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Apenas defendendo minha fé, e cético em relação aos ateus

Análise de texto: Refutação de alguns argumentos a favor da existência de Deus – Moralidade

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Apresentação do argumento por Dan Baker:

“Todos nós temos um sentido do certo e do errado, uma consciência que nos coloca sob uma lei superior. Este apelo moral universal aponta para fora da Humanidade. É consistente que Deus, um ser não-físico, se relacionasse conosco através de tal meio sublime.”

Temos uma moral intrínseca a nós e algo que nos faz querer seguí-la e nos sentir mal quando não fazemos isso… Tanto é assim que achamos que alguém que não sente remorso em matar tem algum tipo de problema. Dessa forma, algo fez com que tal Lei Moral(Objetiva) existisse e fosse parte de nós, e a explicação mais plausível é algo externo como, por exemplo, Deus, que justificará o bem e o mal(ou então não faz sentido seguir tais Leis Morais). É, creio que a definição de Dan Baker está satisfatória.

Aqui está outro argumento baseado na ignorância. Os sistemas éticos baseiam-se no valor que os humanos atribuíram à vida: “bem” é aquilo que melhora a vida, e “mal” é aquilo que a ameaça. Não precisamos de uma divindade para nos dizer que é errado matar, mentir ou roubar. Os humanos sempre tiveram o potencial para usar as suas mentes para determinar o que é bondoso e razoável.

Os valores éticos, se são intrínsecos(como trata o argumento Moral), não podem ser de origem humana. Dan Baker tenta refutar o argumento da seguinte forma: Não é assim e pronto. Um tanto complicado. Até porque a definição de bem e mal feita por ele é insatisfatória… Ele diz que bem é aquilo que melhora a vida e mal aquilo que a ameaça, mas isso é relativo! De início, porque ele não especifica a vida de quem… Se eu definir que é a minha, então eu posso assassinar se eu me sentir confortável com isso. Isso que nem citei ainda a necrofilia, que não prejudica a vida do defunto(naturalmente), mas melhora a vida do ser que usa o finado como objeto sexual… Agora a necrofilia é moralmente boa? Me parece que não…

Depois, ele nos lembra que nunca precisamos de uma divindade para nos dizer que é errado matar, mentir ou roubar, e eu concordo com ele. Justamente porque creio que a moral é intrínseca a nós(embora as vezes nos nos esforcemos para ignorá-la)… Dizer que nós sabemos o que é certo ou errado “de cor” apenas auxiliou o Argumento Moral.

Não existe um “apelo moral universal” e nem todos os sistemas éticos concordam entre si.

Perfeito, mas o Argumento Moral não nega isso. O Argumento Moral afirma que há certos pontos que são indubitavelmente coincidentes, como a consideração do assassinato de seus semelhantes como algo mal e a coragem como algo bom. É  nisso que se baseia o Argumento Moral, que não diz que toda a moral é facilmente conhecida, mas que há partes dela que são demasiadas óbvias e por isso são idênticas em qualquer sociedade.

Poligamia, sacrifícios humanos, canibalismo (eucaristia), espancamento da esposa, automutilação, guerra, circuncisão, castração e incesto são ações perfeitamente “morais” em algumas culturas. Será que deus está confuso?

Um monte de acusações sem evidências, apenas para fazer propaganda negativa do Teísmo…

É contraditório chamar a deus “ser não-físico”. Um ser tem de existir como alguma forma de massa no espaço e no tempo. Os valores residem no interior dos cérebros físicos, portanto se a moralidade aponta para “deus”, então nós somos deus: o conceito de deus é simplesmente uma projeção de ideais humanos.

