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Apenas defendendo minha fé, e cético em relação aos ateus

Archive for the ‘Técnica’ Category

Técnica: Deus dá punições infinitas(inferno) para crimes finitos(pecado)

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Aqui temos uma técnica que é relativamente simples de se expor. A alegação é bastante simples: Deus é um ser injusto, pois a punição pelos pecados(o inferno) é eterna, mas os pecados em si são crimes “finitos”. Eu quero fazer a refutação por alguns caminhos:

O que é um ‘crime finito’?

O neo-ateu usa essa expressão, mas raramente ele explica o que é um ‘crime finito’. Ele pode estar se referindo à questão temporal(o assalto ao banco durou 3 horas), à questão da consequência(o dano causado pela agressão demorou 3 meses para ser curado) ou até a alguma outra coisa. Então vale a pena perguntar: O que exatamente o neo-ateu chama de ‘crime finito’?

Um pecado é sempre finito?

Dependendo da definição que for dada, podemos refutar alegando que nem todo pecado é um crime “finito”. Vamos avaliar as duas possibilidades que citei(observando a consequência e observando o tempo de demora para a prática do pecado). Se observarmos as consequências, o assassinato é um crime irreversível, já que aquele que foi morto continuará morto. Ou seja, logo de início já podemos questionar que os pecados sejam crimes sempre finitos.

O que o neo-ateu pode alegar é que ele está usando uma escala temporal, o que seria completamente absurdo. Um exemplo simples seria o seguinte: Se um juiz punisse dois assaltantes de banco a 5 anos de prisão, duvido que alguém fosse lá reclamar com ele: “Mas Meritíssimo, um dos assaltantes teve um assalto que durou 3 horas a mais que o outro! Você deve dar, por isso, penas menores para o que ficou menos tempo dentro do banco”. Tal atitude seria questionável.

Há uma relação entre a pena e a dignidade da pessoa contra a qual a pena é cometida

Para falar disso, prefiro citar esse trecho do post do blog Filosofia E Apologética:

“Em primeiro lugar, existe um parâmetro clássico de acordo com o qual o grau e a duração de uma pena é diretamente proporcional ao nível de dignidade e valor do objeto contra o qual se cometeu o delito. Assassinar um animal de estimação não tem o mesmo valor que matar uma pessoa e por consequência requer pena mais leve e de duração inferior. Sequestrar um animal de estimação não tem o mesmo peso que sequestrar uma pessoa e por conseguinte requer punição mais leve e de menor duração. Semelhantemente, ofender o Deus infinito requer punição diretamente proporcional: Ou seja, o próprio inferno eterno. “

Isso já explica: Se Deus possui uma dignidade infinita, temos uma pena infinita para aqueles que cometerem crimes contra Ele, e todo pecado é uma ofensa a Deus, sendo todos eles passíveis de uma punição eterna, seguindo o raciocínio citado acima.

Inferno: Punição ou escolha?

Como eu já expliquei no post “O Inferno existe. Logo, Deus é mau“, o Inferno é muito mais uma decisão do pecador em preferir o pecado à graça de Deus do que propriamente uma punição divina. Se eu nego a Deus e prefiro o pecado, a responsabilidade pela ida ao inferno não é de Deus, mas minha, por ter negado a Deus, que nos dá a liberdade de optar pela negação a Ele.

Conclusão

Essa é uma técnica com mais de uma falha: Não há uma definição específica do que seria um ‘crime finito’, a pena se aplica de acordo com a dignidade daquele que foi ofendido e o inferno, mais que uma punição pelos pecados, é uma escolha do pecador. Levantando-se esses três pontos, já temos o suficiente para refutar a técnica utilizada. Sem contar que, mais uma vez, contamos com uma prepotência neo-ateísta que querem julgar a própria fonte de moralidade e Justiça, chamando-o de injusto.

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Written by catolicoresp

02/07/2012 at 20:00

Publicado em Técnica

Técnica: Um ser perfeito não pode gerar seres imperfeitos

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Segundo essa técnica, a conclusão se torna óbvia: Se seres perfeitos não pode gerar seres imperfeitos, e nós somos imperfeitos, então Deus ou não existe, ou não é perfeito. É possível que o neo-ateu utilize, como comparação, algo como uma máquina e faça uma pergunta do tipo: “Poderia  uma máquina perfeita produzir produtos imperfeitos?”.

