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Apenas defendendo minha fé, e cético em relação aos ateus

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Análise de texto: Refutação de alguns argumentos a favor da existência de Deus – Conclusão

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Não posso dizer que não gostei do texto do Dan Baker. Não que ele seja bom, mas ao menos ele gerou alguns posts para o blog e me ajudou a exercitar um pouco. Vamos ver a conclusão do próprio autor…

Deve notar-se que mesmo que estes argumentos teístas fossem válidos, não estabeleceriam o criador como sendo pessoal, singular, perfeito e atualmente vivo (exceto o argumento da “revelação”, que tem a liberdade de criar qualquer tipo de deus que se deseje).

Nós podemos combinar vários desses argumentos para trazer tais definições sem muito problema(o argumento Cosmológico de Kalam nos ajuda bastante nisso), e vale lembrar que poucos foram os argumentos efetivamente refutados por Dan Baker, e todos os que ele conseguiu refutar foi porque ou os apresentou errado ou simplesmente não existem tais argumentos.

Ademais, o que ele disse foi uma baita de uma mentira. Afinal, o Argumento Ontológico, se for verdadeiro, evidencia um Deus perfeito, já que é justamente esse o objetivo do Argumento. Então ele poderia ao menos ser mais honesto quando escreve, não é? E ainda estou achando um tanto esquisito esse papo de “atualmente vivo“… O que exatamente isso significa? O singular também me pareceu um tanto esquisito, mas tudo bem… Deixemos ele ser feliz ao menos agora.

E nenhum desses argumentos lida com a presença de caos, maldade e dor no mundo, o que torna uma divindade onipotente responsável pelo mal.

Agora todo argumento Teísta precisa tratar do Paradoxo de Epicuro? Cada um que me aparece…

Muitos teístas, quando se apercebem que os seus argumentos filosóficos falharam, recorrem a ataques pessoais estereotipados.

Olha, sei lá se isso é verdade, mas não bate nem de longe com a minha experiência. Até porque poucos dos Teístas que vi debatendo perderam o debate, e em geral o comportamento de xingar e dar chiliques é do neo-ateísta, e não do Teísta. Mas, de qualquer forma, isso aí não passou de um ataque um tanto bobo contra Teístas, que até pode fazer com que alguns neo-ateus não desejem debater com Teístas porque eles são “irracionais e fazem ataques pessoais”… Talvez ele tenha colocado isso justamente para que o neo-ateu se recuse a debater com os Teístas e não seja exposto a um debate sério no qual as coisas fossem esclarecidas.

Todos os ateístas são rotulados de infelizes, imorais, encolerizados, arrogantes, demoníacos, vilões insensíveis que não têm razão para viver. Isso é falso e injusto. Mas mesmo que fosse verdade, isso não tornaria o teísmo correto.

Juro que até vi aqueles rostos dramáticos enquanto ia lendo esse trecho… Que coisa surreal! Mas tem uma verdade: O ateu não tem razão para viver. Uma vida sem Deus é uma vida completamente sem sentido, na qual seus atos – sejam eles positivos ou negativos – não serão de fato importantes, principalmente porque não há certo e errado em um mundo ateísta. Naturalmente, a falta de sentido da vida sem uma divindade não prova a existência de Deus(acalmem-se neo-ateístas!).

Me sinto livre aqui para fazer outra observação: Ele diz que os Teístas rotulam os Ateístas, e trata isso como algo injusto(concordo que alguns dos rótulos recebidos são de fato injustos)… Mas o próprio Dan Baker rotula Teístas de modo generalista e injusto! Alguns exemplos de quando ele o fez de modo direto, sem contar as inúmeras vezes nas quais ele o fez de modo indireto:

