Eu posso até dizer a ele: Da frequência x à frequência y, é o amarelo,  da frequência z à frequência k é o verde. E ele pode negar isso, dizendo que os dois são iguais. E ele estaria achando que está certo, pois as cores estariam iguais segundo a visão dele! Usar as frequências para explicar as cores não impede que o daltônico negue que são duas cores diferentes. Afinal, ele ainda vê cores iguais.

O teísta, porém, não apresenta qualquer meio independente de testar o discernimento “espiritual”, portanto temos de duvidar disso.

Pra começar, você não precisa acreditar. O que é diferente de negar, que é o que o ateísmo faz. Ademais, a experiência é pessoal, é óbvio que não iria ter um meio independente para testá-la! Se houvesse como ficar testando experiências pessoais alheias, não seriam experiências pessoais.

O cético não nega a realidade de experiências religiosas subjetivas, mas sabe que podem ser explicadas psicologicamente sem referência a um domínio supostamente transcendente.

Aleluia ele acertou em algo(“O cético não nega a realidade de experiências religiosas subjetivas“)! Contudo, ter uma explicação psicológica não significa que não houve nada além daquilo. Logo, mesmo que seja apresentada uma explicação por parte da Psicologia, isso não serve para caracterizar a experiência como falsa.

 A afirmação implícita de que os teístas são os únicos seres humanos “completos” é infundada e arrogante.

Que afirmação implícita? Propaganda neo-ateísta que visa denegrir a imagem Teísta usada novamente. De início, porque ele não provou que a alegação é infundada. E se não for uma alegação infundada ela não terá nada de arrogante. No fim, porque não achei ainda tal alegação implícita.

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Written by catolicoresp

21/01/2012 às 19:00

Publicado em Análise de textos

3 Respostas

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  1. “Muitos teístas afirmam que deus é conhecido através de uma sensibilidade “espiritual”. Mas será que a fé é um “sexto sentido” que detecta outro mundo? Céticos negam que tal coisa exista.”

    Acrescentando um pouquinho a esse “argumento” de Dan Baker:

    O problema dos “céticos” com o sobrenatural é uma petição de princípio: eles partem da premissa de que não há nada além da matéria, e a partir daí afirmam que qualquer coisa não explicada é alguma lei natural que ainda não foi descoberta. Faz sentido? A princípio, até concordo: *pode* ser algo que ainda não foi explicado, mas pode também não ser.

    Os ateus vivem pedindo provas da existência de Deus, tipo “se Deus descesse aqui agora e dissesse ‘eu existo’, eu acreditaria”. Pois eu duvido muito disso: se realmente Deus descesse na frente de um neo-ateu fundamentalista, é muito mais provável que ele achasse que está tendo visões e atribuísse essa prova cabal da existência de Deus a algum delírio e arrumasse uma explicação psicológica qualquer.

    Outro problema é assumir por definição que um dia isso será explicado, ou seja: uma questão de fé. Ora, se ver algo não explicado e afirmar que é Deus é “Deus nas lacunas”, ver algo não explicado e afirmar que a Ciência vai explicar um dia é “Ciência nas lacunas”. O interessante é que eles dão chiliques ao ver a primeira afirmação, mas defendem a segunda como um dogma, com uma fé de dar inveja a qualquer jihadista…

    criticareligiosa

    09/02/2012 at 21:28

  2. Quanto ao seu texto “a cor pode ser uma mera ilusão da minha mente e não existir de fato”:
    As cores *não* existem “de fato”. O que existe são diferentes frequências de onda de fótons. O que vemos é uma imagem gerada pelo nosso cérebro em resposta a esses comprimentos de onda.

    Outro ponto interessante desse “argumento” dos cegos é que um ateu cego que queira ser coerente tem a *obrigação* de não acreditar nas cores. Afinal, um cego *realmente* cético vai concordar que um fóton pode ter vários comprimentos de onda, pois pode observar isso, mas nunca vai poder aceitar que esses comprimentos de onda geram cores visíveis às outras pessoas, pois isso é claramente um salto de fé para ele.

    criticareligiosa

    09/02/2012 at 21:41

  3. “O teísta, porém, não apresenta qualquer meio independente de testar o discernimento “espiritual”, portanto temos de duvidar disso.”

    Petição de princípio grosseira… O teísta não apresenta um meio independente de testar uma experiência pessoal simplesmente porque isso é *impossível*. Se eu for abduzido por extra-terrestres quando estava sozinho e ninguém viu, me diga: como diabos eu posso provar o que aconteceu?

    Haja desonestidade, Batman…

    criticareligiosa

    09/02/2012 at 21:45


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