O grande problema aqui é o seguinte: temos uma grande diferença entre Deus e uma máquina: A máquina simplesmente reproduz o que lhe é mandado. Deus, diferentemente, é um ser pessoal e pode escolher como fará a criação.  E se ele possuir bons motivos para fazê-la com imperfeições, então não  há problema algum nesse resultado distinto.

O mesmo vale com qualquer um que desenhe: Muitos de nós temos ou tivemos algum amigo que era capaz de fazer desenhos absurdamente detalhados e bem feitos. Agora peça-os que faça um desenho mal feito, e vejamos se ele não tem capacidade de fazê-lo. Ou usem-me. Eu tenho capacidade de escrever textos com poucos erros de ortografia, mas é só me pedir que cometo erros absurdos desse nível, como nessa frase: “eu kero pitsa no aumosso”. Por eu ser um ser pessoal que pode fazer escolhas, eu tenho perfeita capacidade de escrever com uma péssima ortografia. Da mesma forma, Deus pode criar criaturas imperfeitas se assim desejar e tiver motivos suficientes para isso.

Agora, quais seriam esses motivos para fazer com que Deus, que podia fazer uma criação perfeita, venha e a faça imperfeita? Podemos citar com facilidade o livre-arbítrio. Se Deus queria nos dar o livre-arbítrio como demonstração de seu amor para conosco, então a  imperfeição vem por consequência simples e direta,  já que o livre-arbítrio inclui fazer coisas ruins e boas. Daí surgem duas objeções comuns, que vou tratar.

1) Deus poderia ter feito pessoas com livre arbítrio entre dois bens diferentes, mas não um mal.

A princípio a ideia parece coerente, mas não o é de fato por um motivo: Se Deus quer que escolhamos a Ele por livre e espontânea vontade, então é necessário que haja como escolher algo que não leva a Ele. Se só há como escolher entre ‘dois bens’ diferentes, então só há como escolher a Deus, fazendo com que o livre arbítrio seja uma farsa.

2) E os males naturais?

Doenças, desastres naturais, morte, etc… Deus podia não ter gerado essas imperfeições, e o livre-arbítrio  nada tem a ver com a existência dessas coisas. Além de isso ser basicamente o Paradoxo de Epicuro, podemos também lembrá-los que Deus pode ter escolhido nos permitir tais sofrimentos como forma de fazer caridades, por exemplo. Ademais, vou usar até um clichê: Nós aprendemos com as coisas ruins mesmo. A maior parte das lições de vida que temos é por meio de erros e coisas ruins que aconteceram a nós e a conhecidos.

Pode ser exatamente por causa dos ensinamentos que tais tragédias podem nos dar que Deus permite que elas aconteçam. Havendo essa possibilidade, a suposição neo-ateísta cai por terra totalmente.

Conclusão

A comparação de Deus com uma máquina é impossível pela pessoalidade divina. A imperfeição do mundo, portanto, pode ser uma decisão pessoal de Deus que pode incluir o livre-arbítrio e aprendizado, sendo ambos motivos morais suficientes para a possibilidade de haver o mal. Assim sendo, o perfeito pode sim gerar o imperfeito, desde que queira fazê-lo.

Written by catolicoresp

28/06/2012 at 20:00

Publicado em Técnica

Técnica: Ateus são fortes, cristãos são fracos(crença em Deus por necessidade)

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Estou voltando à ativa por tempo indeterminado, e nessa volta proponho essa técnica já tão comum, que o Snowball tratou nesse post, e que eu pretendo desenvolver à minha maneira neste aqui, embora ainda recomendo a leitura do post do Snowball. De fato, esses últimos meses em que estive inativo no blog serviram de estudo e, portanto, mudei a forma de ver algumas coisas, o que deve ser percebido com os novos posts.

No que consiste essa técnica? Simples: O ateu diz que a crença do Cristão se origina do medo de se sentir sozinho e por isso ele se engana e cria um Deus para acompanhá-lo(uma espécie de amigo imaginário), ou mesmo diz que o teísta tem medo da morte e por isso cria uma vida fora dela para se reconfortar. Ou seja, o teísta, em sua fraqueza, cria um Deus para se suportar e o ateu, forte, consegue viver sem essa crença irracional e símbolo da fragilidade humana.

