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Análise de texto: Refutação de alguns argumentos a favor da existência de Deus – Argumento Ontológico e Revelação

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Outro dois em um!

Argumento Ontológico

Apresentação do argumento por Dan Baker:

“Deus é um ser tal que nenhum ser maior pode ser concebido. Se deus na realidade não existe, então é possível concebê-lo como maior do que é. Portanto, Deus existe.”

Embora eu ache que ficou um pouco resumido demais, serve como parâmetro.

Há dezenas de variantes do argumento ontológico, mas S. Anselmo foi o primeiro a articulá-lo deste modo. A falha neste raciocínio é tratar a existência como um atributo. A existência é um dado adquirido.

Por acaso a existência não é um atributo? Ou um “dado adquirido” também não é um atributo? Acaso a minha existência não é um atributo do meu ser? Que coisa bizarra de se dizer, Dan Baker! Até onde me consta, a existência é, sim, um atributo que pode até ser modificado. Exemplo: Não existem mais mamutes. Agora os mamutes não possuem o atributo da existência, embora já tenham tido tal atributo. O fato da existência ser um dado adquirido não impede que ela também seja  um atributo.

Nada pode ser grande ou perfeito a menos que exista primeiro, portanto o argumento está invertido.

Parabéns, Dan Baker, você acaba de apresentar o Argumento Ontológico novamente(“Nada pode ser grande ou perfeito a menos que exista primeiro.” Continuando: Deus é perfeito por definição. Logo, Deus existe). Muito obrigado. Eu só estou aqui me perguntando o que é um “argumento invertido” e, sabendo o que isso é, eu pediria que Dan Baker nos mostrasse onde está a tal inversão do argumento.

Uma boa maneira de refutar este raciocínio é substituir “ser” e “Deus” com outras palavras. (“A Ilha do Paraíso é uma ilha…”) Dessa forma poderíamos provar a existência de um “vácuo” perfeito, o que significaria que nada existe!

Snowball já resolveu essa refutação, que é uma mera adaptação do Argumento de Gaunilo sobre a Ilha Perfeita.

O argumento esmaga-se a si próprio, porque pode conceber-se deus como tendo massa infinita, o que é refutado empiricamente. 

A quantidade de massa é algo necessário para a perfeição de Deus? Ou melhor: Se Deus é imaterial, como pode ter massa? Esse comentário não fez sentido.

E está-se a comparar maçãs com laranjas ao se supor que a existência na concepção pode de alguma forma estar relacionada com a existência na realidade.

Ele simplesmente afirma isso, mas não evidencia(como de costume). Se ele defende isso, mostre que está correto ou não espere que eu engula tal desculpa.

Mesmo que a comparação fosse válida, por que é a existência na realidade “maior” (seja lá o que isso signifique) do que a existência na concepção? Talvez seja ao contrário.

Não admira que Bertrand Russell tenha dito que todos os argumentos ontológicos são um caso de má gramática!

Oras, não vi muito sentido nisso. A existência na concepção é, na prática, a inexistência(ou então podemos dizer que dragões existem). Me parece um tanto lógico conceber que a existência é melhor que a inexistência, e não o contrário, principalmente para um ser perfeito que, por sua perfeição, não tem necessidades e está pleno consigo mesmo. Se o ser fosse infeliz e imperfeito, talvez fosse melhor(para ele) a inexistência, mas não vejo o mesmo se aplicando para um ser perfeito.

O que Bertrand Russel disse ou não disse realmente não me importa. Se não houverem evidências, vou preferir ficar com o que está evidenciado.

Revelação

Apresentação do argumento por Dan Baker:

“A Bíblia é historicamente confiável. Não há razão para duvidar dos testemunhos dignos de confiança que resistiriam em tribunal. Deus existe porque Ele se revelou através da Bíblia.”

Vou confessar que não gostei nada dessa apresentação. Primeiro, porque a Revelação também não nos oferece prova definitiva como a apresentação feita por Baker sugere(“Deus EXISTE porque se revelou através da Bíblia). Segundo, porque não há suporte para nenhuma das premissas na apresentação de Dan Baker(embora tais suportes existam, Dan Baker não os apresenta). Assim, o argumento conforme ele apresentou não passa de uma tremenda Petição de Princípio e, portanto, pode ser descartada como uma Falácia(vou confessar que me surpreendi com o fato que Dan Baker não citou isso!).

A Bíblia reflete a cultura do seu tempo. Embora boa parte do seu enredo seja histórico, também há uma boa parte que não é. Por exemplo, não há apoio contemporâneo para a história de Jesus fora dos evangelhos, que foram escritos por desconhecidos entre 30 a 80 anos depois da alegada crucificação (dependendo do perito que consultarmos). Muitos relatos, como as histórias da criação, entram em conflito com a ciência. As histórias da Bíblia são apenas isto: histórias.

Um monte de besteira. Primeiro, Baker simplesmente alegou que o enredo Bíblico é, em boa parte, não histórico, coisa que até concordo(Exemplo: Início do Gênesis). Mas isso não significa que os Evangelhos não apresentam registros históricos precisos. Segundo, é falsa a alegação de que não há registros históricos da existência de Jesus fora dos Evangelhos, basta ver, por exemplo, Josefo(ou ler os Capítulos 9-11 do livro Não Tenho Fé Suficiente Para Ser Ateu de Norman Geisler e Frank Turek, para ser mais detalhista e completo).