Ele, primeiramente, decidiu que tudo que existe precisa ser Físico… Alegação facilmente falseável. Basta ver o seu passado, que não é Físico, mas nem por isso deixou de existir. Sua mente e seus pensamentos não são físicos – embora o cérebro que os faz seja -, mas ainda assim existem. Nem tudo o que existe precisa ser de natureza física e assumir forma no espaço-tempo…

Ademais, os valores de fato residem nos cérebros humanos – isso é exatamente o que alega o Argumento Moral -, nosso questionamento é como tais valores foram parar lá, senão por alguma força externa? Se estão nos nossos cérebros desde o princípio, então não fomos nós que a fizemos… Então não faz sentido dizer que nós somos a fonte de moral se considerarmos uma moral intrínseca ao homem.

Apresentação do argumento por Dan Baker:

“Se não existe um padrão moral absoluto, então não existe certo e errado absolutos. Sem Deus, não há base ética e a ordem social desintegrar-se-ia. As nossas leis baseiam-se na Bíblia.”

Não entendi porque a Bíblia foi parar no meio dessa conversa, já que o Argumento Moral se usa da realidade moral intrínseca ao homem, e não usa a moralidade Bíblica. E, de fato, sem Deus a moralidade sucumbe, pois não há motivo para que tal moral seja seguida. Explicando: A moralidade, se não tem uma fonte, é fruto do acaso e, portanto, não devia ser tão levada a sério simplesmente porque poderia ter sido formada de outra forma qualquer(com o assassinato e pedofilia – agora com alguns malucos que querem renomeá-la como “sexo intergeracional” para justificá-la o que é, obviamente, um absurdo – como coisas boas), já que não são de fato objetivas, mas mera obra do acaso(Trato isso em Ateísmo e Moralidade). E se não há alguém para justificar a Moral, então não há porque segui-la(pois fazer o bem ou o mal não tem consequências). No fim das contas, o texto trás algumas informações corretas, mas elas não são parte do Argumento Moral e nem mesmo consistem em um argumento a favor da existência de Deus.

Este é um argumento a favor da crença num deus, não é um argumento a favor da existência de um deus. A exigência de uma moralidade “absoluta” só vem de religiosos inseguros. (Voltaire ironizou: “Se deus não existisse, seria preciso inventá-lo”.) Pessoas maduras sentem-se confortáveis com o caráter relativo do humanismo, visto que este fornece um quadro de referência consistente, racional e flexível para o comportamento humano ético — sem uma divindade.

Ele não perde a chance de fazer uma auto-propaganda, agora chamando os religiosos de “inseguros”, e os humanistas de racionais. Primeiramente, acho um pouco estranho considerar “inseguros” como algo solto: Inseguros em relação a que? Eu posso ser inseguro em relação a jogar futebol, e extremamente seguro em jogar ping-pong. Isso faz de mim uma pessoa insegura? A crítica dele é  um tanto imprecisa.

Em segundo lugar, a moral Cristã é bastante razoável(no sentido de razão), tanto que há motivos racionais para a defesa de toda a moralidade Cristã(naturalmente, com certa base Bíblica em alguns casos). Em terceiro, digo que a crença em  uma moralidade absoluta revela muito mais maturidade que a crença no relativismo. Porque? Ora, se a moralidade é relativa e flexível, não há porque seguí-la: Basta modificá-la à sua vontade sem achar que praticou uma imoralidade. O Religioso não pode fazê-lo: Se ele fizer algo imoral, não pode moldar a moralidade para que isso se torne moral.

Ou seja, o relativismo humanista na prática é a não-existência da moralidade, e é também uma forma de fuga da moral. Não duvido que existam neo-ateus que sigam essa linha por vontade de ter mais liberdades sexuais, por exemplo. E a fuga de uma moral objetiva não me parece um comportamento de uma pessoa madura.

As leis americanas baseiam-se numa constituição secular, não se baseiam na Bíblia. Quaisquer textos bíblicos que apoiem uma boa lei só fazem isso porque passaram no teste dos valores humanos, que são muito anteriores aos ineficazes Dez Mandamentos.

Evidência que é bom, nada… Mais alegações soltas ao vento que estou pouco inclinado a aceitar.