Quero discutir, nesse post, o seguinte:

  1. Erro na argumentação: Falácia Genética
  2. Erro na argumentação: Leitura Mental
  3. Usando o mesmo raciocínio, podemos dizer o contrário
  4. Utilidade no debate

Erro na argumentação: Falácia Genética

A falácia genética consiste na crítica da origem de determinada crença e, a partir dela, a tentativa de invalidá-la. Contudo, é evidente que a origem de determinado pensamento não é suficiente para considerá-lo falso. Pode ser que alguém creia que os desertos são secos porque fez um estudo e passou em todos os desertos medindo a umidade do ar neles por um período de tempo determinado, e outro creia nisso simplesmente porque viu na TV. Se aplicarmos a falácia Genética, alguém poderá facilmente dizer: “Ah, ele só acredita que desertos são secos porque viu na TV. Então desertos não são secos.”.

Numa comparação entre as duas ideias até chegaríamos a um absurdo: A informação, se for dada pelo estudioso que citei primeiro, é mais verdadeira que se for dada pelo segundo exemplo. Ou ainda pior: Se for dada pelo primeiro, a informação é verdadeira, mas se for dada pelo segundo(o que assistiu TV), então é falsa. Isso é, obviamente, sem sentido, já que ambos fazem a mesma alegação e ela não pode ser verdadeira E falsa ao mesmo tempo. Resumindo: Mesmo que o Teísta do debate creia em Deus por causa do medo, isso não faz com que sua crença seja falsa, já que a origem de uma alegação não pode ser definida pela origem dela.

Erro na argumentação: Leitura Mental

Se não bastasse o erro da Falácia Genética, ainda temos uma tentativa de leitura mental evidente. Ora, como ele pode alegar com certeza que todos os Teístas creem em Deus por medo(ou carência)? Ou mesmo, como ele alega que eu tenho essa crença por isso? Só há uma forma de ele ter descoberto isso: Lendo minha mente. Como a maioria das pessoas duvida que ele(ou qualquer outra pessoa) tenha tal habilidade, a alegação do neo-ateu que foi feita foi uma mera acusação  incomprovada e desonesta.

Usando o mesmo raciocínio, podemos dizer o contrário

Se, mesmo diante dessas evidências, o ateu insistir na argumentação e repeti-la(o que acontece frequentemente) use-a contra ele, sempre lembrando que você sabe que o raciocínio é falso. Como fazê-lo? Diga que os ateus são fracos porque não querem aceitar uma divindade à qual devem servir, pois isso na vida do Teísta é um fardo diário que realmente dá trabalho, e quem leva o cristianismo a sério sabe do que estou falando. Dessa forma, a aceitação de Deus é, na verdade, uma decisão que torna sua vida mais difícil, e não mais fácil como dizem os ateus. Com essa perspectiva(Vou lembrá-los novamente: é uma argumentação que possui falácias), o ateu é o fraco e o teísta o forte, e o golpe do ateu se volta contra ele por analogia.

Fazendo isso, lembro vocês novamente, é necessário deixar  claro que  você sabe que a argumentação é falha, mas ela segue a lógica do neo-ateu e, quando você usá-la, ele terá de abrir mão para ser coerente ou aceitar ser chamado de fraco, o que duvido que ele faça. Se ele abrir mão, serviu ainda melhor para você, que fez com que o neo-ateu concordasse que a argumentação proposta por ele é falha e agora o debate pode voltar ao normal.

Utilidade no debate

Acho importante frisar porque essa técnica é utilizada por neo-ateus, embora nem sempre eles mesmo saibam disso. Ao se auto denominar forte, o ateu já faz com que o teísta do outro lado do debate seja excluído do debate. Afinal, ninguém quer ouvir o pensamento de uma pessoa que possui uma crença por necessidade e não consegue encarar a realidade. Isso serve para o neo-ateu falar a besteira que bem entender sem ser questionado, e isso é um dos fatores que determinam a vitória ou a derrota no debate: não importa o quão bons sejam seus argumentos, se você for taxado a priori de fraco, então você já não será ouvido e o neo-ateu vencerá o debate do ponto de vista da plateia.