Terceiro, porque ele diz que “foram escritos por desconhecidos entre 30 a 80 anos depois da alegada crucificação”, mas vejamos… Ser escrito por desconhecidos(ou conhecidos) realmente é algo que não importa, embora se faça certa ideia de quem foram os escritores dos Evangelhos. Ademais, mesmo que eu aceite que os Evangelhos foram escritos de 30 a 80 anos depois da crucificação, eu não ficaria surpreso, já que as informações usualmente eram passadas oralmente naquela época. Em quarto, os conflitos entre Ciência e Bíblia eu mesmo já resolvi sem muitos problemas(aqui e aqui). Nem preciso comentar “as histórias da Bíblia são apenas isto: histórias”, não é? Mais uma alegação que simplesmente não foi devidamente evidenciada por Dan Baker.

A Bíblia é contraditória. Um bom exemplo é a discrepância entre as genealogias de Jesus dadas por Mateus e Lucas. A história da ressurreição de Jesus, contada por pelo menos 5 escritores diferentes, é irremediavelmente irreconciliável. Peritos descobriram centenas de erros bíblicos que não têm sido satisfatoriamente explicados por apologistas.

Eu gostaria de saber quais são esses “erros bíblicos que não têm sido satisfatoriamente explicado por apologistas”, mas, infelizmente, Dan Baker novamente não nos deu nenhuma fonte para sua alegação. Ademais, as diferenças de descrições na Bíblia não são um problema, conforme já  mostrei neste post.

A Bíblia, tal como outros escritos religiosos, pode ser explicada em termos puramente naturais. Não há razão para exigir que seja ou completamente verdadeira ou completamente falsa.

Concordo plenamente, e o Catolicismo não exige que a Bíblia seja tratada como completamente verdadeira. E se a Bíblia “pode ser explicada em termos puramente naturais”, eu gostaria de ler essas explicações. Infelizmente, Dan Baker mais uma vez não nos dá uma fonte onde possamos ver isso acontecendo… Ele não se cansa de alegar sem evidenciar.

O cristianismo está repleto de paralelos de mitos pagãos, e a sua emergência como seita messiânica do século II resulta das suas origens sectárias judaicas. Os autores dos evangelhos admitem que estão a escrever propaganda religiosa (João 20:31), o que é uma pista de que devem ser tomados com algumas reservas.

A primeira parte é mais um monte de alegação não comprovadas que, mesmo se fossem verdadeiras, constituiriam uma Falácia Genética, já que a origem do cristianismo e possíveis influências não caracterizam o Cristianismo como falso(e isso vale para qualquer religião). E é bastante óbvio que os Evangelhos estão aí para fazer propaganda religiosa, o que não significa que eles apresentam dados falsos. Afinal, os Cristãos morriam para defender os Evangelhos… Se fossem algo sem valor, eles não o fariam, não é?

E eu simplesmente não entendi porque o fato do Evangelho ser usado para apoiar o Cristianismo tem a ver com desconfiar do Evangelho…

Thomas Paine, em The Age of Reason (A Idade da Razão), indicou que a Bíblia não pode ser revelação. Revelação (se existe) é uma mensagem divina comunicada diretamente a alguma pessoa. Assim que essa pessoa o relata, isso se torna um rumor em segunda mão. Ninguém está obrigado a acreditar nisso, especialmente se for fantástico.

Como é? Eu entendi certo? Ele nos dá a definição de revelação(“é uma mensagem divina comunicada diretamente a alguma pessoa”) e diz que, se ela for relatada, se torna um “rumor em segunda mão”… Como se isso significasse que o relato é falso ou mesmo significasse que a Bíblia não foi revelada ao seu escritor! Se a Bíblia for o relato de uma revelação, o fato de que ela foi escrita não faz com que o escritor deixe de ter tido uma revelação. E ninguém obriga você a acreditar na Bíblia ou mesmo diz que você é obrigado a acreditar. E o ateísmo é mais que a descrença: É a negação. É bom lembrar disso as vezes.

É muito mais provável que relatos sobre o miraculoso sejam devidos a erro honesto, engano deliberado ou interpretação teológica meticulosa de eventos perfeitamente naturais.

Acredite no que ele diz sem questionar e sem pedir provas. Mais uma alegação não evidenciada…

Alegações extraordinárias requerem provas extraordinárias.

É quase o nome da Técnica! Aqui a refutação.

Um critério da história crítica é a suposição de regularidade natural ao longo do tempo. Isso exclui milagres, que por definição “passam por cima” das leis naturais. Se admitirmos a existência de milagres, então todos os documentos, incluindo a Bíblia, tornam-se inúteis enquanto história.

E é por isso que a história usa a Bíblia como evidência histórica, mas não dá um veredito sobre a veracidade dos milagres. Além disso, o não-uso de milagres para a “história crítica” não serve para mostrar que os milagres são falsos, já que a história crítica não é fonte de toda a verdade. E também não segue que da existência de milagres os documentos se tornam inúteis como história.

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Written by catolicoresp

30/01/2012 às 19:00

Publicado em Análise de textos

Uma resposta

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  1. Caramba, essa sequência tá ótima, quase rolei de rir com essa parte aqui…

    A parte da “massa infinita”, então! Quase caí da cadeira…

    criticareligiosa

    16/02/2012 at 16:27


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