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Análise de texto: Refutação de alguns argumentos a favor da existência de Deus – Primeira Causa e Aposta de Pascal

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Como esses são menores, vou fazer um dois em um.

Primeira Causa

Apresentação do argumento por Dan Baker:

“Tudo teve uma causa, e toda a causa é o efeito de uma causa anterior. Algo deve ter começado tudo. Deus é a primeira causa, o estático que move, o criador e sustentáculo do universo.”

Só um comentário: EPIC FAIL. Dizer que “tudo teve uma causa” é gerar um óbvio loop infinito. Deveria ser: Tudo o que começa a existir tem uma causa, e não tudo o que existe tem uma causa… Dan Baker está atacando um espantalho que ele mesmo criou. Um espantalho que, por sinal, passa uma rasteira em si mesmo.

A premissa maior deste argumento, “tudo teve uma causa”, é contrariada pela conclusão de que “Deus não teve uma causa”. As duas afirmações não podem ser simultaneamente verdadeiras.

Ainda bem que Dan Baker está aqui para nos ensinar isso, não é?

Se tudo teve uma causa, então não pode ter havido uma primeira causa. Se é possível pensar num deus sem causa, então é possível pensar o mesmo do universo.

Se configurarmos o argumento de forma correta – tudo o que começa a existir tem uma causa -, aí sim temos um problema. O problema é definir se o Universo teve ou não um começo… Até aqui, as evidências dizem que o Universo teve um início. Logo, dizer que o Universo não teve início é ir contra as evidências científicas.

Alguns teístas, vendo que todos os “efeitos” precisam de uma causa, afirmam que deus é uma causa, mas não é um efeito. Mas ninguém jamais observou uma causa não-causada, e inventar simplesmente uma causa não-causada apenas pressupõe o que o argumento quer provar.

(Para um exame detalhado do moderno “Argumento Cosmológico Kalam”, veja o meu artigo Cosmological Kalamity.)

Bom, ao menos ele não falhou em refutar o ridículo espantalho que ele criou. E estou pouco inclinado a ver esse outro artigo de Dan Baker… Depois de ler esse aqui, fico com medo das calamidades que posso ler em  suas outras publicações. Vai que ele apresenta o Argumento Cosmológico de modo errado!

Aposta de Pascal

Apresentação do argumento por Dan Baker:

“Não se pode provar que Deus existe. Mas se Deus existe, o crente ganha tudo (céu) e o descrente perde tudo (inferno). Se Deus não existe, o crente nada perde e o descrente nada ganha. Portanto, há tudo a ganhar e nada a perder ao acreditar em Deus.”

Porque a Aposta de Pascal está entre os argumentos Teístas? Isso aqui é uma reflexão, não um argumento. Dan Baker está colocando coisas cada vez mais bizarras e refutando-as… É como um debate individual: Dan Baker está refutando os próprios absurdos que ele diz. Não que a aposta de Pascal seja um absurdo – não é -, mas usá-la para argumentar a favor da existência de Deus é um absurdo.

O argumento, formulado originalmente pelo filósofo francês Blaise Pascal, é pura intimidação. Não é um argumento a favor da existência de um deus: é um argumento a favor da crença, baseado em medo irracional. Com este tipo de raciocínio, deveríamos simplesmente escolher a religião que tivesse o pior inferno.

Ele diz que o argumento é baseado em “medo irracional”. Não entendi o porque do irracional, já que o raciocínio é perfeitamente válido, embora não sirva para determinar a existência de Deus. Se ele alega irracionalidade no argumento, que evidencie tal irracionalidade.

Não é verdade que o crente nada perde. Diminuímos esta vida ao preferir o mito de uma vida após a morte, e sacrificamos a honestidade à perpetuação de uma mentira.

Isso não bate com a realidade por um simples motivo: A vida do crente é que faz sentido. O crente vive hoje em função da Vida Eterna, e o ateu vive hoje por causa de nada. Ao contrário do crente, o ateu é quem não tem motivos para esta vida. Com a crença na vida após a morte e na existência de Deus, essa vida passa a ganhar sentido, e não perder.

Ele também não podia deixar de alegar que as religiões são uma mentira… Como sempre, ele se esquece de evidenciar sua alegação. Aparentemente, ele é profissional em fazer alegações e não evidenciá-las. Sem contar que um ateu não tem nenhum compromisso com a honestidade, já que o ateísmo não tem nenhum tipo de padrão moral que deve ser seguido.

A religião exige tempo, energia e dinheiro, desviando recursos humanos valiosos do melhoramento deste mundo. O conformismo religioso, um instrumento de tiranos, é uma ameaça à liberdade.

Mais propaganda anti-teísta. Ele não se cansa! E também não evidencia o que diz. De fato, a religião exige “tempo, energia e dinheiro”, mas não vejo que ela atrapalhe o melhoramento desse mundo. Ao contrário, as religiões são a maior fonte de caridade existente e, até onde sei, a caridade ajuda no melhoramento deste mundo.

Também não é verdade que o descrente nada ganha. Rejeitar a religião pode ser uma experiência libertadora positiva, ganhando perspectiva e liberdade para questionar. Os livres-pensadores sempre estiveram na linha da frente do progresso social e moral.

Eu tenho perspectiva e liberdade pra questionar, mesmo sem ser ateu. Um verdadeiro Cristão se torna realmente livre, pois deixa de ser escravo de seus caprichos pessoais e passa a conseguir mandar no próprio corpo e tomar decisões contrárias aos seus impulsos. Naturalmente, o ateu também pode fazê-lo, mas ele não tem nenhum motivo para fazê-lo.

No final, ele nos diz que “os livres-pensadores”(seja lá o que isso significa) estiveram na frente do progresso social e moral… Ele só se esqueceu de evidenciar o que alega, como de costume.

Que tipo de pessoa torturaria eternamente alguém que duvida honestamente? Se o seu deus é tão injusto, então os teístas correm tanto perigo como os ateus. Talvez deus tenha um gozo perverso em mudar de ideias e condenar toda a gente, crentes e descrentes por igual. Ou, invertendo a aposta, talvez deus só salve aqueles que têm coragem suficiente para não crer!

Que coisa dramática e, cá entre nós, que não faz muito sentido… Existem muitos “talvezes” na vida. Talvez meu vizinho que se diz homem seja uma mulher, mas isso não significa que seja sensato que eu acredite nisso sem evidências. Se quiser tratar de “talvezes”, fique a vontade, mas eu prefiro ficar com as evidências que tenho de que Deus não segue as suposições de Dan Baker. Ademais, ele também cita a crueldade do inferno, que já foi refutada por mim.

Pascal era um católico e supôs que a existência de deus significava o Deus cristão. No entanto, o Alá islâmico poderia ser o verdadeiro deus, o que torna a aposta de Pascal uma aposta mais arriscada do que se pretendia.

Agora ele decidiu até ler a mente de Pascal e já sabe as pretensões dele. Queria ter esse tipo de dom telepático.

De qualquer modo, crer numa divindade com base no medo não produz admiração. Não se segue daí que tal ser mereça ser adorado.

Não. E também não segue daí que tal ser não merece adoração. Pascal não falou nada sobre adoração em seu raciocínio.

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Written by catolicoresp

27/01/2012 às 19:00

Publicado em Análise de textos

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