Conclusão

Esse truque precisa ser desmascarado sempre que surgir no debate, uma vez que ele é determinante para o que aqueles que o veem ou leem pensarão dos debatedores. Deixar que esse self selling seja propagado é perder o debate. É um truque fácil de se refutar, mas se não for refutado pode gerar a derrota do teísta no debate, o que não nos interessa nem um pouco.

Written by catolicoresp

13/06/2012 at 20:00

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Técnica: A Criação É Sem Sentido

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Essa técnica consiste em dizer que Deus criou tudo, mas o fez sem nenhum motivo. Assim sendo, Deus agiu como um louco(por ter criado aleatoriamente) e não como um ser racional e Onisciente.

Logo de início, me pergunto: Como assim? O primeiro problema é que o neo-ateu assume a priori que Deus não teve motivo algum o que é, obviamente, a Falácia da Petição de Princípio. Naturalmente, eles não irão desistir tão facilmente, e irão te exigir algum motivo para que Deus tenha criado. E ele pode tentar expor um problema mais organizado, da seguinte forma:

  1. Deus é perfeito
  2. Deus, portanto, não tem necessidades
  3. Deus sentiu necessidade de fazer a Criação(pois, senão, teria agido como um louco para a Criação do Universo)
  4. Portanto, Deus, se criou o Universo(Criação), não pode ser perfeito(pois teve uma necessidade)

Agora sim temos algo organizado, mas que continua tão problemático quanto o problema anterior… Logo de início, não ter necessidade de fazer algo não indica que eu o fiz sem motivo. Eu não tenho necessidade de jogar futebol, mas isso não significa que joguei futebol por uma decisão aleatória, eu posso gostar de fazê-lo. Mas, naturalmente, jogo futebol para uma satisfação pessoal. Consequentemente, isso não resolve o problema, uma vez que Deus, sendo perfeito, não precisa de nada a mais para se satisfazer(em relação a si próprio. Naturalmente, ele fica insatisfeito, por exemplo, com os pecados cometidos pelo homem – observação feita no comentário por Críticareligiosa).

Mas creio que o maior problema nele nem seja esse. Pelo que vejo, o maior problema é que Deus, sendo perfeito, é também Onibenevolente e Onipotente e, consequentemente, quer fazer o bem e tem poder para isso. Tal como eu posso ajudar uma velhinha a atravessar a rua apenas por bondade, e não por necessidade ou satisfação pessoal, Deus pode ter-nos feito por bondade, e não por necessidade ou satisfação pessoal(pois a satisfação pessoal também vai de encontro com a perfeição, pois se Deus é perfeito ele não pode ter necessidades).

Ou seja, a Criação do Universo, no caso acima, não foi contrária a perfeição de Deus e nem foi um ato de “loucura”. Coloquemos isso de forma organizada para facilitar o entendimento:

  1. Deus é perfeito
  2. Deus, portanto, é Onibenevolente e Onipotente
  3. É possível fazer algo bom sem motivadores externos(ou seja, por pura bondade)
  4. É possível que a Criação tenha sido feita por pura bondade
  5. Logo, é possível que Deus tenha feito a Criação e seja perfeito ao mesmo tempo

Conclusão:

A possibilidade de um ato bondoso sem nenhum outro motivador resolve o problema citado e, também, faz com que Deus tenha tido um propósito(ou seja, não foi por “loucura”) para a Criação(fazer o bem). Logo, Deus teve um propósito para a Criação(fazer o bem às suas Criaturas), mas não foi por uma necessidade, mas por pura vontade.

Se isso for possível, então a suposta contradição já está resolvida. Se o neo-ateu insistir no estratagema, basta que você exija que ele mostre que é impossível que haja o que foi suposto por nós para refutar o problema que o neo-ateu afirma existir. Somente com a impossibilidade lógica da nossa solução é que o tal problema passa a ser válido.

Written by catolicoresp

06/01/2012 at 19:00

Publicado em Técnica

Técnica: O homem é inocente pelo seu mal

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Cansados de criticar a Igreja e dizer que ela é a  fonte de todo o mal, agora o neo-ateísmo também decidiu atacar o próprio Deus, colocando a culpa de tudo o que ocorre na Terra nas mãos de Deus e, por isso, Deus seria mau. Como isso é feito? Assim:

  • Deus sabia que o homem faria uso de seu livre arbítrio
  • Logo, o homem não tem culpa dos seus erros(pois Deus que nos deu a liberdade de escolha)
  • Portanto, Deus é o culpado de todos os males ocorridos na Terra.
  • Logo, Deus é mau.