Não há evidência de que os teístas são mais morais que os ateus. De fato, o contrário parece ser verdadeiro, conforme evidenciado por séculos de violência religiosa. Em sua maioria, os ateus são pessoas felizes, produtivas e morais.

Haja propaganda, Dan Baker! E, cá entre nós, propaganda que nada tem a ver com o Argumento Moral. Ou seja, ele nem disfarça que faz a propaganda por mera vontade e não porque ela cabe no contexto…

De início, se formos falar de violências falemos do Comunismo. Só Stalin e Mao Tsé-Tung conseguiram matar 100 milhões em 50 anos, em nome do regime comunista que é essencialmente ateu. Mataram mais que séculos de “guerras religiosas”. Sem contar que a maioria das “violências religiosas” são caricaturadas, exageradas e retiradas de seu contexto histórico. Pra finalizar, ele afirma que os ateus são mais “felizes, produtivos e morais”… Eu realmente gostaria de saber de onde ele tirou essas informações. Ao que me parece, foi da “caixola” dele. Pra finalizar, o Argumento Moral não tem nada a ver com o quão moral Teístas ou ateus são, por isso não entendi quando ele disse que “Não há evidência de que os teístas são mais morais que os ateus”… Inclusive, também não há evidência de que os ateus são mais morais que os teístas.

Mesmo que este argumento fosse verdadeiro, seria de pouco valor prático. Cristãos devotos e crentes na Bíblia não conseguem concordar entre si quanto ao que a Bíblia diz sobre muitas questões morais cruciais. Crentes comumente adotam posições opostas em assuntos tais como pena de morte, aborto, pacifismo, controle de natalidade, suicídio medicalmente assistido, direitos dos animais, ambiente, separação entre igreja e estado, direitos dos homossexuais e direitos das mulheres.

Que parte de “sentido do certo ou errado”(que ele mesmo colocou na formulação do argumento no início do texto) ele não entendeu? Nosso sentido do certo e errado vem desde antes da existência da Bíblia, homem! A não ser que ele sugira que os séculos anteriores à Bíblia – que incluem os 3 primeiros séculos depois de Cristo – não possuiam nenhum tipo de moralidade, o que é um absurdo já que havia reflexões sobre o bem e o mal muito antes de Cristo vir à Terra. Ele mesmo diz, indiretamente, que a moralidade(senso de certo ou errado) vem de fora da Bíblia(já que ateus podem seguir a moral) e depois ele “se confunde” e tenta dizer que as diferentes interpretações Bíblicas ajudam a invalidar o Argumento Moral… Como se uma coisa tivesse a ver com a outra! Non Sequitur clássico…

Disso pode concluir-se que ou há uma multiplicidade de deuses distribuindo conselhos morais contraditórios, ou um único deus que está irremediavelmente confuso.

Non sequitur e, acima de tudo, non sense. Se os homens entendem a Bíblia de modos diferentes é porque nós entendemos de modo diferente – seja por vontade e manipulação, seja por mera confusão sincera -, e isso nada tem a ver com as decisões de Deus. A confusão do homem em entender as mensagens de Deus demonstram uma limitação do homem, e não de Deus.

Se o diretor de uma empresa dá uma ordem e dois funcionários a entendem de modo distinto, isso significa que o diretor da empresa está confuso ou que um dos funcionários(ou ambos) está confuso? Naturalmente, ninguém em sã consciência concluiria que o diretor estava em dúvida sobre que ordem dar, mas que um dos funcionários(ou ambos) entendeu a ordem de modo incorreto(seja propositalmente, seja inocentemente). Da mesma forma, se Deus dá-nos uma Palavra e nós a interpretamos de diferentes maneiras, não é porque Deus está confuso(ou porque há múltiplos deuses, como Dan Baker propõe), mas porque nós estamos entendendo de forma incorreta(sejam todos nós, seja só uma parte. Seja proposital ou inocentemente). Somente um ser humano com dificuldades no raciocínio concluiria que Deus é quem está confuso.

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Written by catolicoresp

24/01/2012 às 19:00

Publicado em Análise de textos

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