  • “A crença é normalmente um assunto cultural ou pessoal separado da ocupação e ninguém, nem mesmo um cientista, é imune às seduções irracionais da religião.”(Parte “Ciência”) -> Religião é irracional…
  • “O conformismo religioso, um instrumento de tiranos, é uma ameaça à liberdade”(Parte “Aposta de Pascal”) -> Você é religioso e está contente com isso? Você faz parte de um grupo que ameaça a liberdade. Embora o conformismo religioso possa ser um instrumentos de tiranos isso não significa que todo religioso conformado é controlado por um tirano e é privado de suas liberdades.
  • “Não há evidência de que os teístas são mais morais que os ateus. De fato, o contrário parece ser verdadeiro, conforme evidenciado por séculos de violência religiosa.”(Parte  “Moralidade”) -> Você, se é Teísta, é menos moral que um ateu. Necessariamente. E tudo isso por causa das guerras “religiosas” que ocorreram antes mesmo de você nascer(?). Poderíamos fazer um paralelo entre o Comunismo e o neo-ateísmo, ou então refutar a ideia dos “séculos de violência religiosa” que mostram uma visão simplista da história, mas não é o objetivo do post nesse momento.
  • “A exigência de uma moralidade “absoluta” só vem de religiosos inseguros.”(Parte “Moralidade”) -> Se você acredita em uma moralidade absoluta é porque você é um “religioso inseguro“(seja lá o que isso quer dizer).

Enfim, acho que está bom. Não citei todos os ataques diretos ao Teísmo, não citei nenhum ataque indireto e não comentei a auto-propaganda(ou self-selling, como preferirem) do neo-ateísmo…

Visto que o exame cuidadoso mostra que todos os argumentos teístas são inválidos, o ateísmo fica como a única posição racional.

Cuidadoso? Sinto muito, Dan Baker, pois seu estudo não foi nem de longe cuidadoso. Um estudo cuidadoso não apresentaria os argumentos de modo incorreto. Um estudo cuidadoso teria refutações bem apoiadas, e não tomadas como Petição de Princípio(coisa que, quem leu minhas refutações, percebeu que ele usa com grande frequência).

Ademais, o Ateísmo é a negação da existência de Deus, ou seja, o imediato oposto do Teísmo(por isso “a”teísmo, com o “a” como negação). O que se segue, quando os argumentos Teístas são refutados – se Baker tivesse conseguido refutá-los –  é o agnosticismo, e não o Ateísmo.

Resumo:

  • Design: Não foi bem apresentado, cheio de Petições de Princípio e até com uma sugestão que vai contra as evidências científicas(a Eternidade do Universo);
  • Experiência Pessoal: Embora a definição tenha sido boa, a refutação se utilizou de Petição de Princípio, e foi simplesmente falha;
  • Moralidade: Apresenta o Argumento Moral de modo satisfatório, mas demonstra não conhecer direito o argumento em sua refutação, já que fala de diversas coisas no texto como se essas fossem contraditórias com o Argumento Moral, quando eram na verdade parte integrante do argumento. Também falha na refutação;
  • Primeira causa: O Argumento foi apresentado de modo completamente incorreto, e Dan Baker refutou um espantalho;
  • Aposta de Pascal: Nunca configurou-se em um Argumento para a existência de Deus, então nem faz sentido que esta aposta(que é, na verdade, uma mera reflexão) esteja naquela lista, a não ser que Dan Baker quisesse utilizá-la para fazer propaganda(o que não duvido nada);
  • Argumento Ontológico: Foi bem apresentado, mas a refutação foi muito ruim e até chegou ao nível de simplesmente repetir o que o Argumento diz como forma de refutá-lo(?!);
  • Revelação: O argumento foi apresentado como uma Petição de Princípio – coisa que Dan Baker simplesmente não percebeu e, mais  uma vez, utilizou-se desse recurso falacioso -, e a refutação foi bastante tosca;
  • Ciência: Um argumento que eu nunca vi ser utilizado por Teístas – embora não seja raro que os neo-ateus o utilizem -, e constitui-se de uma Falácia do Apelo à Autoridade muito mal montada, já que os Filósofos estão em posição  muito melhor que os Cientistas para discutir a existência de Deus e, consequentemente, representariam uma autoridade maior ao tratar do assunto;
  • Fé: O que foi apresentado como o argumento da Fé por Dan Baker nem ao menos constitui um argumento para a existência de Deus. O argumento da Fé, conforme foi exposto, é até contraditório com a Doutrina Católica e retira Deus do plano de discussão e coloca-o como algo que só pode ser avaliado por experiência pessoal.
  • Poderes Psíquicos: De todas as refutações, a mais curta e mais mal feita.Apelo à autoridade, Petição de Princípio e informações que simplesmente não são úteis para refutar o argumento são a única coisa que Dan Baker apresenta nesse setor de seu texto.