Bom, quero começar com a parte final: A existência do mal na Terra não significa que Deus é mau, como já vimos no Paradoxo de Epicuro. Metade da argumentação já foi pro saco… E a outra metade? O homem é ou não culpado pelas suas escolhas?

Ora, pensemos bem… Se eu lhe dou uma faca e lhe digo: Não use-a para matar nenhuma pessoa(ou para qualquer outro tipo de maldade). Você vai lá e o usa para praticar o mal. A culpa é minha? Que tipo de absurdo é esse? Te dei a faca para que você caçasse e não morresse de fome(por exemplo), se você faz um uso ruim da faca que lhe dei, a culpa não é minha. É sua.

Obviamente, nesse caso, eu não sabia que você faria isso, como Deus sabe. Contudo, isso ainda não resolve o problema de que foi você que fez a escolha. Deus te deu a liberdade de escolha e lhe recomendou que a usasse para praticar o bem. Se você não segue a recomendação a culpa é sua, não de Deus.

Mesmo que Deus saiba que nós vamos praticar o mal isso não significa que Ele tenha a obrigação de impedir(conforme explicado no Paradoxo de Epicuro) e muito menos que você não tenha culpa. Afinal, tantos outros possuem a mesma liberdade que você, mas a usam de forma diferente? Tantos outros possuem a mesma liberdade de matar alguém, mas ainda assim não matam? Mesmo que Deus saiba o que essas pessoas escolheriam(ou escolherão), isso não livra elas de ter escolhido. Logo, não as livra da culpa.

Conclusão

Eu sempre tentei entender essa técnica, mas ela nunca fez muito sentido. Parece mais um argumento de gente que quer simplesmente se esquivar da culpa mesmo, e não de gente que realmente acha isso. Não vi sentido nenhum no que é apresentado por essa técnica.

O próprio argumentador que defende ela já explica que ele tem a liberdade de escolha que, de fato, foi dada por Deus. Mas isso não faz com que Deus tenha tomado as escolhas por você. Acho que já consegui explicar o problema do raciocínio a esta altura, então vou finalizar o post por aqui mesmo.

Written by catolicoresp

30/12/2011 at 18:00

Paradoxo de Epicuro ou O Problema do Mal

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Eu pensei em fazer um post(talvez mais de um, dada a relativa complexidade do assunto) sobre o Problema do Mal, mas aí pensei: Oras, se eu for escrever sobre isso vou usar o William Lane Craig pra me ajudar, com toda certeza. Fui atrás de vídeos dele no youtube e descobri que é muito melhor que eu poste dois vídeos dele(que, somados, dão cerca de 15 minutos) que eu escrever tudo aqui em posts longos e que, com certeza, não terão a mesma eficiência que Craig para explicar a solução.

Portanto, hoje vou deixá-los com esses dois vídeos que, inclusive, recomendo que vejam na mesma ordem que estou postando, porque o segundo vídeo não apresenta muito bem o argumento, embora o explique muito bem. É exatamente por isso que coloquei dois vídeos distintos: Para o primeiro, achei que a apresentação do Problema do Mal estava melhor que o do segundo. Contudo, achei a explicação do segundo vídeo mais esclarecedora.

Apenas uns últimos comentários:
No segundo vídeo, eles comentam do debate de Craig e Hitchens… Acho que era o debate do primeiro vídeo, mas não tenho certeza… Se alguém puder confirmar, eu agradeço.

Também é interessante notar que o Craig chama a atenção para a ridicularização que o neo-ateísmo usa para disfarçar alguns pseudo-argumentos, e é importante estar atento a isso e desmascarar todo tipo de fraude que eles cometerem, mesmo que pareça algo de menor importância.

Por último, chamo atenção que o Craig cita o Paradoxo da Pedra de forma indireta(em 1:37 até 1:50, segundo vídeo) como exemplo de coisas impossíveis… Percebam que ele nem se incomoda com o suposto problema, tamanha a falta de credibilidade do argumento.