Naturalmente, recomendo que se leia cada uma das partes para ter uma avaliação completa do texto de Baker que, ao ser bem avaliado, só serve como propaganda neo-ateísta e propaganda de degradação da imagem Teísta, talvez também sirva como exercício de refutação de falácias.

Espero que tenham gostado dessa série de posts que acaba de chegar ao fim. Deixem suas opiniões nos comentários, pois elas são importantes. Espero que se algum dia eu ler algum outro texto de Dan Baker ele seja melhor que este e que tenha menos Petição de Princípio(chega a ser assustadora a quantidade de vezes que ele utiliza esse recurso!) e mais informações úteis.

Written by catolicoresp

08/02/2012 at 19:00

Publicado em Análise de textos

Análise de texto: Refutação de alguns argumentos a favor da existência de Deus – Fé e Poderes Psíquicos

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Apresentação do argumento por Dan Baker:

“A crença em Deus não é intelectual. A razão é limitada. A verdade de Deus só pode ser conhecida através de um salto de fé, que transcende mas não contradiz a razão.”

Isso não é nem de longe um argumento para a existência de Deus…

Isso não é argumento. Admitir que algo é não-intelectual remove esse assunto do domínio da discussão. Sim, a razão é limitada: é limitada aos fatos. Se você ignorar os fatos, só fica com hipóteses e o desejo de que fossem reais.

Simples e correto. Naturalmente, não é algo que ajude na inexistência de Deus, mas certamente usar o argumento que ele expôs é retirar Deus do plano de discussão  tratar a experiência pessoal como fonte única de conhecimento de Deus, o que não bate com a doutrina Católica.

Fé é a aceitação da verdade de uma declaração apesar de evidência insuficiente ou contraditória, o que nunca foi consistente com a razão.

Falso. Já comentei isso. Fé e razão não são contraditórios. Ou então o ateísmo(que também apresenta uma fé – a da inexistência de Deus) também seria inconsistente com a razão(se os ateus lerem isso, vão ter um surto).

A fé, pela sua própria invocação, é uma admissão transparente de que as alegações religiosas não se conseguem manter de pé por si mesmas.

Quem leu o texto que citei acima viu que não é assim que funciona. Isso é só propaganda neo-ateísta.

Mesmo que o teísmo fosse uma hipótese consistente (não é), ainda precisaria de ser provado. É por isso que a maioria dos teístas minimiza a prova e a razão e enfatiza a fé, por vezes afirmando de forma ridícula que a ciência requer fé, ou que o ateísmo é uma religião.

Ele apenas afirma que o Teísmo não é consistente… Pra variar, ele não evidencia o que diz. E, de fato, o Teísmo deve ser evidenciado, e ele é evidenciado, basta conhecer o Argumento Cosmológico de Kalam, Argumento Ontológico, Argumento Moral…

Ele aproveita pra dizer que “a maioria dos teístas minimiza a prova e a razão e enfatiza a fé”, mas não faz nada para evidenciar o que diz, eu simplesmente devo acreditar que isso é verdade. Na minha experiência isso não é nem um pouco realista. Ademais, a Ciência requer fé(vide o texto que já citei nesse post, que mostra que não é “ridículo” fazer essa alegação, como insinua Dan Baker) e o ateísmo também requer fé, embora não seja uma religião propriamente dita.

Poderes Psíquicos

Apresentação do argumento por Dan Baker:

“Há forte evidência de poderes psíquicos, reencarnação e coisas semelhantes. Você tem de admitir que há ali alguma coisa!”

Não tenho uma opinião formada sobre esse argumento(ainda), então prefiro não comentá-lo.

A maioria dos cientistas discorda que haja forte evidência para alegações “paracientíficas”.

Grandes porcaria. A maioria dos cientistas pode perfeitamente estar errada. É só um apelo à autoridade, coisa que ele conhece e critica no Argumento da Ciência, mas curiosamente se esquece neste momento…

Quando cuidadosamente examinadas com controles rígidos, são geralmente expostas como deturpações ou completa fraude.