Written by catolicoresp

29/12/2011 at 18:00

Técnica: O Inferno existe. Logo, Deus é mau.

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Essa técnica é bastante utilizada para questionar a bondade de Deus. Segundo eles, o inferno é ruim e Deus manda pessoas pro Inferno. A conclusão que segue, supostamente, é a de que Deus é mau.

O que acho estranho, a princípio, é que nós chamemos a própria fonte da moralidade(e se Deus existe Ele é a fonte da moralidade) de imoral, mas relevemos isso para a discussão que farei a seguir.

Logo de início, precisaríamos saber como é o Inferno… Coisa que não sabemos. Sabemos que é ruim, sim, mas não sabemos o que exatamente ocorre. O Inferno pode ser a simplesmente deixar de existir… Ou mesmo somente um lugar onde você pode viver com seus pecados, coisa que não é possível no céu.

Ou seja, já de início temos um problema pra dizer que Deus é, efetivamente, mau pelo próprio desconhecimento de como é o inferno… Mas suponhamos o pior: Um lago de fogo no qual só  há sofrimento. Agora nos falta, para definir que Deus é mau, saber os critérios de Deus.

Se nos foi dado o livre arbítrio, temos liberdade de escolha e, justamente por isso, cometemos pecados. Até o final, podemos escolher se preferimos abandonar o pecado e nos unir a Deus ou se preferimos o pecado e não renunciamos a ele. É justamente essa escolha que Deus vê para tomar a decisão: Se escolhemos abandonar o pecado, Ele nos concede o céu. Se nós preferimos o pecado, então Ele nos deixa escolhê-lo e ir para o Inferno.

Como exatamente nos dar a completa liberdade de escolher o que queremos é maldade? Não é Deus que nos manda ao Inferno, mas nós mesmos escolhemos nosso destino.  Para não nos obrigar a seguí-lo, Deus nos deixa escolher entre abandonar ou não o pecado, e a escolha cabe a nós. No fim das contas, não é Deus que nos condena, mas nós mesmos. Ao contrário, Deus apenas nos salva, pois nossos pecados não nos deixariam ir ao Paraíso com Ele, mas sua misericórdia permite que Ele nos purifique do pecado para que possamos fazê-lo.

Objeção: Deus poderia não ter criado aqueles que iriam ao Inferno

A princípio, parece uma boa ideia, mas na prática não é. Pensem comigo: O livre arbítrio é a liberdade de escolher entre o bem e o mal… Se Deus elimina as pessoas que escolhem o mal, mesmo que só em uma circunstância, como elas iriam escolher? Dessa forma, seria o mesmo que só dar opção de ir ao céu, ou seja, as pessoas criadas não teriam verdadeiramente o livre arbítrio, pois desde o princípio não haveria dúvidas de que elas obrigatoriamente iriam para o céu, ou então elas nem existiriam.

De fato, elas manteriam a liberdade de escolher entre o bem e o mal na Terra e depois se arrepender, mas elas não poderiam escolher o pecado ao invés de Deus. Ou seja, uma parte do livre-arbítrio não existiria, pois ela não teria como escolher entre céu e inferno, já que qualquer um que fosse escolher o inferno não viria a existir. Se Deus queria o livre arbítrio, não poderia não criar as pessoas que iriam ao  Inferno.

Conclusão:

A crítica até faria sentido, se a nossa condenação fosse uma escolha de Deus. Deus quer salvar todos nós e exatamente por isso Cristo pagou os nossos pecados na cruz. Ele nos dá a liberdade de escolha. Quem preferir o pecado, pode ficar com ele. Quem preferir a Deus, irá com Ele. Felizmente, não entramos no céu por nossos méritos – pois se fôssemos medir nossos méritos não entraríamos -, mas pela misericórdia de Deus que nos purifica do pecado para que possamos ser salvos.

Ou seja, a condenação é feita por nós mesmos, que não queremos ser perdoados. Contudo, a Salvação só ocorre por meio de Deus.

E o pedido de não criar as pessoas que iriam ao inferno para evitar o seu sofrimento não faz sentido, pois seria o mesmo que acabar com o livre-arbítrio. Tal como na imagem no início do post, uma das portas seria fechada… Como você teria escolha entre elas?

Written by catolicoresp

26/12/2011 at 19:00

Publicado em Técnica

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