Geralmente não é suficiente. Para que o argumento acima seja inválido, todos precisariam ser falsos, e não quase todos. Queremos a explicação justamente desses que não foram explicados ou descobertos como fraude. Afinal, os fraudulentos já temos explicação: A preocupação é com os que não são fraudes, pois esses é que ocorrem e não possuem uma explicação.

Mesmo que essas alegações fossem legítimas, fenômenos misteriosos podem ter explicações perfeitamente naturais.

Podem ter e podem não ter também. “Podem ter” não é suficiente para rejeitar o argumento, somente o “tem” seria útil para fazê-lo.

Nesses casos, os céticos preferem suspender o julgamento em vez de se lançarem em conclusões supersticiosas.

De fato, os céticos preferem suspender o julgamento, e não é isso que o ateísmo faz. O ateísmo nega tais fenômenos como reais, e não simplesmente suspende o julgamento. Se o cético prefere suspender o julgamento, podemos perceber que o ateísmo, neste caso, não adota uma postura ceticista como eles costumam afirmar.

Written by catolicoresp

05/02/2012 at 19:00

Publicado em Análise de textos

Análise de texto: Refutação de alguns argumentos a favor da existência de Deus – Ciência

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Minha primeira pergunta quando vi o “nome” do argumento: Que? Vejamos o que seria o Argumento da Ciência.
Apresentação do argumento por Dan Baker:
“Há muitos cientistas que acreditam em Deus. Se muitas das pessoas mais inteligentes do mundo são teístas, então a crença em Deus deve ser sensata.”

Honestamente, já vi muito ateu dizer algo semelhante, mas em geral em referência à inexistência de Deus. E, cá entre nós, isso não passa de um apelo à autoridade extremamente mal feito, já que a existência de Deus é um assunto Filosófico e não Científico.

Isto não passa de um apelo à autoridade, que os ateus também poderiam fazer, e até melhor. Os acadêmicos, como grupo, são muito menos religiosos que a população em geral.

Números, por favor. E, mesmo com eles oferecidos, são irrelevantes.

Embora seja fácil encontrar cientistas que são crentes, nenhum deles consegue demonstrar cientificamente a sua fé. A crença é normalmente um assunto cultural ou pessoal separado da ocupação e ninguém, nem mesmo um cientista, é imune às seduções irracionais da religião.

Mais propaganda neo-ateísta, que lança a religião como uma “sedução irracional”(evidências, por favor)… Ademais, eu não espero que um cientista prove sua fé Cientificamente, já que Deus está além do plano de investigação da Ciência(ver aqui e aqui)

Apresentação do argumento por Dan Baker:

“A nova ciência da física quântica está a mostrar que a realidade é incerta e menos concreta. Agora há lugar para milagres. Uma perspectiva teísta do mundo não é inconsistente com a ciência.”

Antes da Física Quântica os milagres eram perfeitamente possíveis, e continuam sendo depois dela. Essa apresentação aqui não faz o mínimo sentido!

Isso é um disparate. Um milagre é supostamente uma suspensão das leis naturais que aponta para um domínio transcendente. Se a nova ciência torna os milagres naturalmente possíveis (um conceito contraditório), então não há domínio sobrenatural, nem deus.

Que Non Sequitur macabro. A não-existência de milagres não implica necessariamente na não-existência de Deus.

Na física quântica, o termo “incerteza” não se aplica à realidade, mas antes ao nosso conhecimento da realidade.

Informação desnecessária.

O teísmo implica um domínio sobrenatural. A ciência limita-se ao mundo natural. Portanto, o teísmo nunca pode ser consistente com a ciência, por definição.

Mas que mentira descarada! O Teísmo – sendo mais específico, o Cristianismo – foi o que possibilitou o surgimento da Ciência. A existência de milagres não afirma que não há leis naturais que podem ser estudadas, uma coisa não tem nada a ver com a outra. O Teísmo alega que existem Leis naturais, que podem ter interferência de um ser sobrenatural. Não é o mesmo que negar as Leis naturais. O que foi dito aqui foi um absurdo sem tamanho.

Written by catolicoresp

02/02/2012 at 19:00

Publicado em Análise de textos